segunda-feira, 19 de março de 2012

Parir-se mãe.

grávida !


Dezoito de março de dois mil e doze. Minha filha faz dez anos e meio. Gosto de comemorar meses, dias, horas, em que essa mocinha me pariu mãe. Minha vida não é um conto de fadas, mas uma fadinha mora nela, e é de carne e osso. Minha pequena-grande Letícia.
Ela nasceu as dezenove horas e quarenta e dois minutos do dia dezoito de setembro de dois mil e um, depois de dezoito horas após a ruptura da bolsa, de parto normal (?), sem analgesia. SUS. Entre altos e baixos, ali também nasceria uma Claudia mais forte, acumuladora feliz de papéis na vida dessa mocinha. Ela está ficando mocinha...
Nasceu na Pro-Matre, entre estagiários que dividiam uma pizza enquanto eu gemia de dor e expectativa, no coração do Rio de Janeiro.
Meu espanto ao vê-la sair de dentro de mim levou minha voz. Chorei um choro que bastava em si mesmo, indefinível, nas horas seguintes ao seu nascimento.  Olhava para ela com espanto, ao lado do mini leito anexo. Não tinha berçário. Dava de mamar quando ela chorava e trocava fraldas de modo instintivo. Um espanto que se prolongava, em meu quase indefinido sentir. No dia seguinte de uma noite em claro de contemplação/assimilação, uma enfermeira a leva para "exames de rotina" e diz que não posso acompanhar, será em um setor mais estéril, dado o parto prolongado e o índice de Apgar 6/9, terá que ser submetida a mais algumas avaliações. Ela quase entrara em sofrimento fetal dado o prolongado processo de ver a luz...
Pirei. Como assim, levariam minha filha? Como assim, eu não poderia estar perto? Ali, vi que definitivamente, não viveria mais sem ela em meus dias. Ali, "pari-me" mãe por completo. Fiquei na porta que me separava dos exames que nunca me foram explicados, me pareceram séculos. Imaginei-a querendo leite, não suportava a ideia de, ali, alguém trocando-lhe as fraldas que não eu. Eu parecia uma leoa. Era minha, toda minha, minha carne, meu coração, minha vida, minha rosa dos ventos que um dia trilhará caminhos só dela em passos de bailarina...quando foi devolvida aos meus braços com um "tudo bem", chorei de novo. Foi nosso primeiro reencontro, expressão máxima do meu Amar. Não sei como vivi quase vinte e oito anos em ela...esse amor que não perece...esse Amor a prova de tudo. Esse amor que me faz melhor. Não sou perfeita, mas amo em demasia, um amor que nunca é demais. Olho para ela e me pego emocionada até hoje, em momentos diversos. Hoje ela me lembrou que idéia se escreve ideia, perdeu o acento, segundo o acordo ortográfico. O tal índice de Apgar não a afetou em nada. É perfeita, lúcida, inteligente, sensível, amiga e linda. Enfeita meus dias quando tudo está cinza. Enfeita todo o meu existir. Dá vontade de chorar agora mesmo, só de pensar...
Sabe que agora é ela quem pinta minhas unhas? E as dela também. Caminhamos juntas. Dormimos abraçadas, às vezes, lado a lado. Às vezes, em nossos quartos colados...mas quase sempre, absolutamente juntas. Fico feliz de ser amada por ela. Tenho a maior sorte do mundo, que nenhum dinheiro pode comprar. Sou milionária desse Sentir...
Quero que ela cresça dentro de suas plenas verdades, que erre seus próprios erros e tenha em mim  seu colo vitalício. Quero comemorar suas vitórias e comprar seus sonhos tangíveis. Quero-a livre. Os livres sempre voltam. Só prisioneiros fogem...sinto-me profundamente grata por minha irreversível condição materna! Amor maior que Eu.

Alegria!

3 comentários:

  1. Parabéns a sua filhinha, Letícia Tonelli:
    Aqui vai um poema em homenagem à ela:
    O Sonho - Clarice Lispector

    Sonhe com aquilo que você quer ser,
    porque você possui apenas uma vida
    e nela só se tem uma chance
    de fazer aquilo que quer.

    Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
    Dificuldades para fazê-la forte.
    Tristeza para fazê-la humana.
    E esperança suficiente para fazê-la feliz.

    As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
    Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
    que aparecem em seus caminhos.

    A felicidade aparece para aqueles que choram.
    Para aqueles que se machucam
    Para aqueles que buscam e tentam sempre.
    E para aqueles que reconhecem
    a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

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