sexta-feira, 3 de junho de 2011

Assédio Moral.

Acontece, fato. Nem estou com muita cabeça para desenvolver o tema, então, lá vai um breve resumo da anatomia do caos: em uma fina loja de presentes especializada em listas de casamento, que não vou citar o nome, comecei um período de experiência que não durou uma semana. Uma gerente, uma vendedora, e eu, a segunda que havia chegado para "engrossar" o time. Artista é assim: tem que ter algo fixo para segurar tempos de vacas magras, a menos que seja rico, o que não é meu caso. Pode até ser que um dia eu fique "imunda de rica", mas não vou entrar no mérito, até porque não sou dada a fazer "fezinhas" na "MEGASENA."
Primeiro dia: Vendi muuuuito!
Segundo dia: Vendi muuuuito!
Terceiro dia: Vendi mais ainda. Sou educada, isso ajuda.
E assim foi...
Ao longo desses dias aturei duas mulheres loucas "achando" que  falavam baixo me rotulando de "Pat falida", "vaca", e até de "lindinha insuportável"...pô, tenho 37 anos, quase 38, e olhando sem esforço, tenho várias imperfeições que me botam direitinho no senso comum. Durante alguns anos, meu manequim ocilou como as estações do ano, e tenho minhas celulitezinhas que não me deixam mentir. Tive um amigo que me chamava de "beep-beep" por conta da minha boca grande, e meu narizinho não fica atrás...como se não bastasse, elas esperavam de mim que eu tivesse de cor mais de dois mil códigos de referência de produtos da rede, como se não houvesse um programa de computador para viabilizasse esse processo...e ainda ter que decorar em três dias a localização de cada taça de cristal do "leste europeu", cada copo " bico de jaca", cada baixela da linha "Riva" e outras firulas do gênero... quando eu estava prestes a fechar uma alta venda de "flores permanentes", o código simplesmente sumiu, reaparecendo em ocasião de beneficiar a outra "profissional"...esse, apenas um entre tantos episódios bizarros.
Fui chamada de lerda. Fui chamada de burra. Fui acusada do crime hediondo de tirar dúvidas acerca de uma venda altamente especializada, riquíssima em detalhes. E mesmo assim, VENDI MUITO.
Hoje, na ausência da gerente, "amiga" da outra vendedora, veladamente fui avisada pela tal vendedora que minha vida ali não seria fácil... que eu era uma mala querendo saber demais. Em três dias ninguém sabe tudo. Nem que eu fosse um gênio, embora eu não duvide da minha capacidade de assimilação. Tentei engolir em seco, mas não consegui. O bate boca culminou em meu desligamento, ao qual não me opus. Amanhã a batata dela também vai assar(leia-se, será desligada), uma pena, pois imagino que a moça também tenha contas para pagar, nem que seja a do cabeleireiro. Ou não, vai saber, nesse mundo onde quem é "fdp" chega longe...de preferência, para bem longe de mim. Não sei engolir sapos grandes, pois pequenos eu engulo todos os dias, faz parte da vida. Ser qualificada, ter diferencial, não é legal quando se está em um lugar do mundo que não foi feito para mim...não sei derrubar ninguém da escada, embora nessa tarde quase tenha desabado sobre uma pilha de cristais...and now, "get over it", pois a corrida do ouro continua. De forma limpa, a forma que conheço. A outra, não quero aprender. No máximo talvez seja útil desenvolver habilidades na deglutição de sapos gigantes...afinal, o mundo está cagando para o quanto posso ser "legal", sou só mais um número, e pronto, ponto.

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