domingo, 3 de julho de 2011

Palavras não voltam.

Alguém disse que palavras são como flechas: uma vez ditas, não fazem o caminho de volta. Crava em seu alvo, e ainda que feche a ferida, a cicatriz sempre estará lá. Por quê as vezes falamos sem pensar? Tem hora que a língua domina a mente e o bom senso. Não há remédio que cure completamente uma palavra mal colocada. Ainda que a culpa se dissipe, permanece a responsabilidade.

Isso serve para o que falamos e também para o que ouvimos...vivemos em um mundo refém de palavras, meio "civilizado" de comunicação, onde nem sempre conseguimos achar o tom. Magoamos quem amamos por pura intolerância, revidamos bobagens sem considerar o sistema de crenças do interlocutor, na maior parte do tempo por coisas tão pequenas...e as marcas de flechas vão se multiplicando, e fechando em seu tempo, muitas vezes um tempo com peso secular...e também se multiplicam as cicatrizes impressas na alma que vão contando histórias de alegria e dor...afinal, as belas palavras que proferimos, e com a qual somos presenteados, também deixam marcas que fazem nossa caminhada valer a pena.

Quando criança, eu gostava de imaginar que palavras são feitas de açúcar quando bonitas, e isso é verdade. Tem palavra que eu achava bonita apenas pela sonoridade, ainda que eu não alcançasse seu sentido pleno, como por exemplo, "compaixão". Hoje sei porque a achava (e ainda acho) tão bonita, o mundo carece de compaixão, todos, em maior ou menor grau, carece de compaixão.

Gostaria de saber respirar mais e melhor, e não tem nada a ver com ser asmática ou não...assim como digo palavras bonitas, eu que amo tudo que é belo e remete ao amor pelo meu semelhante, sou capaz de derrubar muros e trancar portas quando tomada de ira, esse maldito pecado capital com jeito de pecado mortal...que isso seja entendido como metáfora, posto que não sou terrorista, apenas "demasiadamente humana", o que muitas vezes, é uma danação.

Se as palavras não voltam, e isso é fato, espero ao menos que sempre existam novas chances para novas palavras (sempre seremos feitos de erros e acertos), daquelas feitas com açúcar União, restabelecendo afetos que sempre estiveram ali, suspensos no ar por ditos mal postos... Aquele açúcar dos doces de compota com gosto de infância e pureza. Acho que o mundo, e cada um de nós, merece isso. Eu que ando tristinha ao me dar conta que passei grande parte da minha vida pensando em voz alta quase o tempo todo...e distribuindo marcas de todos os tipos...e recebendo também.

Se eu quero doçura, que comece sempre por mim, pois minha vida é a única que posso conduzir da forma que bem entendo...não serei perfeita, ainda lançarei flechas ao léu como qualquer pessoa. Mas vou aprender a respirar. Vou me dar amor. Vou cuidar de mim...

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