quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Inexatos Cartesianos"

Descartes, pai de uma filosofia racional e exata, deu luz ao Cartesianismo, que hoje serve para adjetivar, entre muitas coisas, um modo de ser e pensar.
"Penso, logo existo". Então tá, mas aqui cabe o pensamento retilíneo, sem brechas para improvisações, onde o planejamento excessivo de todas as ações marca o  modo operante do indivíduo.
Em um mundo de caos reinante, eis que surge o "homem cartesiano", cujos esforços hercúleos para não perder o controle sobre as próprias emoções se sobrepõe à própria natureza humana, sempre tão cheia de paradoxos em todos os aspectos (até para os cartesianos, veremos a seguir).
Para o "Homem Cartesiano" (a princípio "bicho-homem", deixemos o gênero para depois...), não há atalho para o inusitado. O "Homem Cartesiano" raramente se prolonga, diria quase nunca, ele se comunica na justa medida, é econômico em gestos e palavras. Pois sim. Veja o exemplo a seguir:

Reles Mortal: -Você sabe onde mora o "Fulano"?

Homem Cartesiano: -Sei.

Reles Mortal: -???

De novo Reles mortal... : - SABE ONDE MORA O "FULANO"?

Homem Cartesiano: -Sei.

Reles Mortal (já impaciente, coitadinho...) : - E aí?

Homem Cartesiano: - E aí o que?

Reles Mortal: - ONDE mora o "Fulano"???

Homem Cartesiano (calmíssimo.): - Mora em Rua "Tal", em "tal" lugar, na esquina "tal", etc.

Reles Mortal: - E como não me disse isso antes, pô?

Homem Cartesiano: - Você me perguntou se eu sabia onde ele mora. Não perguntou onde ele mora.

Reles Mortal: - Ah, tá...
                                                   ...

Para o "Cartesiano", as questões são levadas ao pé da letra. E não fale em "pé da letra"ou outras figuras de linguagem com essa criatura, isso desestabilizaria sua linha de raciocínio tão bem organizada e objetivada.
Vamos agora para o "Homem-Gênero- Cartesiano". Esse cara pode ser tão romântico quanto uma tabela periódica, daquelas que aterrorizam, em uma estatística otimista, oito em dez jovenzinhos no ensino médio. Ou ainda os indecifráveis mistérios da física transmitidos por professores ditos (lá vai um eufemismo para chato!) "tradicionais".
Para as mulheres, sobretudo as inexatas, vai uma ressalva: O modo cartesiano de alguns homens, que mesmo quando não o são podem ter seus momentos cartesianos, não é necessariamente um atestado de chatice congênita irreversível. É da condição feminina, inexata por definição, querer enxergar poesia nas coisas mais prosaicas da vida. E já que Descartes foi, entre outras coisas, um físico, vamos lembrar que os opostos se atraem também fora das telas de cinema...desde que não sejam rigorosamente opostos, claro.
o "Homem-Gênero-Cartesiano" não é, inevitavelmente, uma alma embalada à vácuo. Vou falar da versão "light" da espécie. Tá cheio da versão light por aí, pode prestar atenção. Justamente por não misturar os assuntos e cuidar de uma coisa de cada vez, o cartesiano se coloca inteiro, e tão intensamente, na troca de carinho e afeto, que as palavras tornam-se então desnecessárias. Nada se compara à grande maravilha da linguagem universal...o toque, o abraço, o beijo, a fusão de corpos,  a capacidade de se emocionar no momento certo...afinal, ele( o " Homem-Genêro-Cartesiano-de preferência light-etc") não é só um mero espectador da vida. Dentro de muitos deles pode existir um oásis particular. Agora é descobrir a senha de acesso desse indivíduo e não assoberbá-los com contínuas e confusas demandas...  ;) Inexatas,  ame-os ou deixe-os! Tudo isso pode ser uma "blablablice" das mais bobas, afinal, "só sei que nada sei", no final das contas. Mas vamos deixar a alma de Sócrates em paz, ou para outra ocasião, coitadinho, pois a hora tarda e um novo dia se insinua...

3 comentários:

  1. Adoreeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!1
    Alan

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  2. Conseguistes em poucas palavras me explicar o pensamento dos portugueses, pois fomos acostumados a rotulá-los de burros. Mas eles não o são... São apenas "cartesianos" como explicastes. Respondem suscintamente, apenas o que lhes foi perguntado, sem maiores elocubrações ou derivações.

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