sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tá montada na grana ou é a grana que monta em você?



Sim, vivemos em um país movido a grana, somos reféns dela pra tudo, principalmente quando não a temos em uma justa medida...

Queremos comer bem e vice-versa, de alimentos a cultura. Queremos nos vestir bem, ir ao cinema nos sábados (dia mais caro na bilheteria), comer hortaliças, frutas e leguminosas sem defensivos (eufemismo para VENENO!), calçar os mais belos sapatos(belos sapatos me fazem chorar...), planejar uma viagem à Europa (eu quero!), ouvir boa música, criar nossos filhos com o que há de melhor...queremos ainda ser tão lindas e lindos quanto nossos pais diziam, e também isso requer algum investimento. E bota "algum" nisso. Queremos ainda poder comprar todos os livros que nos enchem os olhos, comer sushi quando der na telha, torrar grana de modo irresponsável vez por outra na famosa terapia do "shopping center"...gente, alguém aí consegue comprar um reles jeans por menos de cem pratas? Pelo menos um "reles digno" ? Foda. Queremos não estar nas mãos do SUS quando ficamos doentes, queremos um psicanalista de plantão para nos guiar nos descaminhos da alma, queremos ser reconhecidos pela tal  "meritocracia" em um país de Q. I's...


Vejam só: Claudinha, "uma mocinha lá não tão mocinha", toda prendadinha: Lava, passa, cozinha, cuida da filhinha com amor, escreve legal e ganha uns trocos deixando outros assinarem no melhor estilo "Pluft- o Fantasminha Camarada" (mais camarada ainda quando a grana do job bate na conta), desenha super bem, faz croquis de primeira, e ainda deu de vender palha italiana, a tal evolução crocante do brigadeirinho...como não bastasse, é uma super maquiadora...será esse o problema? De tantos imodestos talentos, mal sabe administra-los? Nem vou me estender demais nesse nesse post...outro dia, Claudinha (sim, estou falando de mim, não me importo em falar do meu próprio rabo) escreveu para alguém de sua família que está muito bem inserida na área de comunicação (Bravo! Ela fez por onde, justiça seja feita) pedindo que seu material de umas simulações de campanha fosse analisado pelo namorado da mesma (nobre redator publicitário na corrida do ouro, claramente indisposto a dividir informações relevantes), embora eu não duvide de sua qualidade. O moço deu a entender que meu texto é muito denso, que tenho perfil para institucionais por falar demais...quanta asneira, me perdoe...quem disse que uma campanha institucional fala demais? aff. 
Aqui no blog falo demais mesmo, entra quem quer, e todos são bem vindos. E agora ando mostrando demais. A cara e todo o resto que é meu, não tenho que pagar direitos autorais nem pra minha mãe...nada mais nosso do que a gente mesmo...

Gosto mais do que o dinheiro pode fazer do que dele em si. Relações de poder me deixam cansada. Fato é que uma "fotinho" ou outra tem ajudado a ser mais lida e mais ouvida, já me chamaram de puta por isso. Caguei. O mais legal é que se a "fotinho" ajuda a ter algum acesso, pelo menos tenho certeza de que essa "casinha virtual" não é um apartamento sem mobília, muito menos sem alma. Ser "jeitosinha" ajuda, então, "why not"? Deixemos as hipocrisias de lado. Continuem lendo, vamos trocar algo além da superfície, com ou sem "fotinho". Sei que tem gente que entra aqui por gostar das coisas que escrevo, e isso é bem legal. E é claro que gosto de ser jeitosinha também. Sonho com o dia que alguém se importará, ao menos por um segundo, exclusivamente com o que penso e com o que sou capaz de produzir. Para não ser injusta: as blogueiras maravilhosas do 3xtrinta e uns bons grandes amigos e amigas se importaram, e sou grata por isso. Início de uma colheita, muito bacana para mim...mas ainda é exceção. Um começo. Não me vejo, com todo o respeito sincero à todos os ofícios, atrás de um balcão de loja enquanto minha mente criativa e inquieta me come por dentro. Sou deslocadona mesmo, às vezes me sinto alienígena.

Nasci essencialmente escritora, e não há demanda de mercado que vá me "livrar" disso. E nem quero. E quero dar uma montada na grana sim , já que não existe almoço grátis. A posição inversa me faz doer a coluna... ;)

Fotos e produção: A. Sommer


8 comentários:

  1. Eu sinceramente não ligo pra dinheiro (Também, como ligar se estou sempre dura?), dinheiro não me compra uma opinião, um amigo, um filho, um poema ou uma boa conversa. Dinheiro não me compra a evolução, uma noite agradável, um dia de sol, educação, respeito ou solidariedade.
    Dinheiro não me compra nada a que eu dê valor.
    Não vou ao cinema nem ao teatro, gosto de diversões mais simples como ir até o boteco e conversar a noite inteira. E nem pra isso preciso de dinheiro porque não vou ao boteco para beber, mas para encontrar amigos, beber acaba sendo uma conseqüência que às vezes se dá se alguém resolve me oferecer um copo.
    Não tenho grandes sonhos de consumo e a maioria eu nem realizaria se tivesse mesmo dinheiro, pois acharia uma futilidade.
    Muito raramente me permito comprar roupas. Tenho um armário cheio que supre minhas necessidades e 90% dele é de doações de amigos, amigos de amigos e familiares.
    Quando quero porque quero uma calça nova, já tenho minha lista de lojas baratinhas e compro alguma coisa bem simples que eu possa personalizar depois. Brechó é o melhor lugar para se encontrar a roupa dos seus sonhos.
    E, por último, adoro suas fotos! Mexem com meu lado masculino. rs

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  2. Claudinha, fiquei sem ler seus textos maravilhosos durante esta semana fora e eis que volto aqui e leio este....Poxa, serei sincera...Estou me sentindo meio culpada, sei lá, ou eu ( q ainda estou cansada pelo fuso de 4 horas de Londres), não entendi direito. Poxa, eu não acredito neste lance q dinheiro não traz felicidade, mas eu não acho isso bom, eu queria poder ser feliz SEM DINHEIRO, mas acho quase q impossível. Um lance bem escroto porque acho o dinheiro algo tão sujo, nos dois aspectos, sujo, de imundo, por passar de mão em mão q mal sabemos por onde passaram, e sujo porque ele é capaz de destruir amores, destruir famílias, destruir sonhos, e isso me enoja. Enfim, fiquei meio reflexiva c este teu texto, amo-te minha amiga!

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  3. Mas é claro que dinheiro traz felicidade (as viabiliza)! A relação que estabelecemos com ele é que faz a diferença!!! E sua relação não é selvagem. É fruto de seu plantio, vc merece tudo e muito mais que essa vida há de oferecer!!!

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  4. Infelizmente a gente precisa de dinheiro para viver bem. Mas, pior do que isso, nesse mundo precisamos de dinheiro para sermos respeitados! Tenho percebido isso fortemente, e cada vez mais!

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  5. Preciso de dinheiro pra precisar de dinheiro.

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