segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Imagine Mais...



Quem é ela? Será que ela é de família? Será que ela escreve mesmo, será que é uma puta "destrajada" a fazer barulho por nada? Será ela uma grande maquiadora? Será ela uma boa mãe? Será que bota a filha pra vender bala no sinal? Quem é ela afinal? Quem dá mais? Quem dá menos? Quem é essa criatura a tomar seu tempo em linhas que possivelmente não mudarão em nada suas vidas?

Pois é...a humanidade adora lucubrar sobre o alheio e emitir sentenças em um primeiro olhar...e como já disse antes a autora desse "testículo" (corruptela infame de texto) que vos fala, esse primeiro olhar dificilmente atinge o olhar do interlocutor...o mundo está repleto de estímulos visuais, para quê prestar atenção em detalhes? Imagine mais, é mais fácil.

Vemos uma pessoa mal vestida na rua e o primeiro pensamento: "Coitada, ou não tem noção ou é pobre de dar dó." Vai ver a criatura é "imunda de rica" e apenas se protege da violência óbvia que nos rodeia...em um segundo momento, uma menina cheirando a perfume francês, embalada em grifes e cheiro de chiclete da loja "Jelly" (as Melissas, lembram?) nos pés e cabelos recém saídos do coiffeur, "Phina de doer nos olhos" nos passa a sensação de tranquilidade e paz dos que não conhecem nenhum tipo de privação material...de repente a Tal se endivida pra morar num cubículo de merda no metro quadrado mais caro do Leblon, essa sim "pobre de dar dó" e todo mundo achando a tal uma mocinha pra lá de bem posta na vida que mostra ter...tudo em nome de uma sociedade do "somos o que parecemos ser"...acho tudo isso uma grande bosta, eu que prometi evitar falar em primeira pessoa, mas quem disse que aguento tamanha isenção por muito tempo? Vamos imaginar, galera! Conhecer dá muito trabalho. Para quê visitar um amigo em tempos de facebook? Para que assar uma fornada de pães de queijo, coar um café e estabelecer um contato real? Para quê? O mundo corre demais...se deixar, passamos mais tempo na frente de um monitor do que contando histórias para um filho...e não estou me excluindo desse senso comum alienante, eu mesma coleciono saudades de pessoas importantes em minha história que vou sanando precariamente através de um comentário na rede social ou emails, ou chats (odeeeio chats, ainda prefiro o telefone), a única coisa que me recuso é limitar meu conhecimento do outro ao que imagino...pois sei que minha imaginação é fértil demais, as vezes bem sórdida, sou capaz de julgar e sentenciar e condenar e banir da minha vida tudo que me cheire mal...e vai ver nem tem nada de tão podre no ar, todo mundo já teve chulé um dia...pois eu não boto mais minha vida real nas mãos da minha imaginação. Isso já me custou caro e me afastou de gente que eu amava. Enfim...hoje alguém me questionou minha condição materna por conta de uma foto supostamente sexy e bacana que postei em minha página da tal rede social, acontece né? Mãe tem que passar uma imagem de "Santa" (olha "Eu" em primeira pessoa de novo, vamos em frente, não consigo evitar ao tocar nesse assunto...)...mãe não sofre, mãe não sente raiva, mãe não faz cocô, mãe não tira a roupa, mãe não goza e nem chora...a não ser que seja a Adriane Galisteu, aí pode...e nada contra, mas ninguém vai chamar de puta uma mulher com a vida aparentemente ganha. Houve uma época em que frequentei amiúde um evento literário. Às vezes levava comigo minha filha, e tempos depois "rumores" deram conta de que eu provavelmente era uma desesperada querendo um otário na minha vida e um pai suplente para a pequena! E eu lá, querendo mostrar minha humilde escrita...ah, o típico clima das intrigas românticas dos saraus que permeiam a história de todos os tempos... Hahahahhahaha! Só rindo mesmo. Vamos usar a imaginação: Tenho lá cara de mal amada? Tenho lá cara de quem precisa implorar para ser percebida? Aparentemente não, mas vamos deixar a imaginação trabalhar...Dá menos trabalho. E agora, mais uma foto a suscitar que me exponho demais...muito melhor que expor o rabo alheio. Aqui me desnudo de todo medo, pois realmente não muda minha vida ser "Santa" ou "Puta" à olhos apressados e incautos. Gosto de quem sou numa justa medida para não me afogar em meu ego, mas, me conhecer mesmo, só quem já no mínimo pôde tomar um café coado por mim e viu lágrimas brotarem de minha boca e gargalhadas saltarem de meus olhos...e mais...nem para minha família tenho reputação à zelar a essa altura da vida... estou muito velha para bom-mocismo, outra coisa que me nauseia...

Vamos imaginar mais e mais...talvez eu seja só uma ególatra carente querendo ser vista, talvez não...a imaginação pode ser uma coisa boa, sem ela eu não escreveria histórias...mas enfim...todo mundo encerra em si uma ilha. Boa noite...hora de me livrar de tantas vestes e máscaras, e nua de todo pensar pré-concebido, dormir como criança o sono dos que seguem em relativa paz...desejando a todos sonhos repletos de imaginação e cor...


Foto: Alan Sommer

15 comentários:

  1. Claudinha, este texto é você, só que numa forma diferente de dizer a outra pessoa: " Prazer, me chamo Cláudia, td bem?".Como a foto que ilustra o "testículo" ( em suas palavras), vc se desnuda para os leitores de maneira a se tornar impossível não falar em 1ª pessoa......Pessoas transparentes, assim como você e eu sofremos muito diante deste mundo de gente "mascarada", de gente falsa, que quer aparentar ser feliz 24 horas por dia, e ficam com aquela cara ( me referindo às mulheres) de "acabei de ser comida" o tempo inteiro, saca?Isso me nauseia também....
    Eu, felizmente ou infelizmente, estou tentando escrever menos e ler mais na dita cuja rede social, já fui tão mal falada por causa que me exponho pra caramba, que não tenho mais forças pra lutar contra isso. Espero ter forças pra seguir em frente e conseguir continuar em tal rede social, no momento, o que me passa pela cabeça é SAIR DE LÁ, ME LIBERTAR desta espécie de reality show mórbido da vida!
    Bem, acho que falei demais...Vc sabe que pode contar comigo ( e aquele chato episódio que ocorreu no RJ foi um exemplo do quanto eu sou transparente e do quanto posso ser desagradável), mas acho que já está tudo certo!
    beijocas,
    Gisa

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  2. Gi,minha queridona!!! Você sempre me emociona, viu???

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  3. Claudia, às vezes só é preciso mudar de sintonia. Sei que as pessoas podem ser exatamente assim como você as descreveu, mas o que são as pessoas senão o seu olhar sobre elas?
    De repente é só mudar o olhar e 'pluft!', as pessoas mudam.
    Eu nunca me importei com o que alguém pensasse sobre mim, e quando resolvi ficar grávida também caguei para a "imagem de mãe" que me cobravam, nunca deixei de ser alguma coisa para ser mãe. Apenas me acrescentou mais um ponto de vista, que eu uso de vez em quando.
    É que nem televisão, se você não gosta do que está vendo, mude de canal.
    Junto dos nossos amigos o mundo às vezes pode parecer um sonho de tão bom!

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  4. Cara, achei FODA o seu pensamento, porque hoje estava lendo exatamente isso. Comprei o livro A Cultura da Participação, onde o autor critica o fator embriagante e alienante da sociedade. Ele fala que na Inglaterra do século XVIII o povo embriagava-se de gim. Durante o século XX, nosso Gim foi a televisão e, por fim, hoje temos a internet. A sociedade do espetáculo, a sociedade em que nada mais se pode ser...a sociedade em que todos fingem ser algo: fingem ser felizes, fingem ser amados, fingem ser pessoas. É triste, é preocupante. Vivemos num mundo em que as pessoas autênticas são taxadas de loucas...e a tendência é só piorar cada vez mais. Beleza tem padrão, amor tem padrão, estilo tem padrão. Onde está o apoio ao ser? Quem realmente é? Quem pode julgá-la por você tirar uma foto nua, sem vulgaridade? As pessoas são assim, hipócritas...e isso me entristece muito.

    Depois dá uma olhada no meu blog: livialambletcosta.blogspot.com
    Nele, eu tento tirar de mim a dor do mundo que me consome...porque me dói demais viver num mundo em que não se pode ser.

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  5. Obrigada, Isa, pela sua atenção delicada! Sim, pode mesmo parecer um sonho bom! E a imaginação é uma coisa boa quando não está a serviço de alguma forma de preconceito. E é esse "canal" que estou querendo mudar,"ateando fogo às vestes" ou não! Valeu, Isa! Sensível e inteligente você. Gosto de você.

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  6. Lívia, obrigada! Vou olhar agora! Que bom que gostou, vamos trocar figurinhas e impressões! Bj!

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  7. A hipocrisia, Lívia, vem de onde a gente menos espera, não?

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  8. Que ótimo Claudia! Não posso dizer que 100% naoligo para o que as pessoas pensam, mas talvez uns 80%.. ainda chego lá, mesmo porque, independente do que a gente faça, as pessoas vão sempre pensar o que elas querem. Nada é mais libertador do que a gente ser o que a gente é. Viver a vida que se acredita. Se gostarem ou não, se entenderem ou não, isto já é problema de cada um. Muitos beijos!

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  9. Chegaremos todos lá :) Seja onde for esse lá, quem sabe um lugar onde não precisemos de escudos, ou pelo menos não o tempo inteiro? Bacio, Gus!

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  10. Você escreve,e se desnuda tanto através da sua escrita que na foto parece estar vestida...
    te amo minha eterna Nelson Rodrigues de saias BRAVO !!!!

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  11. No Caminho...sempre tenho você ao meu lado, amiga amada das múltiplas sensibilidades!

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  12. Adorei o texto! Principalmente o final: "Boa noite...hora de me livrar de tantas vestes e máscaras, e nua de todo pensar pré-concebido, dormir como criança o sono dos que seguem em relativa paz..."
    Excelente!
    bjss
    edu mello

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  13. Uiiii!!!!! Andaram te envenenando de novo, foi??? Claudita, tu é foda, escreve bem pra caralho e tem a filha mais linda, inteligente e educada do mundo!!! Em outras palavras, é uma puta sim! Uma puta mae e uma puta amiga!!!! Te amo!!!!!

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