quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dos Escombros (Mais de Justine e Fernando)

imagem colhida no google

Ela, que sempre andou na contramão de todas as coisas
Não por convicção ou rebeldia
Só por não saber ser de outro jeito...
Um dia deu de cara com ele
Em uma de suas andanças contra o vento
Ela, que sempre quis sentir todas as coisas ao extremo
Da ternura ao tormento
Vislumbrou nos longos braços dele um ninho de paz
Onde nada era triste, nem mau, nem grave
e seu jeito calmo substituiu o vendaval
e o banzo do cair das tardes.
Ela desejou ficar ali quase pra sempre
Como nos contos de fada
Onde tudo é selado com um encontro de lábios
e acordo de almas (onde andará a dela?)
As mãos macias dele apagavam suas dores
Como borracha suave que apaga os erros sem rasgar o papel
Dizimando um sem fim de rancores
Ele também era paixão etérea
Um dia disse pra ela com seu jeito de dizer coisas sérias:
"Tudo é foco, Justine, tudo é foco."
Ela, inexata e perdida por natureza
Desejou viver por um minuto em seu mundo de cálculos seguros
Fórmulas, medidas e certezas
Quis ainda ser do tamanho do seu sonho
Sem mesmo saber se ele sonhava (teria Fernando sonhos ao dormir?)
Ele que, não raro
Beijava de olhos bem abertos
Desconfiados, despertos...
A louca e o cartesiano
Buscando em uma linha reta a menor distância
Dois pontos no oceano
Justine, que nunca soube a justa medida de nada
Perdeu seus abraços como quem perde braços
Perdeu seus beijos como quem perde alimento
Perdeu seu corpo como quem perde abrigo
Perdeu a terra, seu grande elemento
Perdeu-se de si, perdeu o juízo.
Foi se acreditando má e perversa,
Afogada em egoísmo e dor
Má e perversa?
Pois assim não são as que andam na contramão?
A causar acidentes?
A desviar a rota dos que caminham decentes?
Extremidades frias...
Dele não restaria nem a semente
No máximo um afago clemente
E uma Justine quase demente
Sem saber o que é amar diferente...



13 comentários:

  1. está lindo seu blog. Beijos

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  2. Que bom. Existo mais plena quando escrevo. Sina e alegria.

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  3. "Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana) foi bom te sentir !!! aiai

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  4. Rodrigo, Wagner, obrigado pela atenciosa leitura!

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  5. "Dele não restaria nem a semente
    No máximo um afago clemente
    E uma Justine quase demente
    Sem saber o que é amar diferente..."
    Claudinha, minha amada amiga, a cada dia que leio sobre Justine e Fernando, mais curiosa fico, mais sedenta por "próximos episódios" me torno....Você vai me deixar louca deste jeito! E VIVA JUSTINE!

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  6. A saga de Justine e Fernando constitui um "corpus" que, não sendo necessariamente exaustivo, é uma excelente amostragem muito bem organizada e dará direito a obra maior. Estarei certo, ou errado ?

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