quinta-feira, 9 de junho de 2011

Envelhecer.

Tenho 37, quase 38 anos, e não sou um grande exemplo de coisa alguma digna de nota na sociedade em que vivemos. Passei a maior fatia da minha existência produtiva escrevendo para que outros assinassem, de trabalhinhos acadêmicos(sei que isso não é bonito...) a colunas de pessoas respeitáveis. O tempo avança sem pedir licença, e vejo parte de minha caminhada marcada por adiamentos que não dependem só de mim, e que também  não me causam mais desespero. Entretanto, consegui coisas que vão além da cultura do "é mais quem tem mais", e isso faz com que minha vida siga valendo a pena.
Vejo minhas paredes envelhecendo junto comigo. Vejo meus móveis envelhecendo junto comigo. Vejo fotos de família que dificilmente se renovam(com exceção das minhas e dos que vieram depois de mim) ficando amarelas, craqueladas, junto comigo...meu lustre dourado(um mimo de família) escurece dia a dia...é pesado, e lindo, e tenho medo de quebra-lo.E na contramão disso tudo, admito que nunca estive tão bem...nunca cuidei tão bem de mim...admito que ando me achando bem mais bonita. As paredes e móveis podem esperar, eu não. Minha poltrona vermelha em frangalhos pode esperar, eu não. Minha filha repleta de sonhos não pode esperar, ela sente e deseja coisas, que se danem as indumentárias! Cuidarei disso quando o caprichoso Tempo/Dinheiro permitir. Ontem namorei uma pequena estante de 380 pratas, claro que tenho meus pequenos sonhos de consumo, mas também ela pode esperar...isso não me impede de ler os livros que se multiplicam em cada canto da minha casinha. Isso não me impede de ter esperança em dias melhores...eu tenho perspectivas concretas de achar um canto bem gostosinho ao sol...por enquanto, minha adorável janela em forma de arco no subúrbio carioca emoldura sonhos secretos, guardando o que realmente me importa...minha filha, meus momentos felizes ao lado do homem que eu amo( o melhor namorado do mundo!), a presença deliciosa de amigos que ficam felizes só de me ver, o apoio de minha super amiga Carina que sempre esteve ao meu lado nos momentos mais dramáticos, entre carinhos e turras, minha história que é só minha, repleta de momentos que não trocaria por ouro nenhum nesse mundo. Eu sei onde quero chegar, e caminho nessa direção. Hoje aprendi que revelar sonhos é muito perigoso: para cada um que torce por você, dez estão na primeira fileira aguardando o próximo tombo. Faz parte da precária condição humana. E não quero destilar nenhum tipo de rancor, só me interessa mesmo cuidar da minha vida e zelar pelo meu bem mais precioso: minha Letícia, minha alegria, minha filha amada que de tão amada sinto como se fosse só minha...e na prática, é mesmo...estamos juntas com ou sem pai. Eu optei pela maternidade em tempos de inocência, e assumo isso sem dó de mim mesma. Eu quis ser mãe e hoje sou mãe, e é impressionante como cada minuto dessa experiência Divina vale a pena independente de qualquer coisa! Um amor que não tem preço, que não depende de cenários especiais ou produções cinematográficas. Eu consigo ser feliz na vida real. Isso sim é luxo. Envelhecer dignamente, sem ver nisso o fim de tudo, é como renovar esperanças a cada despertar, certa de que dias melhores sempre chegam para quem está atento ao que de fato tem valor. O essencial.

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