sábado, 17 de dezembro de 2011

Árvore de Natal [da série mini contos].

arquivo pessoal

Embora não fosse católica, Amaralina gostava de admirar árvores de Natal. Acreditava em Deus, mas ainda não tinha parado para pensar a respeito...saber que Ele estava lá, no comando de tudo, ia lhe bastando ao longo de seus últimos trinta anos de vida. Mas gostava de árvores, e também das de Natal. Não as montava e pronto, a idéia de uma mesa quase vazia numa noite típica para quase todo mundo a angustiava deveras. Principalmente, depois de ter perdido suas raízes como pai, mãe e irmãos que se espalharam nesse mundo. Tinha um filho, João, que agora, aos doze anos, sonhava com um skate. Ele era sua semente, ainda que não tivesse mesmo suas raízes...naquele ano, especialmente, sentiu-se angustiada frente à possibilidade de não presentear o filho em um tempo que, para ela, sugeria uma parada para refletir em suas relações afetivas de toda ordem. O fim do ano coincidia com suas férias do trabalho na fábrica de balas de goma. Pegou naquele entardecer seu velho fusca colorido na garagem e levou seu pequeno para ver a famosa árvore da Lagoa Rodrigo de Freitas do alto de um mirante. Quando as luzes do dia deram lugar ao salpicado noturno de luzes cosmopolitas, a linda árvore acendeu, no meio da Lagoa...o visual carioca, visto lá de cima das Paineiras, mais parecia uma caixinha de jóias...tudo que era belo e com cheiro de Poesia, emocionava Amaralina. Um gritinho estridente e alegre a trouxe de volta de seus dispersos pensamentos:
-Olha, mãe! Um skate, com um laço de fita amarelo! Olha, alguém esqueceu aqui!
Silêncio. Olharam para o lado. Bem lá no Alto, de onde a árvore carioca parecia miúda, o skate que o filho tanto queria...só estavam eles ali...Amaralina abraçou o filho com força e entendeu aquilo como um milagre. Abraçou seu pequeno João, disposta a comprar uma árvore tropical e enfeita-la com jujubas. Teria, enfim, sua primeira árvore ao lado do filho...e o sonho do pequeno em bela fita amarela sob seus pés a enfeitar novas esperanças. Desceram cantando do mirante. O fusca colorido sempre a levava a lugares bons...

imagem colhida no google.

Nenhum comentário:

Postar um comentário