segunda-feira, 5 de março de 2012

Qualquer nota.


por Claudia Cristina Tonelli, pastel seco sobre canson


Talvez ela se transformasse em poeira de tapete
só para que ele marchasse sobre ela
e o calor dos pés muito brancos
aquecesse seu corpo em pranto
Talvez ela se transformasse em um livro velho
perdido na estante dele de velhos desencantos
e sentir de novo seus dedos a vasculhar seus recantos
Talvez ela se transformasse em jornal velho no canto da cozinha
e servir de embrulho para um maço de alecrim ou algo assim
e sentir de novo o toque a lhe fuçar a pele já sem o cheiro do jasmim
Talvez ela se transformasse em escada
só para ser pisada, e pisada, e pisada, mesmo que para nunca mais ser lembrada...
apenas permanecer existindo sob seus pés de música e estrada...

(Ou pote
    Ou Sacola
       Ou bloco de notas
            Ou resto de doce no fundo do tacho
                   Ou camiseta velha em um canto do quarto
                       Ou poeira de estrelas a seguir o seu rastro...
                                    Ou ainda tango inacabado, de acordes  no ar
                                                                     Ou nada, nada, nada, nada, nada, nada.........................)

4 comentários:

  1. O que não existe, nao existe. Tudo existe. Mesmo que revertere ad locum tuum. Sao Joao Batista, portao principal. Alguns de nos nunca passarao ali. Existe todo um mundo la fora de sete bilhoes de pessoas, e a cada segundo aumentando. E alguem entre alguens que ha de amar outro alguem de coraçao simples e corajoso.

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  2. Adorei Claudia, estive visitando o Blog do Alan, e acabei encontrando o seu. Belezura! um bom design e ótimos textos, muito bem elaborados de qualidade. realmente muito bom!

    beijos

    Gislaine P.E

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  3. Volte sempre! Vou ter o prazer de passear em seu espaço literário também :)

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