terça-feira, 28 de junho de 2011

Das saudades de Manuela.

Quantas saudades cabem em uma saudade? Manuela nunca coube em si. Até engordou por uns tempos para comportar tantas coisas que sentia, mas viu que não adiantava aumentar a circunferência, desistiu do projeto e resolveu se amiudar de novo.

 Manuela era composta de sonhos e pesadelos, daqueles que assustam quem estiver ao lado com suas inteligíveis palavras durante seu Dormir quase acordado. Agora, de tanta saudade, não precisava fechar os olhos para ter sonhos ruins. Tirou da gaveta uma bússola para caminhar sem se perder de vez. Em que curva se perderia sem achar o caminho de volta? Não queria mais correr riscos, perdida que já era por definição...

Manuela perdera seu Amor. Seus pesadelos o mandaram para longe, mais ruidosos que eram que seus sonhos, que transitavam entre magentas e pastéis. Ele simplesmente, ainda que não sem dor, se fora, sabe -se D-us se pra sempre, já que pra sempre é tempo que não acaba. E tudo potencialmente acaba. Tudo é feito para acabar...desabar de céus azuis em pleno vôo.

Manuela, pois bem, com sua bússola em mãos, pôs-se a caminhar através da cidade e de suas histórias. Percebeu que a cidade era pequena demais para suas lembranças. Descobriu também que o universo não tinha proporções infinitas: nele sua saudade não cabia. Tudo virava Lembrança. E lembrança virava dor, o único indício de estar plenamente viva. Mortos não sentem dor. Naquele momento, vida e dor andavam de dedos entrelaçados.

Onde via música, via seu Amor a dedilhar acordes. Onde via morangos, via as geleias que Ele adorava devorar com pão e queijo. Onde via multidões, enxergava a Ausência. Ao olhar para o espelho, via as imaginárias marcas dos beijos guardados ao longo de quase oito meses. Onde havia mar, via o verde azeitado dos olhos que não mais a via. Nem havia. Onde via vermelhos, via seu gorro predileto que Ele usava durante suas rezas noturnas que guardavam seu sono. E também sua camisa mais bonita. Ao tocar veludos, lembrava do cotelê das calças prediletas do amado. E também seus pêlos macios do peito, mais macios que algodão. Em cada filme, cada música, cada esquina, cada riso, cada despertar insone...cada Sol e cada Lua. E as curvas pretas e brancas, sinuosas perfeitas do calcadão de Copacabana...Os cocos quase doces que dividiram a beira mar...tudo fazia lembrar e chorar. Manuela se desfazia em água salgada de oceano...estava quase passando do estado sólido (sólida ela, logo ela, Manuela???) para o líquido...e quem sabe, depois em vapor e mais saudade de tudo que foram um dia...a matemática perfeita do 1+1=1...

Manuela temia a loucura nesse mundão já louco que basta, e por isso, em meio a dor cortante, apertava a bússola de encontro ao peito despedaçado. O silêncio do telefone insistia em gritar em seus ouvidos: Manuela, não aguento mais...por agora não te quero mais...muda, Manuela! Manuela, ao amar mais que se deve, mudou a alma de casa, como disse uma vez o Poeta. Olhou para a bússola: deveria caminhar à Norte de seus passos para não resvalar na insanidade...já que naquele instante, presa em camisa de força, se rasgava em Saudade. Precisava de um norte. Manuela se queria de volta para voltar à quem queria...

Como pode ser cruel a esperança...mas como avançar sem ela? Segue, Manuela! Ainda que o cheiro d'Ele esteja impregnado nas páginas de seus livros... e de sua pele.

Explosão

Nada a celebrar. É só poeira vulcânica, partículas de um amor suspenso no ar...a natureza (Deus), em seu tempo, bota tudo em seu lugar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Manuela... entre reticências e exclamações!

Ela não sabe nada
 mas pensa que sabe tudo.
Pensa que é alguma coisa
 como se ser coisa fosse coisa alguma...
Ela já quis ser do circo
 mas despencou do trapézio...
Já quis ser atriz, mas depois não quis!
Já quis cantar, mas o grito calou sua voz
Já quis ser dançarina
 mas seus passos a levaram para longe.
Já quis ser médica
 mas seu medo levou-lhe a coragem e o tempo

Já quis ser escritora  
mas o dinheiro levou suas palavras
 e ela virou um fantasma...

ah, Manuela!
Abre seu olho
 que viver não é só amar com alguém no coração
 nem entre as pernas...
Já quis ser tantas e muitas
que acabou em coisa alguma
 uma sonhadora a purgar no mundo real

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Do Amor.



Hoje me lembro de Orfeu 

                                          Em sua heróica descida ao inferno 
Na busca da alma de Eurídice 
Nenhuma bacante conseguiu impedir... 
Seu único pecado foi não poder resistir 
Em olhar o rosto de sua amada. 
Que bom seria reescrever esse fim, 
Sem uma lira que chora, 
Mas entoa versos de amor...

Claudia Tonelli

terça-feira, 21 de junho de 2011

Rápidas e importantes considerações sobre a depressão.


Resolvi escrever sobre depressão, a despeito de tudo e do tanto do que já foi dito sobre o assunto.
Muito se fala dessa "coisa" que paralisa a alma e as ações, muitos já passaram por isso, muitas vezes sem perceber, confundindo a doença (pois se trata de de uma doença) com um estado prolongado de tristeza pura e  simples.

Vou falar em primeira pessoa, não acho uma exposição barata e sem sentido. Se essa postagem fizer diferença de forma positiva na vida de alguém, já terá valido a pena.

Sim, de fato, a depressão é um estado prolongado de tristeza que envolve muito mais que uma natureza derrotista, pessimista, preguiçosa e sem atitude. Eu, Claudia, a conheci pessoalmente, e estou sempre atenta à não ser "visitada", "invadida", "dominada" por essa tragédia particular, que ainda que não seja contagiosa, pode ser contagiante. O triste é que tende mais a afastar as pessoas do que obter ajuda, por pura falta de informação e preconceito. O cara que morre de overdose tem mais compreensão que o indivíduo que se mata por estar deprimido, quando na verdade, todas as dores da alma deveriam ser vista com a mesma humanidade.

A primeira visita da "Dona Depressão" foi por volta dos meus vinte anos. Veio acompanhada de um inimigo íntimo: o "Sr. Pânico". Meu peito apertava, sem motivo aparente, e eu simplesmente achava que iria morrer, que não havia lugar para mim nesse mundo. Foi um período difícil em minha vida, repleto de mudanças para as quais eu não estava preparada. E mesmo tendo uma "família"  essencialmente inserida na área de saúde, foi difícil ser compreendida. Eu não os culpo: "em casa de ferreiro, espeto de pau".

Me lembro de meu aniversário de vinte anos, onde reuni alguns amigos em um barzinho: de repente, nada daquilo parecia fazer sentido. Fui tomada por uma desolação imensa, uma vontade louca de fugir, com a certeza de que ninguém ali me conhecia de fato, se importando mais com a cerveja gelada, em uma época em que quem convidava sempre pagava o banquete. Via as pessoas combinando uma esticada no Baixo Gávea ou algo do gênero, pois "ali" não estava muito animado. Eu não estava muito animada. Não estava fazendo o que eu queria, não estava estudando o que eu queria, havia acabado de romper com um namoradinho que na época me parecia importante, minha família não compareceu e eu , via de regra, era tida como a "estranha super sensível da família com um gênio indomável" (palavras deles). Tenho uma prima que dizia que além de eu ser estranha, seria a última a ser salva em caso de incêndio por ser adotiva. Angela, o nome desse anjo... Lembro que fiquei na merda, hoje ela me dá pena, compaixão, de verdade. É fato que não tenho um gênio lá muito cordata, sempre me prolonguei em argumentações que não me levariam a lugar algum. A maioria das pessoas já estão cristalizadas em suas verdades.

Aos vinte, pouco depois desse aniversário, já não morava mais com meus pais, e sei hoje que eu não tinha preparo emocional nem estrutural para isso. Ainda pago por isso, mas cada vez dói menos, como o financiamento de uma casa própria...um dia a gente supera. É nessa direção que caminho. Pelo menos, a casa eu já tenho...um canto pra chamar de meu, ainda que não tenha a cara dos meus sonhos. O mal do sensível é sonhar demais, eu sempre sonhei demais, o que não significa romper com a realidade. Esse paradoxo torna tudo mais penoso.

Houve um tempo, lá pelos vinte e quatro, que em um ano, morei em nove lugares diferentes: pensionato, vaga, república, mini-kitinete e o que mais se possa imaginar em termos de moradia precária e muitas vezes, sem privacidade alguma. Lembro que eu chorava todos os dias, mas me responsabilizava por minhas escolhas. Emagreci ao extremo nesse tempo, as vezes comia um miojo por dia, e nunca deixei minha família me ver daquele jeito. Eu simplesmente saí de cena, o que não foi muito difícil. Muitas vezes as famílias se ausentam por não saber como ajudar. Simplesmente não sabem como e o quê fazer, logo preferem não ver.

Minhas noites eram marcadas por pesadelos, onde eu caminhava sobre os trilhos de um metrô dentro de um corredor escuro, e acordava suando frio antes de ser atingida pelo trem que surgia de repente prestes a me dizimar...esse pesadelo se repetiu muitas vezes. Eu sempre tentei reagir e seguir em ferente, e graças ao meu instinto de sobrevivência, eu consegui. Tenho consciência de que, de algum modo, plantei as dificuldades que tive que superar.

Os ataques de pânico voltaram com força total: eu tinha certeza que ia morrer. Um nó nó peito se prolongava até a garganta. Horrível. Eu mal conseguia trabalhar, me olhar no espelho, me amar...nem pensar.

Aos vinte e sete anos, engravidei de um cara com quem havia ido morar há pouco tempo depois de mais ou menos um ano de namoro. Só o conheci pra valer mesmo debaixo do mesmo teto. Ele era obsessivo, ciumento, violento, e a única coisa que agradeço (a D-us) é a filha que tenho. Foi uma gestação difícil, mas eu estava determinada em ter minha filha. Hoje ela representa a essência do que posso chamar de família. Durante a gestação,o cara enlouqueceu, no mal sentido do termo, onde não me cabe dar maiores detalhes. Me ausentei por um período para me preservar (talvez se eu tivesse mais apoio, teria me separado definitivamente naquele instante e me poupado de muita humilhação e mais depressão), e comi o pão que o diabo amassou, perambulando com minha barriga para lá e para cá e contando com a caridade de alguns amigos. Minha família não se conformava com o rumo da minha vida, minha mãe adotiva não me recebeu, pois não queria "ver" o que eu tinha feito de minha vida. Nos reconciliamos (na medida do possível) pouco antes do nascimento da minha filha, e quando estávamos ficando quase amigas, e eu, recém separada do cara, ela enfartou! Bem no dia da festa de aniversário de meu pai...meus irmãos adotivos sugeriram que eu a matei de desgosto. Mais depressão, voltei ao tabagismo com força total depois de anos. Eu estava prestes a completar tinta anos, e minha filha não tinha nem dois aninhos. Todo esse período foi marcado por depressão e sensação de fracasso, tirando a minha maternidade, que era meu único motivo para sorrir...a despeito de todo medo que eu sentia, sem saber se daria conta...mas dentro de mim, havia e há uma reserva infinita de amor.
Entre idas e vindas, o momento mais FODA da depressão foi o do quarto escuro. Eu era ( e ainda sou) maquiadora e redatora (ghost writer tentando migrar para o autoral, veja que sintomático...alguém bom em se esconder, em se proteger da dor), mas não conseguia sair de casa. Simplesmente não conseguia. Um primo do cara com quem tive uma filha pagava a creche dela, sob o compromisso de que eu não pedisse pensão alimentícia. Sobre isso, melhor nem me prolongar. Já me submeti a abusos por verdadeiras migalhas diante do que é JUSTO. JUSTO, entende? Hoje, justo é o justo e ponto final,e sem mais, volto ao assunto em questão. No quarto escuro, eu me trancava e vedava com fita isolante qualquer possibilidade de entrar luz. Chorava e dormia. E comia leite condensado. Engordei muito. Emagreci.  Engordei de novo. Faz pouco mais de um ano que aprendi a comer direito, a não transformar frustração em comida ou em total ausência dela, e finalmente, me reconheço no espelho no meu exato tamanho. Faço uma manutenção do meu estado de espírito, pois psiquiatra não é coisa pra louco. Eu recomendo, de preferência, junto com uma boa psicoterapia.

Diferente da depressão endógena, que parte de alguma causa orgânica não identificada, eu tive a depressão reativa, oriunda do stress e de eventos externos que vão além do que o indivíduo pode suportar. As duas têm tratamento, as duas exigem atenção para ser superadas. E apoio, sem apoio de alguém, fica quase impossível.

Hoje, sou bem mais "feliz". Não permito que doença, preconceito, nem nada nesse mundo sequestre minha alma. Sou feliz até demais, amo toda a minha família (ou quase toda...), pois sei que não existe vida perfeita. Transito através de minhas dificuldades e histórias de cabeça erguida. Às vezes choro. Muitas vezes rio. Quem me conhece, não deixa de notar minha natureza combativa e alegre. Não desprezo nem faço piada do desespero de ninguém. Não que eu seja uma criatura evoluída acima do bem e do mal. Apenas sei do que estou falando. Em tempo: SEMPRE HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL OU ALGUÉM CAPAZ DE LHE DAR A MÃO EM TEMPOS DE ESCURIDÃO. Ou as duas coisas juntas...Não desistam de si mesmos.






Para 1 homem, 2 mulheres
sofrem de depressão.
40% a 60%dos casos de suicídio têm estreita relação com a doença.
Homens depressivos morrem vezes mais por suicídio que
mulheres (apesar de elas cometerem mais tentativas).

A depressão costuma ter início entre 15 24 anos

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ser mulher não é coisa pra macho! Viva as diferenças...

Dentro dos avanços(?) de uma sociedade que caminha rumo a sei lá o quê, é possível perceber que mulheres em todas as camadas sociais seguem em sua existência acumulando múltiplas jornadas, que começam na luta do pão de cada despertar ao ato de cobrir suas crias ao anoitecer...e entre essas duas ações, o dia parece ter vinte e cinco horas, trinta talvez...muitas saem para trabalhar, sejam em seus carros particulares, driblando trânsitos infernais que deixaram de ser privilégio de grandes centros urbanos, sejam em ônibus onde mal se respira, e a cada freada são obrigadas a testar a força de seus braços, ou ainda em trens ou metrôs lotados sob a pena de contrair viroses e desenvolver claustrofobias administradas pela necessidade da sobrevivência...
Cada dia é repleto de surpresas: dificilmente a agenda feminina não é alterada pelo imponderável, dada a multiplicidade de papeis que é levada a desempenhar... pode ser um filho com febre na escola que a faz despencar de onde estiver, arriscando a estabilidade de seu trabalho, ou ainda um evento que surge no meio do dia e a faz perceber que suas unhas estão descascando e sua sobrancelha mais se assemelha a uma lagarta peluda, e a manicure de confiança sumiu ou não tem horário, então a "louca"(muito comum essa forma de adjetivar as "meninas") corre na farmácia mais próxima para comprar esmalte, acetona, quem sabe um alicate para aparar as cutículas, uma pinça para domar o arco sobre os olhos, enfim...e se o imponderável for um encontro romântico, adicione à lista de emergências uma calcinha que não seja a "bege surradinha" com a qual saiu de casa, e uma lâmina para "depilar" à seco pernas onde brotam pêlos que espetam por pura falta de tempo de se enxergar em um ritmo menos neurótico...e no meio disso tudo, ligar para os filhos dizendo que a mamãe vai atrasar, contando que a babá, vó, ex-marido desempregado, ou seja lá quem for, cumpra o papel de "afeto terceirizado", podendo rendê-la e dar a ela a oportunidade de namorar ou passear ou transar, enfim...afinal, nem todas as mães seguem com seus parceiros, há muita diversidade e são muitos os modelos familiares, que de tantos, são "incatalogáveis"! E quando dormem fora ao lado do amado ou da amada(why not?), dificilmente abrem os olhos sem a saudade de quem a espera em seu lar...de filhos a cachorros, ou uma mãe ou pai idosos, ou tudo isso junto...
Às que tiveram mais acesso à educação formal, há de se lembrar dos cursos de aprimoramento e extensão em um mundo onde a corrida do ouro nunca alcança a linha de chegada. E as mais humildes, muitas, correm de seus sub-empregos para uma sala de aula noturna na tentativa de abandonar a condição de analfabetas funcionais...todo mundo quer melhorar, entretanto, conseguir ou ter preparo psicológico e algum tipo de apoio, é uma outra história.
Outro dado que não dá para passar despercebido: vivemos na era do culto total à beleza, mulheres precisam ser lindas, ou se esforçarem ao máximo para chegar perto disso. Mais uma vez, que fique claro, que essa demanda é comum a todas as camadas econômicas. Buscam a beleza de acordo com seu sistema de crenças. Querem se vestir bem, seja numa loja de grife, ou de departamentos que possua crédito próprio com cem dias para começar a pagar em oito sem juros...ou também, em camelódromos que ofertam todo tipo de fakes, reproduzindo, mesmo que de maneira precária, as "tendências da estação" ou o colar modelável da personagem gostosona da novela das oito...
No meio dessa "guerra" de se manter desejável, há quem diga que ser mulher é coisa para macho. Não é não. Homens têm um expediente de vida diferente, com dificuldades próprias, e não menos dignas de nota, mas são diferentes e pronto, e isso é bom. Material para outra postagem, ok? Voltemos às mulheres. Como já foi dito, precisam se sentir lindas e amadas. As que não têm filhos, em sua maioria, querem ter. E se fazem lindas na busca de um parceiro que viabilize seus sonhos. Chegam de um trabalho qualquer às oito e meia da noite e se jogam em academias para que o corpo não desabe com o avançar do tempo, afinal, é o que se nota primeiro. Um homem nunca dirá: "Nossa, me apaixonei pela sua alma à primeira vista". Foi dito uma vez que mulheres chegam ao sexo através do encantamento, e que os homens chegam ao encantamento através do sexo. Via de regra, difícil não acontecer desse modo.
Em tempo, tem ainda a preocupação com a forma, leia-se peso. Não dá mesmo para ignorar a cultura do corpo perfeito. E quem tem grana para investir em uma alimentação realmente adequada nessa era de frangos anabolizados e comidas processadas industrialmente cheias de conservantes e outros venenos? Há quem tenha, mas isso não representa a regra. Mulheres se viram com o quê e como podem. Esse é um tema que, ainda que "batido", é inesgotável, é fácil voltar a ele e adicionar novas considerações acerca da condição feminina. Mulheres correm contra ventos e tempestades, e param no meio do caos para retocar o batom e ajeitar os cabelos...porque ser mulher não é coisa para macho não! É coisa para mulher com "M" grandão! Mesmo que ao cair das cortinas, tudo que desejem seja um braço forte enlaçando suas cinturas para que se sintam "mulherzinhas" no melhor sentido da palavra...Boa tarde, "meninas e meninos", tão necessários que são uns aos outros.

Hoje já vai tarde.

Hoje, particularmente, ainda resiste a sensação de que, se eu fizer um bolo, eu solo, se eu tentar dançar, eu caio, se eu tentar escrever, eu travo, se eu tentar desenhar, eu deformo, se eu tentar pintar, eu borro, se eu tentar bordar, eu rasgo, se eu tentar construir, eu destruo, se eu tentar sorrir, eu choro, e quando dormir...pesadelos farão parte do meu mundo onírico até que um novo dia renove forças e esperanças. Que grande merda é ser...humana. E com pouco pejo...pois assim somos nós...precários mesmos...desconfio da alegria em tempo integral. Bem como acredito teimosamente que o mundo gira e a alegria sempre dá as caras.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Excessiva/Egotrip.

Todo mundo excede em algo, para mais( o que é mais óbvio) ou para menos (já que menos também pode ser além da conta, e igualmente, uma grande chatice), e cada um sabe a melhor forma de transitar pela própria existência.
Eu, segundo olhares de fora, e as vezes dou o braço a torcer(como agora), vivo a me transbordar de mim mesma. Sou demais, e não falo no bom(?) sentido da palavra. e também não falo no mau, apenas é o que é.
Sei que não sou uma criatura mal educada, mas vivo em carne viva...deve ser porque estou viva. Tudo, ou quase tudo em mim é fácil detectar: alegria, tristeza, euforia, medo, indignação, raiva, comoção, constrangimento, e por aí vai...quase tudo em mim é visível a olho nu. Há quem diga que é um tiro no pé. Que tenho que ser mais "na minha" (eu sou "na minha", não vivo nenhuma vida que não seja a minha). Quando amo, amo demais. Quando detesto...um horror. A única ponderação que aprendi, por ter custo/benefício incontestável, foi com a tal da gula. De resto...vou vendo.
Lembro-me que aos nove anos, em Uberaba, em uma rua onde umas trinta crianças se conheciam e brincavam na rua até altas horas, não raro, eu dava o tom das brincadeiras. Fosse uma partida de queimado ou uma escalada arriscada em telhados para resgatar uma pipa sem cerol...sempre tive medo de me cortar, e meus amiguinhos também. Era comum escolher as campainhas que tocávamos para sair correndo em disparada. E pedalar pelas ruas do bairro em bando. Ai, que saudade da minha Ceci dourada...pois é, as meninas todas tinham bikes cor-de-rosa, eu quis uma dourada. Seria um prenúncio da minha vocação para o "excesso"? Também gostava de produzir e atuar em peças infantis montadas na garagem com direito a público, que recebia pirulito de gelatina feito pela mãe de uma amiguinha muito especial. Uma vez montamos Romeu e Julieta, sem final triste, versão pueril. Fui a Julieta, e aos nove anos tive a cara de pau de mexer no roteiro. Outro prenúncio?Vai aqui um desabafo no qual não pretendo me prolongar: ando de saco cheio de prejulgamentos. E aqui encerro esse desabafo sobre o meu saco a ponto de explodir, combinado, vamos em frente. Todo mundo tem o inalienável direito de pensar e achar o que bem entende, desde que não atirem pedras ou causem danos. Ai, não sei se sou capaz de não me prolongar, afinal, eu sou aquela que excede, né? Tem gente que me evita no primeiro olhar. Outros me adoram no primeiro olhar. Outros tem medo até de chegar perto. Ok, não sabem o que perdem...rs...ou do que se poupam...tem gente que se poupa do próprio Viver. Eu não sei poupar quase nada, no máximo grana, por uma questão de sobrevivência. E poupar não seria a palavra, mas usar com toda a moderação possível, afinal, só se poupa o que se sobra. E isso, ultimamente, está longe de sobrar...eita vida de altos e baixos...uma roda.
Tenho uma irmã que me diz que tenho tantos talentos que vai levar tempo para saber administra-los. Gosto de acreditar nisso, pelo menos na parte em que ela fala dos talentos...e tenho um pai que acha que eu deveria "disfarçar" mais "meu jeito" para me poupar de recalques alheios. Palavras dele. Disfarçar o quê? Quem eu sou? Sorrir menos largo? verter menos lágrimas ao chorar? Ser rasa na exposição do que penso? Ter uma "figura" que apareça menos, tentar ser invisível? Acho a preocupação do papai uma fofura, mas tem coisa que simplesmente não dá. E tem coisa que dá. Hoje, em minha casa, só bota o pé quem eu amo e quem me respeita. Nada de "happenings" para jogar conversa fora sabendo que no dia seguinte a pauta vai ser a reforma inacabada do meu banheiro ou o caos de livros espalhados por toda a casa. Já gostei de reunir amigos, até descobrir que quase ninguém é amigo, portanto, não gosto mais. Aqui, agora, para entrar, tem que ser alguém muito amado.
Eu nem sei onde quero chegar com essa prosa, mas sei que não vou editar minha alma. O mundo não tem que me engolir, fica perto quem quer. E sigo sendo o que ou, e aprimorando aquilo que julgo necessário; e ouvindo apenas o que me interessa, ou melhor, a quem me interessa, sobretudo, aqueles a quem verdadeiramente amo(e vice-versa) e que verdadeiramente se importam comigo. Nunca serei aquela da voz suave e discreta...dizem também que minha voz é de longo alcance, só não preciso "gritar". E que minha tpm é foda. Isso sim me interessa muito mudar. E me ocupar mais da grande alegria que é estar viva. Teve momentos em minha vida que cheguei a acreditar que sucumbiria. Mas estou aqui...com uma filha para amar, dividir, entre tantas outras dádivas que, porque eu quero, e somente porque eu quero, é melhor nem falar...Ou pelo menos, tentar falar bem baixinho...a quem só interessar saber...
Confesso: hoje acordei meio triste, mas sei que vai passar...sempre passa, e o sorriso é devolvido ao meus lábios...

sábado, 11 de junho de 2011

Bolo de cenoura da Elzinha (minha irmã). I-ni-gua-lá-vel!!! No liquidificador!!!

Esse bolo é muito legal. Minha irmã primogênita faz os melhores bolos do mundo, e tem uma receita em particular que faz bonito, até nas mãos dos mais medrosos em matéria de cozinha. Tô a fim de dividir, assim eu não engordo, hahaha...lá vai, depois publico outros tesouros "fácim, fácim" da Elzinha.
Por um pouco mais de doçura nesse mundo de Meu Deus, lá vai:


                                  Ingredientes:

*3 cenouras grandes
*3 xicaras de chá de açúcar
*3 xícaras de farinha de trigo sem fermento
*4 ovos inteiros
*1 xícara de chá não muito cheia de óleo de sua preferência (o de soja super funciona, de preferência, Liza)
*1 colher de sopa de fermento em pó

                                  Modo de preparo:

Joga tudo no liquidificador e liga no máximo, ebaaaaa!!! Ops, menos a farinha, essa vai sendo agregada ao samba pouco a pouco...mas tá longe de ser uma manobra de risco. Depois, unte uma forma, preferencialmente retangular, com margarina e farinha de trigo. retire o excesso de farinha de trigo e despeje o preparo. Asse em forno a 180º graus, por em média, 40 minutos. Espete um palito, se sair limpo, tá pronto para receber a delícia de cobertura, que veremos a seguir!

                                   Cobertura: (o famoso "ganache")


*1 tablete de chocolate meio amargo de 200 gramas.
*1 lata de creme de leite de sua preferência.

                                   Como proceder:

Derreta o barrão em banho maria, e para facilitar o processo, pique antes em pedacinhos e cuidado para não cair água. Depois, junte o creme de leite (não precisa tirar o soro) e misture bem com uma espátula. Sobre o bolo já naturalmente resfriado, distribua generosamente a cobertura, espere esfriar e "corra pro abraço". Um quadradinho não será um atentado a boa forma de ninguém, para quem se preocupa com o "corpitcho".

Depois, me conta se gostou, tá? O próximo vai ser o de aipim.

Beijos da Claudia.


                       

                                                 
                               

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Testando possibilidades/Maquiagem de caracterização de Claudia Tonelli em Claudia Tonelli.



 Quem teme o envelhecer teme a própria vida.



"Envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo."
Charles Saint-Beuve.













quinta-feira, 9 de junho de 2011

Envelhecer.

Tenho 37, quase 38 anos, e não sou um grande exemplo de coisa alguma digna de nota na sociedade em que vivemos. Passei a maior fatia da minha existência produtiva escrevendo para que outros assinassem, de trabalhinhos acadêmicos(sei que isso não é bonito...) a colunas de pessoas respeitáveis. O tempo avança sem pedir licença, e vejo parte de minha caminhada marcada por adiamentos que não dependem só de mim, e que também  não me causam mais desespero. Entretanto, consegui coisas que vão além da cultura do "é mais quem tem mais", e isso faz com que minha vida siga valendo a pena.
Vejo minhas paredes envelhecendo junto comigo. Vejo meus móveis envelhecendo junto comigo. Vejo fotos de família que dificilmente se renovam(com exceção das minhas e dos que vieram depois de mim) ficando amarelas, craqueladas, junto comigo...meu lustre dourado(um mimo de família) escurece dia a dia...é pesado, e lindo, e tenho medo de quebra-lo.E na contramão disso tudo, admito que nunca estive tão bem...nunca cuidei tão bem de mim...admito que ando me achando bem mais bonita. As paredes e móveis podem esperar, eu não. Minha poltrona vermelha em frangalhos pode esperar, eu não. Minha filha repleta de sonhos não pode esperar, ela sente e deseja coisas, que se danem as indumentárias! Cuidarei disso quando o caprichoso Tempo/Dinheiro permitir. Ontem namorei uma pequena estante de 380 pratas, claro que tenho meus pequenos sonhos de consumo, mas também ela pode esperar...isso não me impede de ler os livros que se multiplicam em cada canto da minha casinha. Isso não me impede de ter esperança em dias melhores...eu tenho perspectivas concretas de achar um canto bem gostosinho ao sol...por enquanto, minha adorável janela em forma de arco no subúrbio carioca emoldura sonhos secretos, guardando o que realmente me importa...minha filha, meus momentos felizes ao lado do homem que eu amo( o melhor namorado do mundo!), a presença deliciosa de amigos que ficam felizes só de me ver, o apoio de minha super amiga Carina que sempre esteve ao meu lado nos momentos mais dramáticos, entre carinhos e turras, minha história que é só minha, repleta de momentos que não trocaria por ouro nenhum nesse mundo. Eu sei onde quero chegar, e caminho nessa direção. Hoje aprendi que revelar sonhos é muito perigoso: para cada um que torce por você, dez estão na primeira fileira aguardando o próximo tombo. Faz parte da precária condição humana. E não quero destilar nenhum tipo de rancor, só me interessa mesmo cuidar da minha vida e zelar pelo meu bem mais precioso: minha Letícia, minha alegria, minha filha amada que de tão amada sinto como se fosse só minha...e na prática, é mesmo...estamos juntas com ou sem pai. Eu optei pela maternidade em tempos de inocência, e assumo isso sem dó de mim mesma. Eu quis ser mãe e hoje sou mãe, e é impressionante como cada minuto dessa experiência Divina vale a pena independente de qualquer coisa! Um amor que não tem preço, que não depende de cenários especiais ou produções cinematográficas. Eu consigo ser feliz na vida real. Isso sim é luxo. Envelhecer dignamente, sem ver nisso o fim de tudo, é como renovar esperanças a cada despertar, certa de que dias melhores sempre chegam para quem está atento ao que de fato tem valor. O essencial.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Amedeo Modigliani e a descoberta da alma de Jeanne.

Modigliani, como tantos de sua geração marcada por excessos típicos de uma pressa de viver, nunca se encaixou em nenhum estilo; pintava de forma fisiológica, autônoma, sem a aparente preocupação de se incluir em nada catalogável nos salões de arte que frequentou.
As cores bem postas em suas pinturas chegavam sempre antes da forma, de características tão particulares que não seria preciso buscar sua assinatura para reconhecer a autoria.
Seu fim foi trágico, como se William Shakespeare antecipasse em "Romeu e Julieta" o que seria o fim do artista, mas nunca o de sua obra.
Não foi só a tuberculose e o uso abusivo de drogas que o vitimou aos trinta e seis anos. Atrevo-me a dizer que ele morreu de amor. Sua natureza "ítalo-judaica" potencializava o seu Sentir, louco que era por  Jeanne Hébuterne, com quem teve uma filha dois anos antes de sua morte. Há relatos de seu envolvimento com uma bela polonesa (fora outras aventuras afetivas, aparentemente, sem maiores danos), Lunia, com quem chegou a viver por um tempo, enlouquecendo Jeanne, já grávida de sua segunda filha que não chegou a nascer. Segundo Amedeo, "eles não tinham sorte", mas tinham um ao outro, e provavelmente, isso era tudo que possuiam para (tentar) criar a pequena Jeanne (o mesmo nome da mãe).
Os olhos vazados de suas pinturas nos leva a perceber algo de escultura em suas imagens. Olhos vazios, pescoços alongados, geometrismo sem cálculos de quem passeia de forma frenética com o pincél sobre a tela antes que o mundo acabe...e eis que enfim, pouco antes do final(morte), sua mulher é retratada com olhos: segundo se diz, ele enfim enxergara sua alma... para além da retina.
É uma história particularmente emocionante. O filme é  profundamente emocionante, o livro biográfico ainda não li.
Enxergar para além da matéria exige um desprendimento da forma. E quem consegue desprender-se da forma, que sempre chega na frente? Modi, como era carinhosamente chamado, conseguiu. E morreu. Jeanne se matou um dia depois levando no ventre uma filha prestes a nascer. Sentiram além da conta, não digeriram a tragédia que permeava suas vidas. "É possível que, separadamente, tivessem conseguido se salvar e ser mais felizes; e é possível que não, porque os dois traziam dentro de si, cada um a seu modo, o negror.'' [trecho do livro]." Um negror repleto das cores de uma Paris enlouquecida...




fragmento de "A Imagem Invertida", projeto retomado/ Fundo do poço.

Ella(sim, Ella é o nome dela) sentiu algo fofo e úmido em contato com sua pele nua, e um cheiro de mato molhado ardendo em suas narinas. Não sabia exatamente como fora parar ali, e na verdade nem sabia de onde se tratava "ali", tamanho seu medo de abrir os olhos...medo era algo bem familiar, muito mais fácil lidar com esse inimigo íntimo que encarar sabe Deus o quê...
Ao esticar as pernas, também tocou uma superfície irregular e macia, como a que amparava suas costas doloridas. E ainda aquele cheiro úmido e ardido...abriu cautelosamente os braços e percebeu que o que a sustentava tinha paredes circulares e frágeis, como quase tudo em sua vida. Abrir os olhos poderia ser perigoso demais...ao pressionar as laterais, sentiu terra se desprendendo, entrando em  suas unhas. Estaria morta? A propósito, não se dava conta de estar viva há tempos, empurrando um existir espontâneo, fisiológico, sem rumo e nenhuma bússola nas mãos. Talvez algo estivesse prestes a desabar em sua cabeça... quiçá a consciência da grande merda de sua vidinha quase sem razão de ser... O acúmulo de abusos em sua biografia a deixara acostumada as sombras...falava "demais demais", era o que todos diziam, talvez para abafar seus silêncios ruidosos como os de uma guerra. Seu reino terrestre estava repleto de aniquilamentos...ainda que suas "cartilagens" fossem pura resiliência, não raro constatava que estava prestes a explodir em mil partículas e se dissolver no éter...quando pequena, sonhava em se desfazer em infinitas estrelinhas, finas como purpurina, que seriam levadas pelo vento para terras distantes quase sem ser percebida ou interditada, embalada ainda por doces cantigas de ninar daquelas que espantam "Cucas" e pesadelos...também lhe agradava a idéia de mergulhar, feito boba que era, em uma piscina bem funda e cheia de bolinhas de isopor, experimentando as sensações mais loucas e diversas...Ella sempre fora tida mesmo como louca, seria bom poder desfrutar desse "status" de forma lúdica e imbecil...
"Coragem, Ella, coragem!", disse para si mesma em um sussurro. Os olhos cerrados de forma apertada também começavam a lhe infringir dor. A voz mal saia de sua boca, onde predominava um gosto férreo(seria sangue?), talvez tivesse gritado além da conta. Respirou fundo e sentiu que também as costelas padeciam. Onde estaria afinal e como chegara ali? Abriu enfim os olhos assustados e não obteve nenhuma resposta satisfatória ou ao menos alentadora. Aquilo não passava de uma cova profunda, um poço ressequido talvez, e no fundo do poço não havia uma mola, como se costuma dizer...mas em sua superfície havia uma luz e o som de alguns pássaros cantando. Era chegada a hora de escolher...(...) 

Por Claudia Tonelli

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desentupindo a cultura.

Muita porcaria por aí...as vezes, até em minhas postagens identifico bobagens que não fazem a menor diferença...
Para quem quer ler algo REALMENTE BOM, lá vai:
http://www.desentupidorcultural.blogspot.com/

Para quem gosta de verdades sem concessões.

Assédio Moral.

Acontece, fato. Nem estou com muita cabeça para desenvolver o tema, então, lá vai um breve resumo da anatomia do caos: em uma fina loja de presentes especializada em listas de casamento, que não vou citar o nome, comecei um período de experiência que não durou uma semana. Uma gerente, uma vendedora, e eu, a segunda que havia chegado para "engrossar" o time. Artista é assim: tem que ter algo fixo para segurar tempos de vacas magras, a menos que seja rico, o que não é meu caso. Pode até ser que um dia eu fique "imunda de rica", mas não vou entrar no mérito, até porque não sou dada a fazer "fezinhas" na "MEGASENA."
Primeiro dia: Vendi muuuuito!
Segundo dia: Vendi muuuuito!
Terceiro dia: Vendi mais ainda. Sou educada, isso ajuda.
E assim foi...
Ao longo desses dias aturei duas mulheres loucas "achando" que  falavam baixo me rotulando de "Pat falida", "vaca", e até de "lindinha insuportável"...pô, tenho 37 anos, quase 38, e olhando sem esforço, tenho várias imperfeições que me botam direitinho no senso comum. Durante alguns anos, meu manequim ocilou como as estações do ano, e tenho minhas celulitezinhas que não me deixam mentir. Tive um amigo que me chamava de "beep-beep" por conta da minha boca grande, e meu narizinho não fica atrás...como se não bastasse, elas esperavam de mim que eu tivesse de cor mais de dois mil códigos de referência de produtos da rede, como se não houvesse um programa de computador para viabilizasse esse processo...e ainda ter que decorar em três dias a localização de cada taça de cristal do "leste europeu", cada copo " bico de jaca", cada baixela da linha "Riva" e outras firulas do gênero... quando eu estava prestes a fechar uma alta venda de "flores permanentes", o código simplesmente sumiu, reaparecendo em ocasião de beneficiar a outra "profissional"...esse, apenas um entre tantos episódios bizarros.
Fui chamada de lerda. Fui chamada de burra. Fui acusada do crime hediondo de tirar dúvidas acerca de uma venda altamente especializada, riquíssima em detalhes. E mesmo assim, VENDI MUITO.
Hoje, na ausência da gerente, "amiga" da outra vendedora, veladamente fui avisada pela tal vendedora que minha vida ali não seria fácil... que eu era uma mala querendo saber demais. Em três dias ninguém sabe tudo. Nem que eu fosse um gênio, embora eu não duvide da minha capacidade de assimilação. Tentei engolir em seco, mas não consegui. O bate boca culminou em meu desligamento, ao qual não me opus. Amanhã a batata dela também vai assar(leia-se, será desligada), uma pena, pois imagino que a moça também tenha contas para pagar, nem que seja a do cabeleireiro. Ou não, vai saber, nesse mundo onde quem é "fdp" chega longe...de preferência, para bem longe de mim. Não sei engolir sapos grandes, pois pequenos eu engulo todos os dias, faz parte da vida. Ser qualificada, ter diferencial, não é legal quando se está em um lugar do mundo que não foi feito para mim...não sei derrubar ninguém da escada, embora nessa tarde quase tenha desabado sobre uma pilha de cristais...and now, "get over it", pois a corrida do ouro continua. De forma limpa, a forma que conheço. A outra, não quero aprender. No máximo talvez seja útil desenvolver habilidades na deglutição de sapos gigantes...afinal, o mundo está cagando para o quanto posso ser "legal", sou só mais um número, e pronto, ponto.