segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ser inteiro (nós que não somos metade de nada).



Eu, e grande parte das pessoas, sobretudo mulheres, fomos criados para acreditar que temos que existir aos pares. Hoje questiono um pouco isso...claro que amar é bom, mas se amar antes de tudo é melhor ainda. D'us, que sabe de todas as coisas que nunca vamos saber, já nos deu pares de coisas para seguirmos vida à fora. Nos deu dois olhos para enxergar, dois ouvidos para ouvir, dois braços para realizar trabalhos e sonhos, duas pernas para nos levar onde bem queiramos, dois rins para filtrar impurezas, dois seios para nutrir rebentos (no caso das mulheres, claro) e outros prazeres, dois pulmões para respirar tanto ar quanto possível, dois ovários para procriar, e certamente a lista não pára aí...e é um plano tão perfeito que na falta de um, há o outro para nos manter vivos ou até salvar uma vida. Somos inteiros, com pares ou não. E penso naqueles que, desprovidos da plena faculdade das funções corpóreas, caminham como podem com um sorriso no rosto...pintores amputados que pintam com os pés ou com a boca..."Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante", disparou ainda o compositor Johannes Brahms sobre a nona sinfonia de Beethoven, ele, o gênio subtraído do sentido da audição...a história está repleta de exemplos como esse, seja de grandes nomes ou de pessoas cuja luta não foi registrada. 


Mesmo amputados, metaforicamente ou não, temos a divina capacidade da inteireza, da reconstrução, da redescoberta, da transmutação...temos a pulsão de vida em nosso favor. E D'us, tão perfeito, nos deu um só coração...que de tanta capacidade de sentir, irrigar, fazer circular sangue...nos explodiria na primeira emoção sentida se viesse duplicado! Um coração vale por mil, tanta coisa que se guarda, se sente, se experimenta...não resisto em citar a bailarina Mickaella Dantas, que com uma só perna, dança com a doçura de uma fada e, aparentemente, desconhece a auto piedade. Uma linda mulher. Inteira, inteirinha...inteirissima na vida que escolheu para si. Nada a deteve. Nada a paralisa. Nem a tristeza profunda, necessariamente, pode deter uma alma criativa...as vezes vira até combustível...vale lembrar que esterco faz bem às plantas...tudo tem um propósito...tudo pode ser adubo.


Quero ser inteira, independente de ter alguém ao meu lado ou não...sempre fui minha companhia mais presente, nunca descobri (ainda bem!) um jeito de fugir de mim. Então, que eu seja sempre minha melhor parceira nessa trilha, sobre campos floridos ou brasas ardentes! Que nada me detenha. Que a solidão não me detenha. Que o medo não me detenha. Que a dor não me detenha. Sou boa em sobreviver, quero VIDA!...choro litros e rego minha plantinha, e ela sempre brota mostrando que nascemos de novo a cada amanhecer.


Quero me levar para passear. Me levar ao cinema. Me vestir com minhas cores mais belas. Ouvir minhas músicas prediletas. Me dar amor, me fazer carinho, me abraçar, amar o que encontro no espelho, cuidar do corpo e da mente...porque sei que valho a pena, em primeiro lugar, para mim. Isso poderia valer para todos que se sentem sobrecarregados demais. Saibam que a estrada não tem fim...o mundo é redondo. Não despencaremos ao fim de um caminho de um angulo de noventa graus, a menos que a gente desista. Desistir não vale a pena. Não estamos no mundo a passeio. Ninguém está. Minha alma chama por mim, e eu, abençoada por todos os sentidos, não me farei surda à esse chamado...


Um beijo a todos. Um beijo em minha face. Todos merecem. Eu mereço.



9 comentários:

  1. muito bonito o seu texto. e verdadeiro tbm.

    bom é quando o outro acrescenta, quando não é necessário, apenas bem vindo, isso me soa leve =)

    "nunca descobri (ainda bem!) um jeito de fugir de mim."

    nem eu =)

    ResponderExcluir
  2. Essa é a grande graça...assim, nunca estamos sozinhos!

    ResponderExcluir
  3. Muito bom - e oportuno - seu texto, garota. Paaaraaabéns!
    Beijão!

    ResponderExcluir
  4. "Quero ser inteira, independente de ter alguém ao meu lado ou não...".Esta frase resume o seu belíssimo texto.Quer saber? Se a gente não gosta da nossa própria companhia, quem gostará?
    Nos levaram a acreditar na "nossa outra metade", "no príncipe encantado" que viria nos completar ( ??????completar no que?????Não preciso de príncipe nenhum, sou completa, pago minhas contas desde 22 anos, tenho minha vida, meus amigos, minha cadelinha Mel....).
    A nova geração de mulheres independentes escolhem "seus príncipes", e só os namoram, casam com eles, por opção, se realmente quiserem, acabou aquela necessidade de estar por comodidade....Ainda bem!!!!!
    Diante disso tudo , façamos um brinde a NÓS MESMAS ( LECHAIM....)

    ResponderExcluir
  5. LECHAIM....!
    Obrigada a todos pelo carinho!

    ResponderExcluir
  6. Oi Claudinha!
    Muito bom o conteúdo do seu blog, parabéns!
    bjos,

    Anna Gué

    ResponderExcluir
  7. lindo, lindo, lindo claudinha! inspirador, seu texto! vc combina muito bem idéias com palavras. e, bem, pensando em mim... ah,sou quase inteira, quase feliz sem sexo.


    besos
    Denise Saltarelli

    ResponderExcluir
  8. Amiga, você decifrou o necessário. Não se une, de fato, pessoas fragmentadas, a complementação se dá entre duas pessoas inteiras, ou uma sempre estará fadada a ser apêndice. E quando são duas metades, tanto pior, apêndices de nada. Belas formas, menina! Bjks.

    ResponderExcluir