sexta-feira, 16 de março de 2012

E ela acordou...

Foto de Luiza Novaes


Bob Dylan!

Depois de litros chorados, encharcando de lenços às cortinas, passando por lençóis e toalhas, bem como mangas de camisas, ela acordou estranhamente lúcida. Sobrevivera. Ele enfim se fora suas dementes esperanças. Percebeu que não há dor (pelo menos de amor) que fosse eterna. Não se arrependia das vezes que implorou perdão até do que não entendia como dolo, ao menos fora ao limite do seu sentir. Acordou leve, parecia até mais magra. Só parecia, pois seu apetite pela vida foi voltando ao desejável sem que mesmo percebesse.
Entendeu ainda que não era vilã de nada, que essas divisões de papeis só cabiam em folhetins. Ela errou, Ele errou, Eles erraram. Não os mesmos erros, mas não há como viver sem errar. Quando erramos novecentos e noventa e nove vezes, ao menos descobrimos novecentos e noventa e nove formas de "como não fazer". É como nos aproximamos do êxito. Tentando caminhos mais concretos, sem confortáveis pavimentos. O melhor caminho raramente é o mais fácil.
Ela estava livre. Não cabia mais remorso, pedidos de clemência, papel de bandida ou louca, tampouco acusações contra Aquele que por um tempo foi o oxigênio que lhe faltava...
O ar sempre esteve ali. E também a possibilidade do recomeço, que é sempre uma trilha particular e intransferível, compartilhada ou não.
Ah, ele também errara...não que isso a fizesse feliz. Até gostava mais dele, agora sem o ópio da paixão. Isso o tornara mais humano diante dos olhos dela. Era um homem bom. Mais não era um super-herói. Manteve a gratidão dos tempos bons. Não foi em vão.
(Parou de acreditar em super-herói e também de tentar ser uma super-heroína).
Viver ficou um pouco mais fácil.

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