quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Em frente.


Foi um Adeus que custou a chegar
feito do Silêncio glacial, daqueles que pairam no ar
para nunca mais voltar...

(Que nos fazem levantar e seguir em frente, o único sentido compatível com a vida)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entre dentes...


Etelvina perdeu um dente ao tomar um soco do ex-marido. Nunca mais sorriu igual. Com o dente, foi parte de sua alegria, de sua energia e nunca mais conseguiu olhar a vida de cabeça erguida. Um dia, Arialdo emprestou à Etelvina cinco mil Reais, ao longo de três meses de depressão da dita. Salvou Etelvina da fome e da treva. Ela pagou contas, e não foi de sapatos. Arialdo um dia amou aquela mulher que não tinha o primeiro molar...um dia o amor de Arialdo acabou, ela não era tão bacana assim. Um dia o dente de Arialdo doeu também, muito tempo depois. Etelvina riu de nervoso ao saber que o dente de seu amado custaria os mesmos cinco mil Reais para ser salvo e ela não tinha como devolver... ela entendia de dor de dente. Já tivera até uma bochecha furada por uma broca  em destreinadas mãos...Riu de nervoso e impotência, antevendo o que ouviria: "Pois é, Etelvina, se eu não tivesse emprestado aquele dinheiro pra você, não perderia meu dente", disparou o rapaz, entredentes. Etelvina quis sumir para nunca mais sentir as dores que nem o melhor dentista pode curar...a dor de se sentir "Nada". Não tinha mesmo como pagar. Nem com seus precários dentes restantes...depois do riso, claro, veio o pranto. Ambos movidos pela velha sensação de impotência.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Árvore de Natal [da série mini contos].

arquivo pessoal

Embora não fosse católica, Amaralina gostava de admirar árvores de Natal. Acreditava em Deus, mas ainda não tinha parado para pensar a respeito...saber que Ele estava lá, no comando de tudo, ia lhe bastando ao longo de seus últimos trinta anos de vida. Mas gostava de árvores, e também das de Natal. Não as montava e pronto, a idéia de uma mesa quase vazia numa noite típica para quase todo mundo a angustiava deveras. Principalmente, depois de ter perdido suas raízes como pai, mãe e irmãos que se espalharam nesse mundo. Tinha um filho, João, que agora, aos doze anos, sonhava com um skate. Ele era sua semente, ainda que não tivesse mesmo suas raízes...naquele ano, especialmente, sentiu-se angustiada frente à possibilidade de não presentear o filho em um tempo que, para ela, sugeria uma parada para refletir em suas relações afetivas de toda ordem. O fim do ano coincidia com suas férias do trabalho na fábrica de balas de goma. Pegou naquele entardecer seu velho fusca colorido na garagem e levou seu pequeno para ver a famosa árvore da Lagoa Rodrigo de Freitas do alto de um mirante. Quando as luzes do dia deram lugar ao salpicado noturno de luzes cosmopolitas, a linda árvore acendeu, no meio da Lagoa...o visual carioca, visto lá de cima das Paineiras, mais parecia uma caixinha de jóias...tudo que era belo e com cheiro de Poesia, emocionava Amaralina. Um gritinho estridente e alegre a trouxe de volta de seus dispersos pensamentos:
-Olha, mãe! Um skate, com um laço de fita amarelo! Olha, alguém esqueceu aqui!
Silêncio. Olharam para o lado. Bem lá no Alto, de onde a árvore carioca parecia miúda, o skate que o filho tanto queria...só estavam eles ali...Amaralina abraçou o filho com força e entendeu aquilo como um milagre. Abraçou seu pequeno João, disposta a comprar uma árvore tropical e enfeita-la com jujubas. Teria, enfim, sua primeira árvore ao lado do filho...e o sonho do pequeno em bela fita amarela sob seus pés a enfeitar novas esperanças. Desceram cantando do mirante. O fusca colorido sempre a levava a lugares bons...

imagem colhida no google.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cry, Baby, e Feliz Ano Novo! [da série "microcontos"]

imagem colhida no google

Clarinha passou a frequentar todas as festas, queria não sentir nada, ou sentir alegria em tempo integral. Para cada evento, um vestido novo. Para cada situação, uma cara inédita. Uma cor de batom, uma postura, um perfume diferente. Tentava esquecer como era estranho estar em sua própria companhia, dentro de uma história só dela. Esperava que o ano novo mudasse sua vida. Ah, como sofrem os "Anos novos", repletos de demandas! Enfim, o réveillon chegou. Ela dançou, beijou, fumou todos, bebeu até quase cair...usava um vestido amarelo. Gostava de ouro. No dia primeiro depois da festa, se olhou no espelho. Os mesmos olhos borrados de fim de noite, riscados por lágrimas das quais ela não se lembrava como tinham rolado...sempre assim...então ela lavou o rosto. Viu Clarinha no espelho depois de muito tempo, sem edição...Botou um chinelo e foi comprar pãozinho fresco na padaria. Leve. Muito leve. Tantos personagens dentro dela pesavam umas duas toneladas...ser o que era já bastava. Foi seu melhor Ano Novo. Em um "três de janeiro" de um tempo qualquer, já que havia dormido demais... para cada um, o novo tem seu próprio tempo...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tim Tim! [Da série "microcontos"]

imagem colhida no google

Mariana não deixou de pensar no quão bom havia sido a última vez em que se viram. Ainda sentia gosto de uva na boca. Não concordavam em tudo, mas se davam bem...
Preparou com esmero o reencontro: comprou um par de taças de vinho tinto no mais delicado cristal (ele não tinha duas iguais, teria que ser uma noite mágica!), uma saca-rolhas especial, queijinhos e uma linda lingerie rosa e preta, com direito a cinta-liga. Resolveu que faria uma massinha gostosa, Ele que amava macarrão, literatura russa e gostava de vinho. E de uísque também. Ele só parecia não gostar muito de suas tatuagens, mas essa é outra história. Ela preferia vinho. Então seria vinho mesmo. Seria(!!!) Ele nunca mais apareceu...homens...chamou a melhor amiga, e juntas, celebraram ao som de Paul ( Enxugaram a garrafa em menos de quinze minutos)...Mariana sempre teve confessa queda por Paul...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Era uma vez...[da série "microcontos"]

arquivo pessoal (pelo artista plástico Marcos Antunes)

...era uma vez uma menina grande, que de tanto mudar a alma de casa, quase não achou o caminho de volta.
Enfim, ela tropeçou em uma bússola, e viu que seu Norte era ao Sul de si mesma. Correu para o colo vitalício e dormiu com o cansaço de quem, aparentemente, nunca perdera a inocência. Talvez por não ter expectativas, também não esperava que tudo acabasse em um último acorde. Acordou renovada, havia música por toda a parte...de rouxinóis à canções de ninar. Botou seu melhor vestido, e dançou um Tango com a vida...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Estou bonita? [da série "microcontos"]

arquivo pessoal 

Ela perguntou ao amigo, repleta de entusiasmo:
"E então, meu querido, que tal meus cabelos, agora loiros?"
Ao que de pronto respondeu o jovem rapaz:
"Não gosto de ser indelicado, tampouco mentiroso...então não faça pergunta difícil, pois serei obrigado a ser "um" ou "outro".
Caíram em estrondosa gargalhada. Naquela mesma noite, ela fez as pazes com seus escuros castanhos...

arquivo pessoal


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lótus.

Arte digital surrealista (colhida no google)



Virou lama, pastosa e inconsistente
Gritou até ficar demente
Calou-se ao ver-se descrente

Viu o Sol, a Lua e sob as nuvens, Estrelas
Percebeu Deus em realeza
Em seu mais belo templo, Natureza.

Da lama fez o barro, buscando formas D'ela
Mergulhou as mãos pequenas nas cores da aquarela
Vestiu-se de mil cores, verde, azul, rosa, amarela...

Secou ao calor do Dia
Percebeu que ainda sorria
Descobriu que ainda sentia...



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Caramelinhos.


Havia naquele menino um olhar de caramelo
Havia naquele sorriso um mel derramado e singelo
Havia naquele Domingo um azul em traje amarelo...




domingo, 4 de dezembro de 2011

Chove, Chove...

imagem colhida no google


Uma chuva de silêncio
desabou sobre os papeis
letras borradas não contavam mais nada.

Ele partiu...
Ela chorou.
Ele seguiu.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fantasia.





Então, a menina de grandes olhos de jabuticaba perguntou:
"Mãe, essas pérolas são verdadeiras jóias ou fantasia(termo da época para bijoux, se bem me recordo...)?
" Que importa, menina? No final, quase tudo é fantasia. Jóia também é fantasia..."
 
Ah, mamãe...aprendi enfim essa linda lição...




(Meus verdadeiros tesouros são aqueles que posso abraçar...)



Cores, cores, cores em meus amores...