quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cry, Baby, e Feliz Ano Novo! [da série "microcontos"]

imagem colhida no google

Clarinha passou a frequentar todas as festas, queria não sentir nada, ou sentir alegria em tempo integral. Para cada evento, um vestido novo. Para cada situação, uma cara inédita. Uma cor de batom, uma postura, um perfume diferente. Tentava esquecer como era estranho estar em sua própria companhia, dentro de uma história só dela. Esperava que o ano novo mudasse sua vida. Ah, como sofrem os "Anos novos", repletos de demandas! Enfim, o réveillon chegou. Ela dançou, beijou, fumou todos, bebeu até quase cair...usava um vestido amarelo. Gostava de ouro. No dia primeiro depois da festa, se olhou no espelho. Os mesmos olhos borrados de fim de noite, riscados por lágrimas das quais ela não se lembrava como tinham rolado...sempre assim...então ela lavou o rosto. Viu Clarinha no espelho depois de muito tempo, sem edição...Botou um chinelo e foi comprar pãozinho fresco na padaria. Leve. Muito leve. Tantos personagens dentro dela pesavam umas duas toneladas...ser o que era já bastava. Foi seu melhor Ano Novo. Em um "três de janeiro" de um tempo qualquer, já que havia dormido demais... para cada um, o novo tem seu próprio tempo...

2 comentários:

  1. Pra que tanto peso em cima do ano novo não é, ele nem tem nada a ver com as nossas decisões.

    ResponderExcluir