segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Dor de uma filha (qualquer dor!)

Não é um texto de pretensões literárias. É só mais uma mãe falando de sua filha, mais corriqueiro impossível, o que não torna a narrativa menos importante, ao menos para mim.
Tenho uma filha chamada Letícia, em setembro farei dez anos...na condição de mãe...praticamente um quarto da minha existência, o mais significativo, o que deu um real sentido ao que vim fazer na Terra...Letícia vem do latim, significa "Alegria", não poderia ter escolhido nome melhor. Seu pai só esteve (de corpo) presente em nossos dias até um ano e dois meses, algo assim, e isso não diminuiu em nada minha "maternagem". Em nossos vôos solo, sempre damos a mão, e enquanto uma bate a asa direita, a outra bate a esquerda...chegamos sempre onde queremos chegar, ou ao menos não perdemos o rumo! E quando ela sente dor, sou capaz de deslizar sob céus e sobre mares com ela protegida em meu regaço. É a forma mais Divina de amor.
Há uns três dias, ela não consegue ir para a escola nem para o ballet por conta de uma sinusite. Às vezes chora de dor, e eu me esforço muito para não chorar junto. E no meio disso, ela segue sorrindo, e quando não dói, segue cantando..."Contas Pelo Chão", do Alan Sommer, que vêm a ser meu namorado e a grande inspiração musical dela que já começa a arriscar, através dele, seus primeiros acordes. É uma amizade bonita, eu gosto. Mas a questão é que ela, uma menininha de nove anos, me mostra de forma quase constrangedora que é preciso seguir sempre, e que o mundo pode ser legal, que a vida é rica de sons, cores e outras festas sensoriais. Cada abraço e sorriso dessa pequena mocinha me reforça a certeza de que, apesar de tudo, de questões práticas como grana, realização profissional e outras coisas tão precarizadas no Brasil, sendo você competente ou não, sempre vale a pena lutar e fazer acontecer...sempre.
E ainda me olha com uns olhos só dela, os olhos mais comoventes do mundo e diz: "Mãe, vai passar, vou ficar legal, vai ver meu óculos precisa ser mais forte, por isso dói, se você puder, me dá um óculos meia-lua?" e ainda:"Mãe, você é linda e legal, você escreve coisas bem bacanas para os outros, mas ainda vai ter seus próprios livros, mãe, você desenha e pinta, fica chique de vestido eu adoro mostrá-la pra todo mundo...quando crescer quero ser igual a você!" E aí, surge uma lágrima bailando no canto de meu olho, que tento recolher, às vezes em vão, mas de pura felicidade e gratidão.
Quisera eu tomar para mim cada dor da Letícia, poupá-la de todos os dissabores e frustrações...mas sou só a mãe dela, e não a "Mulher-Maravilha"...e sei que a capacidade dela em transformar limão em limonada fará dela uma grande mulher...essa noite (ou madrugada, já que deitei tão tarde) dormimos abraçadas...isso não tem preço. Amenizar a dor de minha pequena com o calor do meu corpo e de meu desmedido amor que sinto, reforça, uma vez mais, que existir faz todo o Sentido do mundo! Sim, sou mesmo uma mulher feliz.