terça-feira, 1 de novembro de 2011

Comedia Finita (poesia, apenas poesia)


A pessoa chorou toda a dor do mundo em seu (des) peito,
de seu leito, pó e fumaça anunciaram o fim
pulverizada pelas chamas de um final ruim
carbonizada pela mácula de seu querer muito imperfeito.

Ré perpétua das penas impagáveis, pegou a grande nave
Viajou para fora e bem longe de sua alma desvalida
Havia um cheiro podre em sua desnuda carne
e sentido algum em sua medíocre e pequenina  vida.

Foi-se  esperança, o riso, ficou o pranto
Fez-se o inferno , descrença, desencanto
De sua jugular o brilho escarlate fez-se rio
e o chão vermelho ganhou enfim um novo brilho.

O mundo, rápido, esqueceu que a pessoa existiu
para além de si, para além do que podia
Ela nadou contra a maré, quase resistiu
A dor venceu. A pessoa desistiu.

Um comentário:

  1. Interessante.Tem de ser lida e mastigada.

    Paulo Barral / Portugal

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