sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quanto custa "Sentir"? Eis o meu preço.

Fotografia de Jill Souza

Vou falar de mim. Leia se der vontade, mas vou falar de mim. Já que tem tanta gente que fala, também vou fazer uso desse direito. Outro dia li uma pérola na tal rede social do momento: "Quer saber mais? Sei coisas terríveis à meu respeito, é só perguntar!". Voilá! 


Sou aquela que sente demais e ao extremo, da ternura ao tormento. Que toma remédio para dormir e uns outros dois para funcionar. Receita branca e azul. Que às vezes precisa olhar nos olhos da filha para ter coragem de seguir adiante, já que ama essa menina desmedidamente. Que traz dentro de si um novelo de histórias só dela que talvez só se resolvam se realmente existirem outras vidas. Que já foi diagnosticada com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico e alguns episódios de depressão... e espero que pare por aí...enfim, uma transtornada por excelência, controlada com "remedinhos"...que já apanhou de ex-marido, pai, irmão e babá, já foi tachada de puta e não se perdeu de si mesma, sempre encontrando um caminho de volta...mas até onde sei, nunca cortei um ser vivo ao meio (ainda como bifes, ainda sou carnívora dentro de um senso comum). Nunca cometi crimes, nunca apedrejei as janelas de ninguém, nunca dei um soco "fodão" senão em legítima defesa, nunca fiz sangrar um semelhante...hoje, em algum momento, deu-se a entender que ser usuária (assistida!) de farmacos que me fazem ser minimamente "normoativa" me diminuiria como cidadã em busca de meus direitos (heim?!?)...ah...esqueci de dizer que também sou tabagista e viciada em coca-cola zero. Pago imposto até para me envenenar, já que isso a lei permite. Também não gosto de desafiar a lei, até que sou uma "louca razoável".

Enfim, por que raios essa conversa toda? Por me recusar ter minha vida nas mãos de quem quer que seja, senão para somar. Nem pai, nem mãe, nem "amigos", nem ex-babá ou ex-amores, nem juiz, nem médico...ninguém vai me desqualificar. Eu mesma já fiz isso comigo por tempo demais, e quero poder seguir de cabeça erguida. Não sou heroína nem desvalida. Sou só mais uma "humana" a purgar em um mundo de "pseudonormais". Só isso. Também "há rumores" de que sofro de "Arte". Amo ouvir música, embora não saiba tocar nada além de minha própria vida, do jeito que dá.  Sei até pintar, vejam só... Desse transtorno, peço a D-us que não me cure. Prefiro morrer de poesia à  seguir lobotomizada. Também já ouvi dizer que metade da humanidade padece das emoções, e a outra metade pensa que não padece, mas não vou entrar nesse mérito. Não sou PhD em nada, não terminei nenhuma faculdade, não me especializei em porra nenhuma, senão em sobreviver...nem em escrever me especializei no sentido usual do termo, o faço por pura paixão à palavra. E vou continuar fazendo. Ninguém precisa dizer que sou uma escritora de prosa e verso, eu sei que sou...e para isso não careço de diplomas...e também não desqualifico quem os têm, tudo é uma questão de oportunidade. Não sou uma "fudida" raivosa e ressentida. Nunca desisti de mim, ainda tenho muito a plantar. Sou repleta de defeitos e qualidades como qualquer ser "do bem". Cometo falhas, e estaria mentindo se dissesse que nunca me arrependi de nada. Já me arrependi milhões de vezes, mas pude me perdoar e tocar em frente. Minha matéria é composta de glórias e danações. Não visto o estigma da demência. Ao contrário, quero mais é desmistificar essa tal de "loucura". Não gosto tampouco de me esconder. Já me editei em outros tempos, já tentei me encaixar em sonhos, isso sim foi minha maior loucura. Essa eu não cometo mais. Ser quem sou já dá trabalho que basta, e até estou aprendendo a gostar mais de mim ...do que vejo no espelho ao que habita minha alma (ninguém me acha nem vai me achar mais gostosa que eu mesma, faço do meu corpo tela e festa! Não persigo a perfeição e sei que os anos avançam...).

Meu nome é Claudia. Claudia Cristina Tonelli, "blogueira", escritora, maquiadora, artista, arteira, mãe e mulher. Muito prazer. Ou não...somos livres para sentir, afinal...esse é o preço de estar viva.

P.S: Amo cinema. Sei que não vou sair dessa vida antes de materializar um roteiro ( que isso aconteça antes da colisão inevitável e definitiva, venha de que modo venha). Teimo por demais em utópicos otimismos, ainda que não seja uma otimista por excelência. Paradoxos. Talvez até me apaixone de novo um dia, quem sabe? E quer saber? Não vou revisar esse texto. Não quero correr o risco de editar o que escrevi com tanta verdade. A minha verdade.

7 comentários:

  1. Claudinha , não li nenhuma novidade nesta postagem ( ainda bem, pois isso mostra o quanto nosso grau de amizade é imenso!). Vc é isso tudo...A sinceridade em pessoa, a boca de onde saem palavras sinceras, palavrões aos montes ( rs rs), mas sempre mostrando o seu EU.Nunca a vi se fazer de vítima...Nunca! Vc é guerreira demais e por isso tenho orgulho de ser sua amiga. beijo grande!

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  2. Algumas pessoas sabem de mais das vidas alheias. Provavelmente pra encontrar significado nas próprias vidas. Ninguém mais, além de nós mesmos, "sabe a dor e a delícia de ser o que é". Quem não sabe, não sabe mesmo o que está perdendo. Bjks

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  3. Por isso faço questão de "não me perder de mim" :)

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  4. te adorei...
    Vrinda Mahé

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