sábado, 28 de janeiro de 2012

Sépias (lembranças "su- reais") e saudade, memórias quase inventadas, ficção quase real

arquivo pessoal



A cor que predomina ali, agora, é o amarelo das abandonadas lembranças, nas quinas de um anguloso ateliê. Ali pintei sonhos sem necessariamente empunhar pincéis. Os tons intensos surgiam do meu também intenso Sentir. Ali ecoaram tangos e suspiros. Ali quase foram feitos mais filhos. Ou filhas. Talvez se chamasse Sarah. Talvez Joaquim. Ali registrei músicas e poemas- não os meus, mas os que tomava como se fossem feitos para mim, pois assim são as mulheres despudoradas de tanta paixão. Ali tomei litros de coca-cola. Ali jurei Amor Eterno. Ali também me foi jurado Amor Eterno. Ali fui ao céu de um corpo em festa tocado por mãos habilidosas que pintavam prazer e riso em cada canto meu. Pintura (s)...ali me fiz gueixa e indomável, bela e fera. Ali tudo foi extremo, ternura e tormento. Ali dancei cantigas que só tocavam em minha cabeça. Ali me postei de joelhos, não para rezar...para amar com a devoção dos entregues amantes. Mel e fel transitaram em mim. Ali me perdi em ciúmes meus e dele, dele e meus. Ali me rebelei em direções erradas, mas também comi jujubas e geleias de maracujá. Ali brinquei de fazer cinema com meu "Pop Star". Ali descobri que a pimenta pode virar doce. Dali desci para caminhadas à beira mar. Ali ofendi e fui ofendida, amei e fui amada. Mais amada que ofendida. Ali brinquei de modelo para um único olhar, com fotos que jamais serão compartilhadas, senão com nossas-minhas memórias. Ali tinha entre braços, pernas e coração um menino que adorava jujubas e tinha cheiro de xampu de criança nos ralos e suaves cabelos. Ali travei longos diálogos com olhos falantes de azeitona- amêndoa. Ali tive a proteção de pesadelos com o toque de um queixo marcante em minha nuca quando o medo de adormecer me assolava. Gozei e chorei. Mas não esqueci. Talvez tenha imaginado grande parte dessas linhas, talvez não...a distância grifa as melhores lembranças. O espaço não é mais o mesmo. O cavalete não está mais lá. Nem o abajur emprestado por Ele. Nem a vontade de desenhar. Pode ser que a vontade volte, pode ser que não. Pode ser que Ele volte. Pode ser que não. Minto(?), uma vez mais: Ele sempre voltará, em minhas quase inventadas lembranças. Isso é o que há de mais Real em meus registros que, a cada dia mais longes de mim, vão se transformando em história revisitada quando a chuva parece reproduzir aqueles acordes tão meus (também gosto de acreditar que eram só meus, mas meu Pop Star sempre foi e será um cidadão do mundo)...ah, como são egoicas as paixões demasiadas...
arquivo pessoal



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Tiro de misericórdia.

les larmes

Não foi com um tiro. Mas ela matou. Matou o seu Grande Amor, chorou até fazer lago. Matou para que Ele pudesse Viver. Matou para que Ela pudesse Seguir. E assim, não seriam infelizes para sempre... ainda que não esquecessem. 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Imoral apreço por sapatos (Mulheres!)

arquivo pessoal, foto de Luiza Novaes

Depois de um fim de semana que acabou com uma recaída em meu (aff!) transtorno do pânico, nada como uma conversinha profunda como água na canela para relaxar.
Amo sapatos. Mais que roupas ou qualquer outra parafernália do universo feminino. Claro que curto outras "tralhinhas" que nos fazem sentir mais bonitas. Claro também que, raramente, alguém, sobretudo meninos, percebem o esforço para estarmos mais belas, mas essa é uma outra história. Nos cuidar, sobretudo para nós mesmas, é tudo de bom.
Aos sapatos. Tenho muitos, considerando minha singela condição financeira dentro dessa louca cadeia alimentar em que vivemos. Talvez por isso eu goste tão loucamente deles (os sapatos) : Tenho a sensação de que, ao vestir meus diminutos pés com beleza, cresço e piso mais firme, onde "Quem Eu sou" seguramente há de ser mais importante do que "O que Eu tenho". Enfim, pequenos rituais e manias que nos ajudam a seguir em frente. Amo sapatos (não canso de repetir, pois eles não me causam decepções amorosas!) como quase toda mulher. Qualquer trapo ganha outro brilho quando a tal "base" está firme. Um dos meus prediletos está todo arranhadinho, mas nada que uma graxinha não resolva. Adoro aquele lacinho dourado...só não é mais bonito que meu vermelhão, adorável presente que ganhei da Elza Maria n'outros tempos.Ah...Elza. Minha irmã mais velha perdida no tempo e nas loucuras familiares...claro que às vezes, sinto falta dela.  Sapatos (que imoral/amoral!) quase que me supre de quase toda e qualquer carência afetiva...

arquivo pessoal

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vassalagem Afetiva

arquivo pessoal

Não há nada mais degradante. O amor/paixão/afeto/namoro/rolo/casamento acaba, por uma das partes envolvidas, e uma dessas partes simplesmente não assimila. Os motivos não são os mais importantes nesse dedo de prosa, pode ser qualquer um.  Não sei se estou sendo tendenciosa, mas no caso das mulheres, o que se sucede me parece particularmente degradante.  Não há nada mais terrível  que o clássico “Fica comigo, por favor!”! Quando fazemos do “outro” nossa pátria afetiva, temos a imensa chance de ficarmos sem chão.

Só se sabe amar “bonito” quando sabemos, ou aprendemos, a ser nosso próprio solo, nossa própria casa, nosso próprio porto seguro.  Nada cheira mais mal (e mau!) que carência. Ninguém tem paciência para demandas emocionais infindáveis. A vassalagem afetiva é muito bonita nas músicas. Na prática, a vassala, ou o vassalo, é uma verdadeira mala. Eu já fui dessa espécie, e romântica que sou, devo estar atenta para não cair na mesma cilada.  Finais de romance sempre envolvem “faturas subjetivas impagáveis”, simplesmente não dá para seguir sem o ranço do ressentimento. E ressentimento é como pá de cal sobre uma plantinha. Ela nunca vai ficar verdinha. Ela morre e pronto.  Padece. Já chorei mais de uma vez por histórias de triste fim, mas seguramente, creio ter atingido minha cota. Posso até chorar de novo, mas me recuso a implorar a atenção de alguém (fiz isso outro dia!). Chorar é saudável e luto faz parte de qualquer processo de superação. Ficam as músicas, os pequenos mimos trocados ao longo, os filmes e tantas outras referências contando que alguém foi feliz... e basta.  Não adianta insistir em “revivals” e “trepadinhas sociais” na vã tentativa de recuperar algo. Chances mínimas. Pior que louça quebrada. É como se quiséssemos dar conta de uma “pintura” inacabada. Ela acabou. Era “ali” sua última pincelada.  Um movimento de tinta suspenso no ar, um último acorde dissonante... é isso mesmo. Finais coerentes só existem em filmes. Alguns filmes. Nos melhores, ficamos meio sem entender... como na vida, onde entender é menos importante que seguir em frente.  O Grande Sentir (ando com um certo medo da palavra amor...)  me parece cada vez mais obsoleto. Mas o amor próprio...esse nunca sairá de moda. 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Juízo (poeminha em livres versos)

arquivo pessoal 
"Um dia crio juízo"
por agora vou criando poesia
tecido em estampa fina
frágil como minha anatomia 
pequena em Tamanho
grande em Sentir
me banho no encanto 
do meu estranho "Existir"
sem juízo
sem pejo
não mais agonizo
nos inúteis apegos...



sábado, 14 de janeiro de 2012

Presente.

imagem colhida no google


Sonhava com uma vida sem acidentes,
descobriu que viver não era preciso
e que estar Viva é o maior presente...