sábado, 6 de agosto de 2011

Meretriz por um triz...


Então foi assim...eles se adoraram e se amaram e tudo o mais por quase dois anos, até que o namoro propriamente dito foi para o ralo, acontece...mas ainda se adoravam, o que também acontece. Sobretudo, havia uma afinidade sexual "de outro mundo" que impedia o afastamento pleno dos dois. E carinho também. Ela fazia tudo para parecer sexy aos olhos do amado que não era mais seu namorado...não era difícil, era bem bonita. Manu sempre foi bem bonita. E Cadu sempre gostou de tudo que é belo, tinha os olhos de um esteta...era músico, vivia cercado de belas mulheres que parecem ter um certo fetiche por esse tipo de artista. Manu morria de ciúmes. Um dia, Manu virou para ele e disparou: "Cadu, quero brincar de ser puta.", "Como assim, Manu?", "É isso, Cadu, quero brincar de ser puta...aí eu te escolho, já que brincando eu posso escolher, e você me leva , vai, quero brincar de ser puta! Você me leva em um lugar cheio de 'meninas', eu circulo, dou um mole para uns caras e aí você me leva mesmo, hein!?"

Cadu ficou tenso. Como a maioria dos homens de todos os tempos, claro que ele adorava uma "sacanagenzinha mais hard", mas ela tinha sido sua namorada...ainda morria de tesão por ela, era estranha a ideia de outros caras babando, e também muito excitante... Estavam tomando um suco de laranja no Centro do Rio enquanto Manu tentava convencê-lo entre um gole e outro.

"Olha, Cadu, a gente é adulto, você pode encarar isso como uma brincadeira de gente grande..."

"Manu, você é tarada?"

"Sou. Sou tarada por você."

"Claro...tarada por mim."

"É. Tarada por você. Se for pra brincar, tem que ser com você, bobão!"

"E se eu não quiser? Daqui a pouco vai estar brincando disso com outro..."

"Claro que não. Não quero estragar o clima nem azedar o suco, mas desde que não somos namorados, só sigo pensando em você...e não sou uma mulher jogada fora, detonada...é uma opção. Acho que nem é uma opção, você sabe que eu te adoro. E adoro seu pau e todo o resto..."

"Manu, fala baixo! Tá todo mundo ouvindo!"

"Cadu, as pessoas têm mais com que se preocupar. Não somos importantes para o mundo desse jeito...esse seu superego vai acabar te deixando doente..."

"Tá, Manu! Quer ser puta? Puta por um dia? Vai dar pra outro? Vai chupar o pau de outro?", se exaltou ele num sussurro.

"Não. Vou me exibir, andar pra lá e pra cá, deixar que os caras pensem que podem me levar...depois eu vou com você."

"E se alguém te oferecer uma grana alta?"

"Foda-se. Eu não quero grana alta. Não assim. Não sou uma puta profissional, sou sua..."

"Sei...tá, Manu. Amanhã...conheço um lugar na Zona Sul...já enchi a cara de cerveja por lá, com uns amigos..."

"Tá...tá bom...mas você me leva. Não vou chegar toda produzida sozinha."

"Quer brincar, faz direito. Posso te acompanhar uns passos atrás de você."

"Ok. Agora deixa eu ir, Cadu. Amanhã? Nove da noite? Deixa eu ir que essa hora o trem vai lotado pro meu bairro..."

"Tá, Manu...olha lá hein?"

"Olha você. Você vai amar.", dito isso, deixou três pratas do suco na mesa, deu um beijinho no cara que ainda amava além da imaginação e foi...cheia de grandes ideias.

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Já dentro do táxi, Manu ligou para Cadu. Não dava pra pegar um ônibus com aquelas roupinhas...estava bem bonita, talvez não para um almoço em família...usava um espartilho de bom gosto, presente que uma amiga trouxe de uma temporada em Nova York. Outros pequenos detalhes faziam a diferença, a maquiagem com a boca vermelha marcada, o cabelo "a la garçon"...Parecia uma pin-up saída de uma folhinha.

"Cadu, estou chegando, passo na porta da sua casa e você diz o destino final pro motorista, tá?"

"Tá. Acho que você vai amarelar, vai ter muito cara querendo te comer."

"Vou não. Você vai me comer. Estou chegando." De tão excitada, quase se masturbou dentro do táxi.

Quando chegou na porta de seu querido, ele já esperava. Entrou rapidamente e deu o endereço. Um endereço relativamente sofisticado, onde muitas das meninas deixavam o benefício da dúvida. Ao saltarem do carro, ela foi caminhando na frente, toda rebolativa. Chegou a ser abordada por um carro, mas a ideia não era essa. Não queria brincar no meio da rua. Ele se sentou no balcão do pub enquanto ela circulava na área externa. Rapidamente foi sendo abordada por várias nacionalidades...as meninas a receberam bem, Manu era educada, delicada até. Trocou figurinhas, disse que estava começando, recebeu algumas dicas...enfim, estava convincente em seu papel. Um austríaco de inglês sofrível chegou a oferecer quatro mil por uma gangbang...ela discretamente perguntou o que era isso para uma das garotas, e ficou meio passada, disse pro cara que tinha um programa agendado, e quando voltasse, combinaria melhor...saiu pela tangente, queria emoção, mas isso não a emocionava nem um pouco...de vez em quando buscava Cadu com os olhos, que vestindo um gorro preto chegava a ter cara de mau. Ele ria de tudo, enquanto tomava uma vodka. Ela tomou duas ou três coca-colas, nas quais investiu doze Reais. Se tivesse aceito todas as propostas, estaria com a vida ganha por um mês...dependendo do ponto de vista. Chegou a ter simpatia pela maioria das meninas, umas muito novas, uma vontade louca de perguntar: "Guria, que tal estudar? Que tal um emprego de vendedora em uma boutique bacana?"  Mas enfim, ela não estava ali como assistente social. E não queria arrumar problemas. Ao perguntarem seu nome, respondia ser Marina. Marina era um nome legal e bonito.
A certo ponto, já estava morta de frio...chegou discretamente para seu "anjo protetor" e disse bem baixinho:

"Cansei dessa parte da brincadeira. Me leva."

"Ah, brinca mais um pouco"

"Já estou aqui há uma hora"

"Vi que recebeu boas propostas", rebateu Cadu entre brincalhão e irônico.

"Te faço desconto, já que é pra brincar...tudo que você desejar por doze Reais...meu gasto com refrigerantes..."

Ele lhe deu um beijo no pescoço e a levou dali. Ela não ganhou milhares de reais, mas por doze experimentou todos os prazeres em uma só noite...para ela, em Cadu estavam todos os homens dessa vida...não precisava conhecer mais nada. Ok, não eram mais namorados...mas com amantes...bom, todo mundo deve imaginar...

2 comentários:

  1. Fiquei pensando se ela ao invés de coca-cola pura tivesse colocado algum aditivo menos romântico e, ele, reeditando o panóptico de ver sem ser visto, reverteria o jogo para deixá-la realmente aflita a ponto de perguntar-se: "ele virá?", "e se ele não vier, o que farei?". Esticar o máximo a linha e ver o romantismo dar lugar a experimentações de medo para ver o que realmente é excitação.

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  2. Admito que cheguei a pensar nessa abordagem...esse foi um texto "rápido demais" diante de suas possibilidades! Bj! Venha sempre ;)

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