quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Excessiva/Egotrip.

Todo mundo excede em algo, para mais( o que é mais óbvio) ou para menos (já que menos também pode ser além da conta, e igualmente, uma grande chatice), e cada um sabe a melhor forma de transitar pela própria existência.
Eu, segundo olhares de fora, e as vezes dou o braço a torcer(como agora), vivo a me transbordar de mim mesma. Sou demais, e não falo no bom(?) sentido da palavra. e também não falo no mau, apenas é o que é.
Sei que não sou uma criatura mal educada, mas vivo em carne viva...deve ser porque estou viva. Tudo, ou quase tudo em mim é fácil detectar: alegria, tristeza, euforia, medo, indignação, raiva, comoção, constrangimento, e por aí vai...quase tudo em mim é visível a olho nu. Há quem diga que é um tiro no pé. Que tenho que ser mais "na minha" (eu sou "na minha", não vivo nenhuma vida que não seja a minha). Quando amo, amo demais. Quando detesto...um horror. A única ponderação que aprendi, por ter custo/benefício incontestável, foi com a tal da gula. De resto...vou vendo.
Lembro-me que aos nove anos, em Uberaba, em uma rua onde umas trinta crianças se conheciam e brincavam na rua até altas horas, não raro, eu dava o tom das brincadeiras. Fosse uma partida de queimado ou uma escalada arriscada em telhados para resgatar uma pipa sem cerol...sempre tive medo de me cortar, e meus amiguinhos também. Era comum escolher as campainhas que tocávamos para sair correndo em disparada. E pedalar pelas ruas do bairro em bando. Ai, que saudade da minha Ceci dourada...pois é, as meninas todas tinham bikes cor-de-rosa, eu quis uma dourada. Seria um prenúncio da minha vocação para o "excesso"? Também gostava de produzir e atuar em peças infantis montadas na garagem com direito a público, que recebia pirulito de gelatina feito pela mãe de uma amiguinha muito especial. Uma vez montamos Romeu e Julieta, sem final triste, versão pueril. Fui a Julieta, e aos nove anos tive a cara de pau de mexer no roteiro. Outro prenúncio?Vai aqui um desabafo no qual não pretendo me prolongar: ando de saco cheio de prejulgamentos. E aqui encerro esse desabafo sobre o meu saco a ponto de explodir, combinado, vamos em frente. Todo mundo tem o inalienável direito de pensar e achar o que bem entende, desde que não atirem pedras ou causem danos. Ai, não sei se sou capaz de não me prolongar, afinal, eu sou aquela que excede, né? Tem gente que me evita no primeiro olhar. Outros me adoram no primeiro olhar. Outros tem medo até de chegar perto. Ok, não sabem o que perdem...rs...ou do que se poupam...tem gente que se poupa do próprio Viver. Eu não sei poupar quase nada, no máximo grana, por uma questão de sobrevivência. E poupar não seria a palavra, mas usar com toda a moderação possível, afinal, só se poupa o que se sobra. E isso, ultimamente, está longe de sobrar...eita vida de altos e baixos...uma roda.
Tenho uma irmã que me diz que tenho tantos talentos que vai levar tempo para saber administra-los. Gosto de acreditar nisso, pelo menos na parte em que ela fala dos talentos...e tenho um pai que acha que eu deveria "disfarçar" mais "meu jeito" para me poupar de recalques alheios. Palavras dele. Disfarçar o quê? Quem eu sou? Sorrir menos largo? verter menos lágrimas ao chorar? Ser rasa na exposição do que penso? Ter uma "figura" que apareça menos, tentar ser invisível? Acho a preocupação do papai uma fofura, mas tem coisa que simplesmente não dá. E tem coisa que dá. Hoje, em minha casa, só bota o pé quem eu amo e quem me respeita. Nada de "happenings" para jogar conversa fora sabendo que no dia seguinte a pauta vai ser a reforma inacabada do meu banheiro ou o caos de livros espalhados por toda a casa. Já gostei de reunir amigos, até descobrir que quase ninguém é amigo, portanto, não gosto mais. Aqui, agora, para entrar, tem que ser alguém muito amado.
Eu nem sei onde quero chegar com essa prosa, mas sei que não vou editar minha alma. O mundo não tem que me engolir, fica perto quem quer. E sigo sendo o que ou, e aprimorando aquilo que julgo necessário; e ouvindo apenas o que me interessa, ou melhor, a quem me interessa, sobretudo, aqueles a quem verdadeiramente amo(e vice-versa) e que verdadeiramente se importam comigo. Nunca serei aquela da voz suave e discreta...dizem também que minha voz é de longo alcance, só não preciso "gritar". E que minha tpm é foda. Isso sim me interessa muito mudar. E me ocupar mais da grande alegria que é estar viva. Teve momentos em minha vida que cheguei a acreditar que sucumbiria. Mas estou aqui...com uma filha para amar, dividir, entre tantas outras dádivas que, porque eu quero, e somente porque eu quero, é melhor nem falar...Ou pelo menos, tentar falar bem baixinho...a quem só interessar saber...
Confesso: hoje acordei meio triste, mas sei que vai passar...sempre passa, e o sorriso é devolvido ao meus lábios...

2 comentários:

  1. Bela infância...Também curto ser um pleonasmo viciante ambulante, o que resulta algumas complicações por vezes, mas penso ser a melhor forma de se viver.

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