terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entre dentes...


Etelvina perdeu um dente ao tomar um soco do ex-marido. Nunca mais sorriu igual. Com o dente, foi parte de sua alegria, de sua energia e nunca mais conseguiu olhar a vida de cabeça erguida. Um dia, Arialdo emprestou à Etelvina cinco mil Reais, ao longo de três meses de depressão da dita. Salvou Etelvina da fome e da treva. Ela pagou contas, e não foi de sapatos. Arialdo um dia amou aquela mulher que não tinha o primeiro molar...um dia o amor de Arialdo acabou, ela não era tão bacana assim. Um dia o dente de Arialdo doeu também, muito tempo depois. Etelvina riu de nervoso ao saber que o dente de seu amado custaria os mesmos cinco mil Reais para ser salvo e ela não tinha como devolver... ela entendia de dor de dente. Já tivera até uma bochecha furada por uma broca  em destreinadas mãos...Riu de nervoso e impotência, antevendo o que ouviria: "Pois é, Etelvina, se eu não tivesse emprestado aquele dinheiro pra você, não perderia meu dente", disparou o rapaz, entredentes. Etelvina quis sumir para nunca mais sentir as dores que nem o melhor dentista pode curar...a dor de se sentir "Nada". Não tinha mesmo como pagar. Nem com seus precários dentes restantes...depois do riso, claro, veio o pranto. Ambos movidos pela velha sensação de impotência.

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