segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lua Cheia

um belo achado



De tantas Luas
Nas mais cheias
Fui tua.
Quando tua,
Todas as luas eram cheias
De tão cheias, derramaram
Nossas horas pelo chão
Ah, esse coração malabares
guarda cada segundo nas mãos.


domingo, 30 de dezembro de 2012

A Louca

"Diké"


"Ela é 'louca',' maluquinha' mesmo. Dessas que não se leva a serio. 'Bem doida'. Dizem por aí que vive vendo até disco voador! ".
Um dia, Ela resolveu ser justa. Dar nomes às coisas e situações que a rodeavam. A pagar na justa moeda. A não confundir gratidão com servidão. Todos, enfim, poderiam ver todos os lados da história. Provas, documentos, imagens, registros. Ela estava loucamente apaixonada pela verdade nua e crua.
E assim chegaria o dia em que sentiriam saudades de quando Ela era só a "Louca"..."Louca" e Justa era demais para quem se confortava com seu "desvario" aparentemente sem defesas...Sentiriam saudades não!!!...sentirão.

FIM.







sábado, 29 de dezembro de 2012

Meus sonhos de telescópio.

Ah, aquela Estrela!

E de uma janela ao Sul de mim
Vi brilhar uma rósea Estrela
A iluminar o céu carmesim
Já transbordado de tanta beleza
No cair da tarde cálida
Vi um horizonte de águas plácidas
Feito buraco de fechadura que guarda tesouros
Anunciando um "Tempo-Bebê-Vindouro"
O pó das Estrelas findas deixou um rastro
Que fala bem assim: Doce de Milho,
Fome de livros, Sede de Amor
Singelezas sem fim
Venha, Ano Criança, venha para essa dança
Pois sou toda Esperança
de rotas em novas andanças
Ao Ano Cansado que vai
Fica meu muito obrigado
Pois das pimentas colhidas
Acolho seu aprendizado
Não levarei rancores, não me vestirei de dores
Sou hoje a leveza da pluma
Ávida por novas cores.

(Aos amores/amigos todos, idos e anunciados, deixo aqui meu muito obrigado)

Força Estranha (e bela...)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Caixa.

a caixa e suas possibilidades...


Adoro caixas e suas infinitas possibilidades. Para mim, parecem infinitas. Desde organizar parafusos, velhos manuscritos, fotos...enfim, caixas me soam como objetos zeladores de nossos pertences e sonhos. Gosto de caixas com fitas, colagens, escritos, etc. Gosto de transforma-las em algo belo. Gosto de presentes em caixas e fitas, tanto dar quanto eventualmente receber. Uma caixa insípida me soa como possibilidades...uma das minhas primeiras tentativas de escrever um roteiro (que foi escrito e está devidamente guardado dentro de uma caixa...) levou o nome de "A Caixa Azul", em tempos de inocência em que eu acreditava que um dia seria cineasta ou algo assim. Foi um projeto adiado pela minha imaturidade, bem como meu livro. Meu livro, no caso, foi adiado por questões burocráticas que envolvem o vil metal e outras políticas, mas voltemos à caixa, que meu livro tarda mas não falhará... 'A caixa Azul'...história fofa escrita por, na ocasião, uma menina meio boba de 25 anos. Hoje, aos 39, continuo um tanto boba. A história falava de um presente meticulosamente preparado para um grande Amor, cheio de delicadezas que remetiam à história dos dois personagens centrais e que foi levianamente confundido com uma bomba. Uma bomba de verdade (Talvez um dia vire um livro, ah!- sempre Eu e os Livros...) capaz de destruir um quarteirão. E era só (!) Amor. Sempre achei que a maioria das pessoas, tanto quanto buscam, se pelam de medo desse tal de Amor. Continuo achando, e agora me confesso engrossando esse time de medrosos. Ele, o Amor, pode mesmo ser uma bomba em almas inábeis. Mas continuo louca por caixas. Nesse Natal, compartilhado com minha família, não resisti ao impulso de 'catar' uma linda de se ver, com cara de porta chapéu...não sei qual será o destino dela. Mas já viajo na cara que ela terá. Será transformada com Amor. O destino dela, só Deus sabe...Tá, tenho medo do Amor, mas continuo com essa mania de mexer com coisas perigosas. Medo não há de ser sinônimo de covardia. Quando a bela caixa ficar pronta, mostro o resultado pra vocês. Essa que outrora guardou delícias natalinas...o que ela guardará? Nem eu sei. Talvez vire presente algum dia, sem destruir quarteirões...

Carinho...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ah, que fiquei tão feliz!



Capa e contra capa. Não me aguentei, tive que dividir! Meu livreto mais lindo - e por alguma razão, o mais querido- com fragmentos do Impressões Expressas, produzido com esmero e sensibilidade extrema por Cristiano Gomes. Tô mais feliz que criança ganhando a primeira bicicleta! Me aguardem, ebaaaaaaa! ♥ O recheio há de ser deliciosa surpresa! É só clicar na foto que dá pra ver grandão ;)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sem saída - II

arquivo pessoal

Os que mentem são doentes. 
Os que omitem são covardes.
Quem fala é 'sincericida'. 
Não se encontram mais saídas.
A vida é um baile de máscaras
Minha persona é non grata
Entre feras, como Augusto
Dos Anjos, vivo robusto.
Mas ser fera no meio
Das feras, rodeio
De bestas no meu quintal
É sempre um penar diurno
Já sou insone noturno
Cansado de ser tão mau



Dream.

arquivo pessoal


Perdi o jeito com gente.
Me entendo mais com máquinas.
Fiquei um tanto descrente.
Pouco entendo de abraços.
Pouco me lembro de beijos.
Me agarro a sonhos dementes.
Onde tudo flui qual água

e nem existe saudade...


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

E tudo vira história.

fotografia e interferência: Claudia Tonelli

Tem uns passados bonitos que a gente visita em lembrança, feito fotografia.
Mas esse tal Tempo vai deixando amarelo, e um tanto de Alma vazia.
Olhamos como filme aquelas cenas onde éramos protagonistas.
E tanto Amor se sentia. Tempo lava tudo.
Lava até a história, que acaba virando historinha
Guardada na estante da mente, enquanto a Vida caminha.
Estranhamos nossas vivências. Não somos mais os mesmos.
Não nos reconhecemos naquela mesa. Pois que todo dia morremos.
Pois que todo dia matamos, esse tal amor, tão bobo e obsoleto.

(Seríamos mesmo nós naquela velha mesa de mármore?)


por Claudia Tonelli




domingo, 9 de dezembro de 2012

Uma unidade, por favor!

'Uma unidade de humanidade, por favor?'
Ilustração de Damian Klaczkiewikz



Clarice adentrou o bar já meio trôpega de um dia cheio de atropelos e lançou um insólito pedido junto ao balcão.
"Uma unidade de humanidade, sem gelo, por favor..."
O garçom achou graça.
"Isso eu não tenho como servi-la em um copo. Mas olha em volta: tem um monte de humanos pelas mesas."
"Claro...entendo então que humanidade é só um bando de humanos, e nada mais. É isso mesmo?"
"Acho que é isso mesmo, dona, pelo menos na maior parte do tempo. E sem gelo está difícil. Veja esses olhos glaciais..."
"Então me vê um uísque sem gelo. Ouvi dizer que ele é o melhor amigo do homem. Dose dupla. Gosto com limão, sei que é esquisito, mas gosto com limão."
"Agora ficou mais fácil. Posso te acompanhar nessa bebida?"
"Pode".

"Humanidade pode ser só um monte de humanos juntos", pérola de minha amiga Karla, que é super humana, no melhor sentido da palavra. E que me inspirou essa estorinha.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Gentileza,quer?

arquivo pessoal

Gentileza em tempos de cólera não tem preço. De antemão, aviso que escrevo porque gosto, não sou a última palavra sobre nada. Academicamente falando, depois do segundo grau técnico em comunicação, só me graduei em maquiagem (ouço alguns risos dentro da minha cabeça, mas vamos em frente!). O que me faz livre para dividir com quem queira minhas 'impressões expressas'. Daquilo que observo, vivencio ou penso, sem a pretensão de ser uma formadora de opinião. Confesso meu medo de certos sofistas repletos de verdades e fórmulas...não acredito em fórmulas nas relações humanas. Não acredito em planejamento. Planejamento é bom para finanças, estantes, troca de azulejos, aquisição de pequenos bens de consumo, pagamento de contas fixas de sobrevivência, trabalho, etc...ah, dieta. Também funciona. Mas não é disso que se trata. Voltemos à gentileza. Gosto da palavra e do que ela representa. É a grande carência de nossos tempos. Pode parecer clownesco de minha parte, mas a-do-ro gentileza. Gentileza nas interações humanas. Gosto de ser gentil. Imodestamente gentil. Imagina emanar ira e descortesia por aí nesse calor de mil graus...tratar mau o entregador da quitanda que demorou a entregar minha coca-zero só porque esse Sol de lascar me deixa putinha...não mesmo. Ninguém tem nada a ver com minhas lacunas e angústias. E vejo, um "cadinho" abismada, uma onda de descortesia nas formas mais sutis de manifestações. Em alguns infundados silêncios até. Gente que foge de um "bom dia". Misantropia gera solidão, se esse é o objetivo, o método é perfeito. Também tenho medo dos misantropos. Já fui arredia e não me aguentei. Gosto da leveza. Não tenho o compromisso de ser densa o tempo todo. Tampouco séria. Sorrir nem dói. Claro que não dá para sorrir todo dia. Mas o oposto também vale: pobre dos que vivem com a cara amarrada a sonhar com um mundo ideal, a destilar desprezo ao que aparentemente não serve mais. A vida é muito dinâmica...e ainda que esse texto não pareça fazer sentido, encerro por aqui. Com meu sorriso de quem acredita que viver é bom.
Beijos gentis para todos.

Claudia Tonelli.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

[Gestalt]



Como saber fechar a porta na hora certa?
Nada como um vexame. 
Um bom vexame liberta.
Não era um 'quase beijo', querida.
Era 'vaso vazio' das horas vividas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Para Minha Filha, que está ficando uma bela mocinha. (Com todos os preços de uma Alma sensível e Bela)

imagem feita por minha filha no último dia do ano letivo.

...e tão feliz é minha pequena
Grande menina de olhos de amêndoas
A fazer banquete da Vida
A despeito de todas as tormentas
A tirar riso de pedras
E enfeitar-se com as mais belas fitas
Menina da minha Vida, de sonhos tantos
Conta comigo para manter seus encantos
Pois que sou só sua mãe ( minha grande sorte)
Sei que nunca perderá os seus Nortes
Não foste parida em redoma
Meu grande presente que enfeita o caminho
Faça calor ou faça frio,
Em qualquer tempo Seu
Meu colo é seu ninho!
Somos feitas de luta e esperança
Essa há de ser sua mais rica herança.

(Porque sei que crescer às vezes dói. Mas também é bom. Eu te amo)

Claudia Tonelli,
sua mamãe. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

As verdades que se quer ouvir.

arquivo pessoal

Sim, vou bem, obrigado. Sou feliz o tempo inteiro, nunca amanheci nublada, tampouco chuvosa, em dias de Sol. Nunca tive minha "sanidade" posta em xeque por ser exatamente quem sou, nunca tive um trabalho boicotado por nenhuma sorte de preconceito estúpido  Minha geladeira está sempre lotada em todos os dias do mês. Como carnívora que sou, devoro bifes de primeira quase todos os dias. Ontem fui ao salão cuidar dos meus cabelos. Comprei a bicicleta da minha filha. Fico feliz cada vez que vejo minhas primas e primos mais próximos que moram perto de mim, nessa minha enorme sala que está sempre cheia de Vida. Nunca sofri por amor ou dor por mais de quarenta e oito horas. Moro há quase uma década no mesmo endereço e tenho um sem fim de "domingos habitados de gente e afeto" para além de minha filha. Nunca deprimi. Sou bem sucedida, a Vida fez com que tudo fosse razoavelmente fácil. Meus talentos sempre foram motivo de orgulho daqueles que me estimam. Ser bonitinha é legal, as pessoas chegam perto com intenções lindas de interação humana. Nunca fui alvo de inveja ou calúnia. Nunca dormi com barriga doendo. Nunca me senti uma batata quente por ser fruto de uma estrutura tentacular digna de novela mexicana. Fui extremamente desejada pelos meus e incentivada até o fim em todas minhas habilidades (em toda minha trajetória). Sou uma maquiadora valorizada, além dos meus escritos, em perfeito equilíbrio entre o feijão e o sonho. Jamais tentaram me converter em algo que não sou. Tive uma gravidez tranquila e dou conta de tudo sozinha sem nunca me angustiar. Sou foda. Aprendi a agradar sabendo meu exato lugar nesse mundo (putz). Adoro tangos. Nem sei porque lembrei disso.

A vida é sempre bela.

p.s: uma coisa é fato: a despeito da veracidade (ou não!) dessas linhas, no fim, sempre me basto, mesmo que no limite da alma. E sou essencialmente feliz.






quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Instantâneos


...não houve água
detergente
adstringente 
nada lavou o instante
pousado naquela estante
(sonhada).





Just a picture. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pequeno Manual de sobrevivência à saudade (sem garantias).

flores de pástico


Aí, aquela saudade. Tamanho Grande, Maiúsculo, daquilo que passou em nossa Vida feito sopro. Feito sonho de açúcar, dizimado em meia dúzia de mordidas. Saudade do encanto não planejado. Do que já se anunciava impossível desde os tempos primeiros. O que fazer? Não chorar, para começar. Jamais começar pelo choro. Olhe em volta: sempre há alguma desordem em torno de nós pedindo socorro, a menos que se tenha uma vida tocada por serviçais. Pelo menos, comigo, que me desdobro em dezesseis funções entre o acordar e dormir, é assim. Não falta o quê fazer. O que não significa que eu dê conta de tudo...mas voltando a tal da saudade...Saudade deveria rimar com impotência, mas não rima. Ainda bem. Não precisamos nem devemos paralisar. Adultos vivem pares de décadas sem determinado "objeto da saudade", portanto, podem continuar vivendo. Bem reto assim mesmo. Olhemos em volta: Pia suja? Lave a louça. Entupiu pela vigésima nona vez a privada? Mãos a obra. Se a merda é sua, despachá-la também é de sua conta. Queimou a lâmpada? Monte a escada e troque, sem esse papo de medo de altura. Se fosse assim, ninguém viajava de avião. Para morrer, basta estar vivo e nada mais. Lembrando que de Amor, ninguém morre, ao menos que se auto extermine, o que é coisa para transtornados emocionais graves. Se você não sofre de nenhum transtorno dessa ordem, não é uma opção. Se sofre, busque ajuda. Voltando à tal bagunça que pode virar terapia: Armário sem porta? Invente uma cortina. Guarde aquelas dobradiças para quando tiver paciência de contratar um marceneiro. Aprendi uma lição importante nos últimos tempos: não subestime um parafuso. Pode ser ele a exata peça que falta para resolver um problema. Cate essas quinquilharias e guarde em uma sacola ou caixa, bem direitinho. Até pedaço de boia de descarga pode salvar um expediente doméstico...enquanto isso, a saudade vai sendo mantida sob controle. Guarde ainda aquele resto de veda rosca. Agora, voltando ao quarto: Gavetas. Gavetas podem se tornar verdadeiras zonas de conflito. Toma um tempo maravilhoso. Calcinhas invadiram a gaveta de sutiãs e vice versa? Bote cada coisa em seu lugar. Separe uma gavetinha para aquelas calcinhas horrorosas que vão até a barriga, de nylon ou algodãozinho bem fininha, do tempo que sua tetravó usava longe de todos, na ultima gaveta mesmo!!! Use-as sozinha, quando estiver menstruada (pô, mas você já está sozinha - no entanto, nunca se sabe...), dentro de casa, na certeza de que não será surpreendida por uma visita. Ok, à essa altura, a esperança da surpresa já se foi, então use o que quiser, mas não deixe de guarda-las em acesso ultra privado. Tem informação que não se divide, tipo fazer cocô de porta aberta. Não ligue para encher o saco de ninguém com essa saudade. Provavelmente, você já passou dessa idade. Caso ligue, perdoe-se. Entender a motivação do outro também é inútil. E querer que terceiros entendam, mais inútil ainda, nem seu analista (caso tenha um) vai conseguir. Caso tenha um ou mais filhos, vale até ir assistir o fim da saga do Crepúsculo. Só não vale se emocionar com vampiro ou lobisomem; pode ser um passo para chamar "urubu de meu louro". Lucidez é fundamental, saber perder é uma Arte. Bote aquelas roupas para lavar. Separe em cores para não ter mais um motivo para chorar, nem que seja de raiva, caso manche uma peça estimada. Caso o "objeto da saudade" tenha lhe presenteado com calcinhas fofas, resista, tanto quanto possível, ao impulso de jogá-las fora ou tacar fogo. Esqueça fogo por agora. Deixe isso só para acender o fogão e fazer comida. Por falar em comida, tentar se embarangar com cinquenta quilos de chocolate também não é uma boa. Juro que não quero ferir ninguém com isso, odeio "gordofóbicos". Mas já fiz isso comigo um dia e não gostei do resultado. Prefiro encher a cara de água, suco, refrigerante zero, palitos de cenoura ou, no máximo, duas trufas de chocolate meio amargo ou amargo mesmo. Ficar anoréxica nem pensar, hein?  Se for pra sofrer, vou sofrer no tamanho "P", de ponto final. Mas com saúde. Em tempo: o "objeto da saudade" te deixou esperando até o último segundo pra depois te dar um constrangido toco cinco minutos antes da hora marcada? Espero que não tenha desperdiçado a produção. Que tenha chamado aquele amigo que te acha mega-gostosa (todo mundo tem um amigo desses) e saia! Acolha elogios. Só não vale (ao menos para mim) dar "de raiva" para o tal amigo. Provavelmente, é só mais um que eventualmente te acha gostosa. Muito pouco para quem curte ser estimada/amada/querida, enfim...ressaca moral anunciada essa tal "trepadinha social" tão em voga nesses dias de hoje. Não acredito em "pau amigo", só em amigos, até porque, não se conversa com "paus". Voltando ao tema (aliás, cadê a rivotril? Achei!) , se você é louca por sapatos, reorganize-os e aproveite para "namora-los". Sapatos sempre me relaxam. Não esqueça que as roupas já estão batidas na máquina, precisam ser estendidas; ou ficarão com cheiro de cachorro de rua molhado. Feito tudo isso e um tanto mais, mantenha seu estoque de pilhas em dia para aquele brinquedo de adulto que pode ser um santo remédio :p . Se nada disso funcionar, assista a um filme bem idiota. Se ainda assim não funcionar, aí sim...CHORE com todas as letras maiúsculas. Ao fim do penoso dia, você terá uma casa limpa e uma alma lavada com água salgada. Durma. E não espere ele voltar. Não ofereça ajudas que sabe que ele não vai precisar. E resista (se for capaz). "Objetos da saudade" costumam ter problemas com telefones e outros meios de comunicação. Mantenha-se linda, depilada, cheirosa (para si mesma, principalmente, sua companhia mais constante!!!) e "get over it". Arrume suas flores, mesmo que sejam as de plástico. Essas nunca morrem.
Vida que segue, cheia de "devires insondáveis. Boa noite!

P.S:... e não se furte em ceder em caso de o "objeto da saudade" um dia lhe procurar por milagre ou algo assim (caso ainda o queira), pois só loucos morrem engessados em verdades herméticas. Resumindo; tudo bobagem!


domingo, 25 de novembro de 2012

Domingos.


Domingo. 

Os Domingos desabitados de coexistência humana, à vezes - quase sempre - tem peso de chumbo.
Convidam aos sonos desprovidos de sonhos. Domingos desabitados nos lembram do quanto somos sós, alguns mais que outros, mas inevitavelmente sós. Minha rua fica com cara de estátua. E encho minha casa de ruídos artificiais, encho a cara com meu refrigerante entupido de aspartame e corantes artificiais. Encho meus olhos de leitura boa e ruim cheia de gente e coisas artificiais. Encho meu peito de ar para lembrar que estou viva e não sou artificial. Tenho profunda preguiça de cozinhar, profunda preguiça e desinteresse por quase tudo. E até as lindas árvores emolduradas pelo arco da minha janela parecem artificiais. E as lembranças boas ficam com cara de ficção. Nessa minha alma/história cheia de vãos, todos "vão". E volta a segunda-feira, esse dia que aprendi a amar. Apesar do frio na barriga que os "dias uteis" carregam consigo, junto com o tanto que pagamos para continuar sobrevivendo em todos os sentidos...até as árvores parecem mais vivas na segunda. Eu pareço mais viva. E hoje, me perdoem os felizes em tempo integral - caso existam - eu me permito sentir cada centímetro dessa melancolia. Pois que é sentindo tudo até  fim que vejo as coisas passarem...em algum momento, sei que a leveza me encontrará.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E talvez um dia a gente se veja.

arquivo pessoal



Daquelas coisas ou pessoas que se vão do nada, antes mesmo de chegar. Quem não conhece isso? Tem disso a Vida. Mas fico grata quando posso dar “tchau”. Dessas coisas/pessoas que se vão sem mais, gosto de dar um, quem sabe, até breve (tudo é breve afinal), um “boa viagem”, um aceno de mão retribuído. Sem esse “tchau”, é como buraco no peito ou aquelas mortes sem corpo. Silêncio que pesa. E não me refiro a um tipo específico de relação. Qualquer relação humana. Todos têm o direito de enterrar seus mortos (e é claro que se trata de uma metáfora), para que sigam vivos em algum espaço repleto de beleza da lembrança.  E quem sabe um dia, 'resignificar' aquele sentir tão bonito quanto o d’antes.  Que pode ser diferente, mas não necessariamente menos bonito. Tanta leveza traz em si o fechamento de ciclos.  


...stand by me...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sem saída.



arquivo pessoal



Os que mentem são doentes. 
Os que omitem, covardes.
Os que falam, 'sincericidas'. 
Não existem saídas (?). 


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Gina - A Justa Medida do Protagonismo.

arquivo pessoal



Vai lá e faz...e aí Gina vai sempre funcionando assim. Tomando iniciativas. Dando passos primeiros. Sem saber se o solo é firme ou pantanoso. Correndo riscos de grandes alegrias ou vácuos de tristeza; sabendo que, bom ou mau, tudo passa. Nunca foi boa planejadora nas interações humanas. Vai lá e faz. Vai lá e fala. Vai lá e sente. Vai lá e busca. Às vezes ganha. Às vezes perde. Mas nunca com a sensação de perda de tempo. Às vezes se excede.
Gina nunca se afoga, sabe nadar. E de tanto treino, aprendeu a não desesperar. Aprendeu a esperar sem esperar. A não temer o ridículo. E em razoável medida, a avançar sem atropelar. A lidar com a saudade não como sina, mas como coisa bonita. Gina não sabe ser vítima. Gina pouco olha pra trás, senão para revisitar as tais coisas bonitas. Gina gosta de janelas. Dela quase sempre viu chegar as coisas mais belas. Até parou com suas aquarelas. Tão linda a sua janela. Aos menos, aos olhos dela. 



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Rapidinha.





Se todo mundo de acordo,
todas as mucosas são lícitas
na fusão dos corpos em festa.

Norah Jones


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mais fome.

arquivo pessoal


arquivo pessoal

Como. Como o amor ofertado com parcimônia ou fartura. Como a luz do dia que invade minha janela. Como o prazer de estourar entre meus dedos o plástico bolha que esvazia minha cabeça. Como livros. Como comida, devoro tomates e morangos. Como quase tudo que é vermelho. Como carne, que escorre rubra em sangue. Como pequenos toblerones na escuridão que me convida a sonhar. Como braços que me sustentam em piscinas nas quais não sei nadar. Como com os olhos iguarias do além mar. Como os cantos dos meus dedos quando me dói esperar. Como as saudades que me lembram que às vezes ando a vagar. Como com a pressa de um mundo prestes a acabar. Como odeio todas as fomes insanáveis, como a Vida, essa festa que nunca avisa a hora de terminar.

 por Claudia Tonelli

Debaixo D'Água/Arnaldo Antunes





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Efêmero

Carvão sobre canson-experimentos/Claudia Tonelli
Três Luas e três Sóis. A pele dela ficou linda. Dali para frente, todo o resto seria lucro. A benção daquelas que não contam com esse tal de "Futuro". 
(Fragmento de Justine B., por Claudia Tonelli)





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Do Carinho e nuvens branquinhas.

arquivo pessoal

Aí a pequenina passou o dia com as mãos em forma de concha, saudosa daquela nuvem branquinha de quem um dia fora tão amiga. Esperava por sua passagem, e ao menos uma gotinha em forma de afeto que caísse por entre seus dedos dizendo: "Veja, eu parti, mas não te esqueci para sempre". Ela saberia reconhecer a Nuvem, bem como a temperatura exata daquelas águas. Aquela água não caiu. No entanto, um temporal desabou em sua cabeça em forma de carinhos outros, de onde ela sequer era capaz de imaginar. Era muito mais querida do havia suposto. Entendeu, enfim, que não nascera para gotinhas. E que o amor deveria ser chamado de Amor, como nomes próprios. Não mais sentaria à beira de um caminho à espera de sentimentos minúsculos. Merecia mais. Muito mais. Compreendeu, de uma vez por todas, que aquela nuvenzinha, (tão linda, tão linda!) havia se liquefeito para todo o sempre. Uma nuvem minúscula, que moraria em sua memória, mas, não mais, a faria padecer de saudade. Permaneceria a Gratidão. Maiúscula  Gratidão.

"Noil"

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mais uma chegando.

arquivo pessoal/Rio, 08/10/2012


Trinta e nove cirandas - cirandinhas
Em volta de nossa grande Estrelinha
Astro - Rei, sem pejo, realiza meu desejo:
Me manda um tango no quarenta
Muda essa rota
Monorritmo...
Não tem alma que 'aguenta'...

Libertango... 



sábado, 29 de setembro de 2012

Pares para sempre ímpares.

arquivo pessoal


(Não sufoco a solidão de ninguém, tampouco a minha. Ela precisa respirar)


Nascemos sozinhos, e se temos colo ( a sorte de ter um colo!), atribuo ao fato de sermos da espécie mais dependente do reino animal. Diferente de gatos, potros, cachorros e outros bichos, não saímos por aí, mesmo que em passos vacilantes, a buscar o próprio alimento e nos deslocando na aventura da descoberta terrena, conduzidos por nossas próprias pernas. A única comunicação, ou ao menos, a mais presente, é o choro e suas mil intenções de difícil decodificação. O Amor é lindo, mas é também uma poderosa ferramenta da Natureza na perpetuação da espécie. Sem Ele (O Amor), tudo perece, vide as tristes notícias de bebês abandonados em lixeiras, enfim...

Acredito nessa experiência primeira como uma das possíveis causas da solidão vida à fora (inconfessadas por muitos) que acompanha a raça humana ao longo de toda uma existência, pois que não somos de fato de ninguém, senão essencialmente filhos da própria Terra. Daí seguimos, como bebês hipertrofiados, tentando preencher lacunas e negar a inexorável solidão. Criamos círculos de amigos, patotas, tribos, grupos de estudos e interesses afins...nos rendemos a paixões para "todo o sempre" de três dias ou três décadas. Colocamos crianças no mundo na ilusão de que não morreremos sós, mas no fundo, cientes de que nossas crias um dia baterão suas próprias asas sem inclusão dos pais/mães no plano de voo. Nos afogamos em músicas, festas, comédias românticas para tornar a "rotas solo" mais suportável. Nos vestimos com as mais belas cores para nos fazermos mais desejáveis. Mulheres (inclusive eu) usam lindas meias-calças para disfarçar celulites. Buscamos perfeição para evitar rejeição como se o outro(a) fosse perfeito(a). Deliramos com piqueniques em parques de diversões e jantares em arranha-céus, sonhamos com buquês de flores fora de data e beijos fusionais que nos roubem o chão e nos dê um tanto de brancas nuvens. Mas eis que essa é a 'velha nova': estamos realmente sós. Cada vez mais sós, em interações protegidas pela barreira do cristal líquido em burocratizadas trocas de afeto sem mucosas e almas das redes sociais; e ainda sob risco de arbitrários bloqueios. Nos sentimos importantes por tantos convites virtuais de pessoas que nunca vimos e apenas se deram o trabalho de "ticar" seu nome em uma enorme lista de contatos. O monitor é a nova camisinha da Alma. Tomamos pílulas do esquecimento em caixas tarjadas de preto no afã de afastar pesadelos e restos diurnos. "Amanhã é outro dia". E quase sempre, mais um dia de "mais do mesmo". Acordar, ir ao banheiro, tomar café, gerenciar (ou não) uma família e partir na corrida do ouro. Dinheiro, esse que compra quase tudo. E os que pouco ou nada têm, experimentam a exclusão social e por vezes, até afetiva. Falo da solidão, repito. Não disse que o afeto não existe (até porque a definição de afeto é bastante ampla!). Tristeza é coisa que fede. Pessoas entulham de fotos o tal do "Facebook" com passeios mirabolantes, cenários de cinema...mas vai saber por onde anda parte dessas almas...nunca me impressionei achando "uau, como fulano que esta lá na Grécia viajando há mais de um mês tem uma vida fodástica". Quantos amigos verdadeiros ele terá? Vai saber...
Dentre tantas coisas que faço (em um expediente bem multimídia e multifunções mesmo!), vendo livretos
com fragmentos de minhas experiências com a literatura pelas ruas cariocas. Na Lapa, por exemplo, vejo, muitas vezes, olhos vazios feito as faces de Modigliani e risadas movidas à álcool aditivado...não estou cuspindo no prato que como, mas ainda não encontrei uma pessoa sequer da qual pudesse dizer: "Esse parece genuinamente feliz e completo". Eu mesma me visto com meu melhor sorriso para espalhar Poesia, mesmo quando minha vontade é simplesmente chorar seja lá por que for. Nessa Vida que segue repleta de fomes, antes fosse só(!) de comida. Mas queremos mais. Tememos uma velhice desassistida e isolada. Queremos um corpo quente na cama, com ou sem sexo. Mesmo que não seja para todas as noites. Queremos casas compartilhadas com algo mais que samambaias e TVs de plasma de última geração. Queremos estar na Grécia ou mesmo em Petrópolis, que é logo ali (e eu acho lindo!) ao lado de um grande Amor. Dure ele três dias, três meses, três décadas ou até mesmo toda (com muita sorte!) um Existir. Em momento algum afirmo que a experiência do Amor, ainda que difícil, em tempos de cólera e medo da dor, seja algo impossível. Entretanto, acredito que a solidão, palavra tantas vezes repetidas por aqui ( e nem quis achar sinônimos!), é nossa sina mesmo. Podemos amar muito e profundante. Ciente de que sempre existirá algo de "solidão a dois", ou uma solidão coletiva mesmo. Levamos na cabeça sensações e pensamentos inconfessáveis até a sacerdotes. Ao dormir, nossas "cabeças-aquários" estão repletas de peixes e outras criaturas abissais...e como se trata de um "aquário", dificilmente nossos "monstrinhos" vão interagir com os "monstrinhos" de nossos queridos e queridas (felizmente!). Aceitar essa tal Solidão pode tornar o Amor algo bem mais viável, até mesmo um convívio para toda uma vida. Afinal, a cabeça da gente é mais enigmática que Plutão, este que foi banido e segue seu trânsito em volta do Sol segregado dos outros planetas e ainda assim permanece ali...pois que venham as compartilhadas "rotas solos". Dói menos. Eu, que por incrível que pareça, sou uma romântica terminal que aprendeu a duras penas a sonhar com pés no chão, também acredito no "Grande-Enorme-Amor". Só não acredito em metades absolutamente complementares. Ser feliz dá medo. Mas dá para avançar na esfera dos sentimentos "com", e "não apesar" do medo. Medo nos salva de muita coisa. Mas deixemos isso para outra prosa.

Nota da autora: E não, não vou revisar nem editar esse texto. Porque às vezes, até escrever dói.

Claudia Tonelli,
manhã de sábado.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Das explosões.

imagem colhida no google

Da fusão de suores e vontades e mucosas. Pulsão de Vida dos corpos em festa. O encontro, do Aqui e Agora.  Pois que somos movidos por vontades tão humanas...sorriso crescente. Olhar que transborda um momento congelado no ar (de um respirar tão denso e quente). Vontade de rir e chorar, rir e chorar..."la petite mort"... explosão de sentidos, daqueles que nem mensuramos. Pois que dessas pequenas mortes das "Vidas em carnes Vivas", se renovam as Estrelas. Antes mesmo que o Sol amanheça.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pecado.

por Marcos Antunes


Meus grandes pecados foram contra minha natureza. Tentando me adequar em fórmulas e demandas sociais que não cabem em mim. Muitas vezes fui personagem de mim mesma: rindo quando era tempo de chorar, chorar quando era tempo de rir. Depositando confianças incondicionais que me custaram caríssimas. Subtraindo da minha Alma energias que deveriam ser usadas em meu favor. Desses pecados, me quero livre. De roupas que não servem, cores que mascaram, expectativas que não me pertencem,  fantasias que me atrasam,  ilusões que me tiram o chão. Quero solo. Meu ascendente em Touro grita por pés no chão. Nunca fui uma estudiosa em astrologia, mas muita coisa parece fazer sentido. A Libra que habita em mim, signo do meu nascimento, urge pelo belo, mas não o belo óbvio aos olhos: o belo das genuínas interações humanas. O Amor ao próximo, não qualquer próximo. Um Amor livre de vassalagens afetivas de qualquer sorte. Amor se dá para quem quer ser amado. E tem aqueles que a gente ama à distancia, com a benção do desapego, coisa que só então começo a entender. Quero sempre o Amor, com todas as pessoas e coisas, absolutamente nu. Nu de delírios. Nu de (des)enganos. Nu com a mesma pureza com que chegamos ao mundo, posto que nunca entendi a nudez (sobretudo a do espírito) como pecado...pois de tanta coisa que aprendi, ainda não desaprendi a sonhar...

(E ontem joguei tanta coisa fora...)

arquivo pessoal

E tendo a Lua(...)




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Desconecte-se.

um achado

Depois de várias tentativas de comunicação, veio o feedback: "Desconecte-se". Tão dolorido quanto libertador, entendeu (e assimilou), enfim, que algumas experiências encerram seus ciclos por completo, tomando lugar, se muito, nas lembranças. "Desconecte-se". Um incisivo cacófago repleto de sentidos. Aquele amigo de infância não estava mais lá. Tomara caminhos outros. Bem como ela. Esbarravam-se em uma ou outra noitada da "provinciana metrópole carioca", que em tempos de redes sociais, acabam por promover "reencontros situacionais" e só. Um "oi", um tapinha nas costas, "como vai seu filho, Max?", "Bem, e seu novo armarinho no centro da cidade, Mari, você ainda pensa em ser estilista?", "Eu sou estilista há dez anos, Max, o armarinho é só um desdobramento dos meus negócios", "Ãhnn, legal, Mari, legal mesmo"; daí sai Max para pegar outra cerveja gelada no bar e vida que segue...conectando rostos no cristal líquido e blindando almas e corações.

"Felicidade". 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

11 Anos...!!!

arquivo pessoal

Dividindo Alegria: há onze anos, que se completarão em poucas horas, eu me tornava uma pessoa bem  mais feliz!  
Nasceu Letícia, cujo nome significa Alegria. Ela fez meu mundo mais bonito. Ela sempre me faz seguir. E também por Ela, nunca desisti de nada que valesse a pena. Bem como desisti de situações que pudessem nos fazer mal. Tampouco desisti de mim mesma. Não sou aquela que acha que uma mulher só é completa se tiver um filho...mas, no meu caso, sim! Andar de mãos dadas com essa criatura espetacular que D'us botou em minha Vida faz de mim alguém sempre em busca de Inteireza. Letícia merece inteiros, jamais metades. Só de olhar para Ela, rio e choro. Violenta e adorável expressão de Amor. Amor. Amor. Um infinito e incondicional Amor. Só me ocorre uma palavra para fechar essas linhas: Gratidão.

<3



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Carceres mentais.


arquivo pessoal

Algumas lembranças são presentes. Outras cárceres. Há de se ter a habilidade de um catador de lixos para salvar o que se pode aproveitar. Fora o risco de se confundir o que foi reduzido à cinzas com ouro em pó...tô falando de coisa muito antiga mesmo, completamente obsoleta...enfim, percebo, que aquela Claudia "criança" precisa morrer. Eu cresci (?).
Como posso chorar por coisas que nunca me pertenceram? Anelar o intangível? Me fazer ouvir por corações e almas blindadas? Não. Que meu verbo se cale. E mais nada. É o que tenho para hoje. A esperança de ter deletado de minha memória/prisão tudo que não me cabe, como sapatos apertados a destruir meus dedos numa caminhada que é só minha. O destino é a liberdade. Foda-se, já sei da colisão, a inevitável colisão. Mas o caminho pode ser belo. Que venham os efetivos esquecimentos. Hora de "re-parir-me".
(Sigo com a Esperança). 
Maurice Ravel - Pavane for Dead Princess




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ela queria devorar Modigliani.

imagem colhida no google


"Queria comer Modigliani".
Foi com essa frase dúbia que Valentina adentrou o salão de exposições da Mostra do pintor. Falou alto e para si mesma. Foi sozinha, não queria interferências.
Valentina nascera condenada: como uma mulher chegada ao mundo na década de 80 poderia ser tão perdidamente apaixonada pelo artista, ceifado em idos de 1920? Enfim...após um percurso de olhar derramado pelos corredores do museu, saiu suspirante: "Chegamos a existir no mesmo século...que pena que demorei mais de sessenta anos para chegar"...ela não primava pelo juízo.
Às vezes,  gostava de "brincar de pintar". E de forma inconsciente, suas formas tinham linhas alongadas, como se "Ele" soprasse em seus ouvidos: "Deslize a mão para lá,  agora para cá...não tente convencer ninguém de nada...pinte para si mesma...pinte tudo e todos que possam deslocar algo bom, ou até ruim, dentro de você. Um dia você me verá no rosto de alguém, prometo. Não estarei lá, mas você me verá e me sentirá, prometo de verdade". Ela era ciente dessa "esquizofrenia consciente", mas gostava disso. Era seu segredo.
Na mesma noite, após alimentar os peixes de seu aquário, saiu pelas ruas da cidade, subindo as escadarias da Lapa. Queria ver tudo do alto. Deteve seu trajeto no meio do caminho. Algumas pessoas, em roda, pintavam os próprios rostos com guache, numa possível tentativa de imprimir cores em vidas, telas humanas...não resistiu, quis brincar também. Escolheu tons carmins que atravessaram seu rosto de um maxilar ao outro. Percebeu, em dado momento, um rapaz de idade indefinível, fumando um cigarro em um dos degraus. Cabelos em ondas leves, camiseta amarela. Olhos caramelados, pensamento longe. Ela foi logo percebida.
"Oi", saudou o moço de forma lacônica.
"Oi, o que faz aqui?"
"Nada, ou quase nada, como você. Vejo cores. Não sou muito bom com tintas, pode pintar meu rosto?"
Ao fundo, tocava uma marchinha de Carnaval, totalmente fora de época. Era julho. E frio. E com nuvens que ameaçavam um choro iminente.
Valentina não pensou duas vezes: Com tinta preta, cincunscreveu as linhas do rosto dele. Os cinco minutos, quase dez, se deram em contemplativo silêncio mútuo. E tanta coisa já se sabia um do outro, estranhamente, sem que nenhuma palavra fosse dita. Num impulso, Valentina o beijou. No exato momento em que as nuvens desistiram de reter tanta água. Cores e cheiros se misturaram sob as gotas finas que foram se tornando cada vez mais densas, como aquele inesperado encontro. Matizes se diluíram, se fusionaram. A chuva parou de repente. Estavam de novo com os rostos livres de máscaras. Na blusa amarela, manchas vermelhas intensas como sangue. Mas era só tinta, carimbada pelo forte abraço que acompanhara o beijo. Talvez virasse lembrança.
"Tenho que entrar, um dia a gente se vê; moro aqui, ó!" Disse ele apontando a porta de um antigo casarão. E entrou. Valentina ficou ali parada, respiração suspensa no ar...aquele rosto tão familiar...Voltaria no dia seguinte. Como de fato, voltou. Tocou a campainha. Uma (muito) velha senhora atendeu. 
"Ele está?"- perguntou uma quase agitada Valentina.
"Modi? Partiu essa manhã para Livorno. Pediu que lhe entregasse isto."- disse a senhorinha, dando-lhe nas mãos um delicado embrulho. Valentina abriu com mãos trêmulas, enquanto a velha mulher fechava sem cerimônia a porta à sua frente. Dentro do tal embrulho, um delicado gato de louça e um breve bilhete:  "Esse gato não ameaçará seus peixes. E em tempo: nunca acredite em afetos excludentes. Um bacio!"
Nunca mais se viram. E ela derramou um tanto de água pelos olhos, como aquelas nuvens. Sentia-se feliz.

Modigliani




"Taí"





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lembro-me (tanto e muito).

arquivo pessoal

Lembro-me de coisas em excesso. De coisas vividas lá atrás, outras tantas, lá na frente. Muita coisa mesmo. Coisa bonita e coisa feia. Algumas só ocorridas em minha cabeça estranha. Outras, acontecidas no que chamamos “vida” de fato, que melhor seria nunca terem acontecido. Lembro-me muito. Sinto saudade e às vezes asco. Das vividas ou das vividas só dentro de mim, esse estranho Universo paralelo onde experimento dores e alegrias.  Das viagens que nunca fiz para uma ilha, num litoral carioca qualquer, ao lado de um amor imaginado. Das viagens para a Europa que experimentei (na minha cabeça, sempre ela...) ao lado de um grande Amor de verdade. Do Amor grande que senti um dia (mais de uma vez, acho que duas -?-), que de tão grande, foi embora por não caber em alguém tão literalmente pequenina como eu. É que lá dentro, bem lá dentro de mim, é grande demais. Empurra minhas costelas, descompassa meu coração, desvia as rotas da minha corrente sanguínea, me levando sabe-se lá para onde. E eis que, numa grande ironia, o que sempre ficaria no plano dos ‘sonhos sonhados de olhos abertos’ se fez 'real - verdadeiro'. E mais uma vez eu senti falta...de uma das poucas coisas ‘nessa minha vida tão cheia de Vidas’ que conseguiu ser real e imaginada ao mesmo tempo. Tá, não tem nexo, nem é para ter...como as rubricas mais que reais no envelope que o correio me devolveu mais de uma vez. Completamente surreais. Ainda há muito a ser jogado fora. Desapego.  Cansei de tentar entender. Ando emotiva...olho para o xale azul, presente de uma amiga sonhada que também se fez real e já ameaça dizer adeus. Prefiro os “até breves”. Tudo é breve, afinal.



in love with my joy delirious (...)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Foco.

arquivo pessoal


Não, não tenho olhos perdidos.
Apenas "abandonados" ao Devir,
Ao Agora, ah, o Agora!...
Despertos ao Presente.
Eu que amo Presentes...
(Enfim, aprendi...)













quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não sei Nada.

arquivo pessoal


Nada, de fato não sei de nada. Perambulo por minhas esquinas, as esquinas da minha casa. Os cantos da minha sala, o vértice do meu quarto. E quando acho que encontrei todas as memórias perdidas, mais uma lembrança me assalta em forma de "coisa qualquer", seja um brinco vermelho ou o velho vestido franzido com flores grandes desenhadas na barra que eu usava para dormir. Ou pote sem tampa; por vezes, tampa sem pote. O caderno amarelo de receitas da minha mãe com doces que acho que nunca vou conseguir fazer. Não sei como foram parar ali, na quarta gaveta da segunda fileira. Fotos em preto e branco de um moço que já nem reconheço. Rascunhos de cartas que nunca mandei, não lembro para quem eram as tais missivas. Vou me desfazendo de tudo, eu que não sei de nada. Tento repatriar sentimentos. "Isso fica, isso vai". Mas não sei de nada, absolutamente não sei. Sei um pouco dos silêncios que gritam. Não sei o que querem dizer. Uma "tola viajante em minha própria casa, pássaro sem asa(...)". Assumo a melancolia. Já fui romântica. Vou seguindo como dá. Amo em semitons. Ainda amo, que bom. Não sei como, amo. Minha face no espelho não me diz nada. Quase transparência. Até dos carmins em minha boca me vejo cansada. Não sei onde vou, tampouco porque permaneço. Não sei porque escrevo, mas escrevo (escrever não anda me levando muito longe, eu que adoro "Longes"...). Isso me mantém viva. O moço do correio me devolve uma encomenda que outro dia enviei com carinho: depois de três tentativas de entrega, volta ao remetente. Jogo no lixo, para não sentir nada. Não sei porque não chegou às mãos certas. Afinal, sou aquela que nada sei. E sigo escrevendo coisas bobas, tentando achar sentidos. Tudo que vejo são múltiplas direções (Às vezes sonho com um carinho surpresa sem aviso prévio)... Não sei onde elas vão me levar, assumo (eu já disse isso...) a melancolia dos que não sabem. De quase nada. Assumo minha humanidade patética, que sangra na rede. Assumo a ausência de vozes humanas que possam acompanhar minhas tardes. Os latidos se foram, para ambientes mais alegres. O telefone não toca. Nem campainha em forma de visita querida e não esperada. Melancolia cheira estranho mesmo. Não sei. Mas creio no sopro de tempos novos. Que não sei quais são. Sexta vou comprar um aspirador de pó para deixar minha morada impecável, o que me deixa quase feliz.

( Ontem enfim, descobri: não sei quase nada, mas sei que sou feita de Sal)







domingo, 19 de agosto de 2012

Homem Formiga

um achado...

...dorme, Miúdo, dorme
no velho travesseiro herdado
na cama dura que acolhe
tuas horas e minutos sonhados

dorme, meu grande Miúdo
que cá, eu durmo também
envolta por meus lilases
que só te querem o Bem

dorme, que o Sol já desponta
impiedosa é a dança das horas
um novo dia se apronta
na esperança das Boas Novas

vai, enfeita essa Vida
que Ela carece da tu'Arte
esquece toda a mazela
levanta, só faça tua parte

não creia inútil teu canto
na vil corrida do ouro
recolha já este pranto
tua Voz é teu grande tesouro

mas dorme sereno, Miúdo
sonha com as estrelas que brilham
no Porto que sempre aguarda
gigantes de Alma e Estrada

Ao querido Miúdo