sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Apagão ( e Luz...)



Desabei em cansaço. E olha eu aqui falando de novo de Amor...e não falo de lembranças românticas editadas, ou "quase ficções", ou o que se queira entender nesse sentido. Falo do Grande Amor. Da Vida que gerei dentro de mim há dez anos atrás, minha filha. Minha Letícia. Ainda que não seja rigorosamente minha, lembrando as palavras de Kahlil Gibran:

"Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. 
Vêm através de vós, mas não de vós. 
E embora vivam convosco, não vos pertencem. 
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, 
Porque eles têm seus próprios pensamentos. 
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; 
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, 
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável."

Pois é...essas palavras me dizem muito. Sou mãe...quando a digo "minha", falo em Amor mesmo, não em propriedade. Falo da obrigação que tenho, pois assim escolhi no momento em que a gerei, de prepará-la para a Vida e gerar possibilidades mínimas para a concretização de seus sonhos e projetos em construção. É uma menininha "quase mocinha" de dez anos. Daquelas repletas de talentos e sensibilidades que não são visíveis apenas aos meus olhos maternos, mas aos olhos de quem tem a sorte de conhecê-la, pois conhecê-la é uma sorte sim! Tê-la em minha Vida é uma benção que dinheiro nenhum no mundo pode mensurar. Mas também vale lembrar que não vivo (e nem quero) em uma sociedade alternativa onde pão e água bastam para se ter uma vida plena. Sei que grana é necessária para tocar a vida e ponto.

Sobre o apagão (eu que desabei em sono feito pedra)...passei os últimos meses pensando em como driblar uma crise material que já se desenha há tempos, entre altos e baixos. Ela não pôde continuar na escola que estava e eu não quis apelar para a rede pública por razões das quais acho que não preciso nem quero justificar. Minha "aluna nota 10" (por mérito, não por exigência) quer bastante de sua existência. Quer fazer diferença. Tem ideais só dela. Pensa em um dia ir para o Bolshoi , estudar em esquema de internato (olha como tenho que treinar meu desapego!) e rodopiar sobre suas hábeis sapatilhas. Quer ecoar sua linda voz por aí, nasceu mordida de arte...quer estudar muito, quer abraçar o mundo com força, agora deu para dormir com seu violão como se fosse um ursinho de pelúcia...e eu quero estar ao seu lado fazendo-a acreditar que, mesmo não sendo fácil, não é impossível. Pois sim...corri sobre brasas. Redigi e revisei manuais insólitos de "furadeiras" e afins para além da conta, vendi poesia, escrevi para outros, fiz de um tudo para gerar receita. Agora voltarei aos meus doces, sem abandonar a palavra escrita e dita. O vil metal deixa a vida menos vilã, fato. Posso estar parecendo ou sendo prolixa nesse texto...acabei de acordar, desabei bem antes das dez da noite. Ontem consegui o restante necessário para matriculá-la na escola, e também a taxa mínima do novo ballet (taxa mínima- bolsista por teste de aptidão!) onde ela vai agora encarar a tal sapatilha de ponta no meio do ano, e não foi pedindo esmola. Achei que não ia conseguir. Tive quem me apoiasse de várias formas. Meu "pai afetivo" Lucito, alguns bons amigos que me viram chorar, Luiza que levou minha pequena para sua casa para brincar e poupá-la de minha adrenalina na corrida contra o tempo nesses últimos dias...Alan me apontando a trilha dos doces que podem virar dinheiro (esse me apoiou de várias formas, independente de nossas "semelhanças-diferenças"), Leandro que também me viu chorar e atravessou o túnel de um bobo divisor social carioca para me injetar ânimo e me fazer companhia em noites de poesia vendida honestamente... e outros nomes que tornariam esse post um tanto extenso(mas não muito....). Mas quero em tempo agradecer meu psicoterapeuta, o Sérgio Mello, que me ajuda a caminhar em solos concretos sem pirar. Não sou a mulher-Maravilha. Achei por um momento que perderia o chão sob meus pés. Mas o chão continua aqui, bem como um longo caminho a trilhar. Ser "pãe" é tão bom quanto trabalhoso. E mais uma vez não cabe uma reclamação. É mais um fato. Venho dando conta há uma década, e vou seguir conseguindo. Quando cuido de mim, estou cuidando dela. Simplesmente, não posso deprimir. Deitei cedo para "dar uma descansada" e só fui abrir os olhos, sem noção do tempo, depois das cinco da matina. 

Minha nova meta é uma nada singela nem econômica lista de livros e materiais que tenho que dar conta em uma semana. Ela começará o ano letivo com seus cadernos (um deles novo, presente da Luiza, capa da Capricho -um "capricho", presente dado de coração, coisa de meninas!!!), mas começará!!!


Em algumas horas, estarei abraçando minha filhinha de novo. E sem lágrimas, acho que desidratei de tanto chorar nas ultimas 72 horas...rs...minhas forças estão renovadas. Para o trabalho, para a luta, para a lúcida esperança. Mesmo que às vezes me dê um embrulho no estômago e um nó no peito. Eu desembrulho, desato e sigo...pois assim são os grandes Amores...

Antes que me perguntem se ela tem pai, respondo: tem. Mas essa é uma longa e desnecessária história para se jogar na rede. Quero manter meu bom astral.


Beijos dessa escritora que vos fala. Bom dia!

10 comentários:

  1. simplesmenteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee lindooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. amei..me emocionou d vdd, txt feito de coração para pessoas q tudo q fazem são tbm de coração

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  3. Linda filha... Lindo amor!
    Beijos... Às duas!
    ;)

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  4. Siga em frente Claudia. Sei como é complicado cuidar de mim, imagine cuidar de vc e dessa joia que eu amo aí!

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    1. Seu carinho é por demais relevante, minha lindeza de Me-Nina!

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