terça-feira, 13 de março de 2012

Medo? Vide as formigas!

arquivo pessoal.


Tanta coisa dá medo. Medo de caminhar sozinha, medo de nada dar certo, medo da inveja sobre nossos possíveis sucessos, medo de cair...medo das pessoas que parecem gostar de nós, medo de dividir caminhos, medo do apego, medo do desapego, medo de ser esquecida pra sempre, medo de não ser boa mãe, medo de não ser boa filha...medo de ser uma eterna escritora virtual, de não ir além dos livretos que vendo pelo Rio a fora...medo de não esquecer nunca o que precisa ser esquecido, de lembrar aquilo que só pode trazer dor...medo de envelhecer sem ter realizado um quinto dos meus anelos...medo do desamor, medo da dor...medo da verdade, medo da mentira, medo da fantasia, medo da realidade...medo dos que te abraçam querendo te apunhalar, dos que se distanciam por medo do impulso de abraçar...medo das saudades que parecem que não vão passar...medo de desabar...medo da exclusão afetiva, medo do preconceito, medo da miséria...medo do velho e do novo...medo do mofo, das idéias fixas que atravancam passos. Medo de afogar, medo de queimar, medo do medo do medo...
Sábado observei o trajeto das formigas. Lá no parque Lage, onde estava com minha filha. Aproximei minha camerazinha e elas continuaram seu curso, aparentemente alheias a mim e sem medo. O outono está chegando, elas carregavam várias folhinhas e outros fragmentos, comida talvez, pedaços de líquens, enfim...não pareciam ter medo algum, dividiam o mesmo caminho, não tinha segredo, não tinha receio da tal inveja...às vezes, se esbarravam em um contra fluxo e seguiam mesmo assim. Bravas e doces. Pareciam dançar. Estavam comprometidas com a Vida, e não com o medo. O que me leva a crer que o grande antídoto deve ser o foco...e a solidariedade das trilhas divididas. Ação: juntas são muitas, e muitas podem mais...

Tenho muito que aprender com as formigas (Sobretudo a confiar mais...tenho medo dos que desconfiam de tudo, imagino que projetam seu próprio modo operante...mas essa é uma outra história).

Tenho medo de não ser feliz um pouquinho mais que já sou...muito medo...que venham novos ares. Minha melancolia torna a rota mais pesada. Não sou, percebo nesse momento, uma melancólica resignada...

Vide formigas:
http://www.youtube.com/watch?v=gYBW3ZB9Aho&feature=youtu.be

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