sexta-feira, 27 de abril de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tanta Mentira/algo de niilismo

imagem colhida no google


Não acredito mais em minhas mentiras.
Não sou moça fina de carinhosa família.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não serei mais amada por lindas mobílias.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não sou mais a mais bela da história de amor.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não passo de alma dentro de um isopor.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não terei as formas que Ele sempre sonhou.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não tenho mais nada além do que me sobrou.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não tem mesa posta de manhãs sorridentes.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não levei nada além de seu ódio entredentes.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não tenho nem conto de um belo fim.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não sinto outro gosto, só fel guardado pra mim.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não sou dona do Mar que me fazia menina.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não quero a ilusão dos azuis do Marina.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não espero algo além de umas palafitas.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não quero delírios como parasitas.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não quero tanto além de poder estar viva.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não vou me cansar com quem sempre duvida.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não há arco-íris a me esperar.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não há outro modo, senão caminhar.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não quero morrer de tanto sonhar.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não quero senão verdade, ainda que doa, a me guiar.
Não acredito mais em minhas mentiras.
Não sou de Arte pouca, ainda que com muito lutar.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fora do ar.

arquivo pessoal

Caneta e papel, vou seguir rabiscando assim o meu pensar. Um tempo fora do ar. Doces para enrolar. Tempos outros. Qualquer hora (quem sabe) volto a sonhar. Deixo aqui mais de cento e cinquenta textos pra quem gostava dessa casa rosa. Até qualquer dia. Quem sabe?

delirium erat...

arquivo pessoal

Foi sim, um sonho.
Nunca houve.
Nem sorvete.
Nem beijo.
Nem vestido banco de listras vermelhas.
Nem refrigerantes na Angrense.
Nem o adormecer de insones contentes.
Nunca houve.
Nem corpete.
Nem queijo.
Nem mel de abelhas.
Apenas desejos "nonsenses".
Nunca houve.
Um amor.
Uma dança no quintal.
Um gorro de lã no Inverno.
Houve dor.
Uma dor Infernal.
Apenas um encontro acidental.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Goiabada.

arquivo pessoal
Nem goiabada,
nem geleia
nem marmelada...
apenas um doce queimado
de quem (nunca) não soube (como é) ser (bem) amada.

Marisa canta "Depois" (lindo!).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Fujona.

imagem colhida no google

Aos quinze anos, Olívia costumava sair de seu curso de inglês e adiar ao máximo o encontro com a família. Dava uma fugidinha, sempre esperando que algo de novo a encontrasse na volta. Andava pelas ruas da Tijuca, entrava em lojas de departamento, provava belos vestidos sem o assédio de vendedoras de boutique. Quase sempre, tomava uma ruazinha qualquer, menos transitada, para fumar escondida de possíveis conhecidos. Nunca fora pega. Tomava um sorvete no Bob's, e, cabeça não raro esvaziada de pensamentos, andava como se suas pernas fossem autônomas. Nem sentia o sorvete escorrendo por entre seus dedos. Eventualmente, encontrava um amigo da escola a passear com a família. "Oi, Olívia, como estão seus pais?", ao que ela respondia com um lacônico "bem". E Olívia seguia caminhando, já com a cabeça não tão vazia. Imaginava sua velha mãe na cozinha preparando deliciosos quitutes, enquanto a mesa era posta pela babá que já virara um membro da família. O cheiro de anchovas recheadas inundando o apartamento tijucano. Músicas do velho LP "Ritorna" ao fundo. Na sua escrivaninha, um bombom trazido por seu pai depois do trabalho. Sua irmã mais velha lendo um romance de banca de jornal, seu irmão mais velho chegando com as três sobrinhas...quando adentrasse a casa, receberia um abraço, perguntariam por onde ela andara, só faltava ela para servir o jantar...tirando essa última parte e o bombom sobre a escrivaninha, todo o resto era real, somado ao esporro por ter esquecido de passar no mercado e levar o molho de pimenta. Cinco anos depois, fugiu para sempre. Nunca a encontraram. Viveu perdida pra sempre.

(Só se encontra o que se procura).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Correntes e cortinas...

imagem colhida no google


Não as tenho.
Não tenho correntes.
Lancei-as ao Mar.
Nem rimas tenho.
Tenho uma Vida a tocar.
Tenho sim, Rosas Intactas.
Tenho meus cant(os)eiros a regar.
Tenho pés para caminhar.
Para além de "Vias Lácteas"
que acolheram meus sonhos vãos.
Para além dos circunscritos afetos
que jorram o fel de um vulcão.
Para além de velhos rancores,
tenho um coração aberto.
Para além de sonhos,
mantenho meus olhos despertos.
Não sou prisão nem escuridão.
Meus nós são de cetim,
(quando assim quero)
atam minhas cortinas
Me protegem da solidão    ...e de dedos em riste...
Minha cor é carmesim
Tenho ares de colinas...


(Transito, hoje, entre o vermelho e o azul)

Conheci verdades com dores de parto, e renasci mais forte. Novas telas (minhas) adornarão minhas paredes. Elas não me assustam mais.

minhas cortinas
Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

(Grande Paulinho Moska)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Os guardados da Casa Rosa-para quem quiser.

arquivo pessoal

Guardo tanta coisa por aqui que um dia quero dividir, fazer virar livro...claro que nem tudo que produzo está aqui...na verdade, já divido, o blog é público, os comentários são livres de "aprovação do autor", embora eu não critique os autores que botam um filtro, com tanta gente doida nesse mundo. Talvez eu adote isso em algum momento, sou aberta à mudanças. Gosto dessa casa rosa, mesmo guardando não só flores e cores, mas fantasminhas também. Uns camaradas, outros nem tanto...mas tudo aqui é parte de mim. Os "parí" um a um...havia tempos em que eu, após minha escrita, fosse ela prosa ou poesia, colocava links nos murais de meus contatos da rede social, as vezes mandava "inbox"...a rede social foi um caminho, não dos mais eficazes, de divulgar o que faço muito mais por gosto que qualquer outra coisa...ainda faço isso, tem gente que gosta, mas faço bem menos...com isso, ganhei a simpatia de uns e umas boas pedradas de outros...cheguei a receber de uma "roteirista muito gente boa" o seguinte toque: "Para uma escritora, te falta muita estrada, seek therapy honey, não é uma boa técnica de marketing invadir o mural dos outros"(sic). Talvez ela esteja certa, o que questiono é o discurso gratuitamente desqualificador. Não, não me falta estrada. Na verdade, há sim, muita estrada a ser trilhada. Muito a aprender e a caminhar. Não sou um gênio...sou alguém que pensa e cria em voz alta. Sou apaixonada pela Arte. Pelas cores, sons e cheiros que me cercam. Sou aquela que queria ser escritora quando crescesse. E fui (apesar de ainda estar crescendo.)...acreditem ou não, eu que não tenho mais saco de provar nada, passei uns dez anos de minha vida salvando cronistas em crise de fluxo criativo e ganhando uns trocados. Não vou cuspir no prato que comi, pois essa atividade colocou os melhores pães em minha mesa. Esses, que não foram tantos, cronistas, nunca contaram o caminho das pedras. Na corrida do Ouro, cheguei à conclusão que é meio "cada um por si" mesmo... mas escrever coisas minhas, sem mímese, sem a obrigação de ser genial, foi libertador. De tantos defeitos que levo comigo, não está a falta de ética para com que trabalhei. Nunca vou procurar um trabalho dizendo assim : "...olha, já escrevi para fulano de Tal, pra Sicrana também..." isso sim, eu acho muito feio...e não vou enviar arquivos provando a "anterioridade" de nada. Pra ninguém. Uma vez "vendido" um texto, prefiro entender que ele não me pertence mais. Os vejo por aí, recebendo aplausos, e me basta saber que cumpri meu compromisso. Ninguém me obrigou a ser "ghost writer". Uma oportunidade puxou a outra, e fui até onde deu pra mim. Não tenho o português mais "fodão" do mundo, meus textos passavam por revisores, tanto quanto o de qualquer escritor estabelecido.

Hoje vendo livretos pelas ruas da cidade e faço uns docinhos pra fora. Livretos com meus textos, sem a pretensão de ser uma "Clarice Lispector". Ser a Claudia Cristina Tonelli, ou Claudita, já me é de bom tamanho, eu e minhas inspirações pueris. Alguns podem achar que estou resmungando, mas não estou, e também, todo mundo é livre para achar o que quiser. Se eu for tachada de maluca, não será a primeira, tampouco a última vez...não há Arte sem um "quê" de loucura consciente, sem algo de alegria e um tanto de dor de parto, e nisso eu acredito muito. Tem uma personagem em meu blog, com mais ou menos uma dúzia de aparições, chamada Justine. Um dia, ela vai virar romance. Ou não, mas vou continuar escrevendo sobre ela...sobre essa personagem, outro dado curioso: quase sempre tenho que explicar que "ela não sou eu e eu não sou ela", confesso que às vezes me cansa. Mas dela ( a "minha Justine"), eu gosto muito.

Não sei mesmo como fazer ecoar meus escritos para além das calçadas e desse cristal líquido, não tenho "agentes" e "marketeiros" a meu serviço, como já me foi sugerido. Não tenho grana, só tenho gana, que não deve ser confundido com ganancia...outra coisa "bonita" que já ouvi é que minhas fotos nos livretos vendem mais que o conteúdo.  Mas também já me vi surpreendida por pessoas verdadeiramente geniais que voltaram a escrever coisas lindas depois de ter lido algo meu...isso faz valer a pena, isso me deixa realmente feliz. A Arte com agente revelador do outro, a empatia que ela pode gerar. Eu, aqui, miúda, saber que "desloquei" algo dentro de um ser humano...não tem preço. E não foi por fotos, não sou nenhuma Diva. Sou uma "menina" beirando a quarta década e correndo sobre brasas antes que meu tempo se acabe. Fato: Fosse eu uma adepta da "política de alcova", algo a mais teria acontecido (Pelo menos no meu caso, que não sou uma "mega-bem-relacionada-a lamber-os-rabos-certos. Mas não sou). Não foi por falta de propostas claras... tampouco sou puritana: doar algo de mim, do meu corpo, da minha alma, só o faço quando e para quem eu quero. Sou movida a afeto. Algum afeto ou nada. Sem afeto não saio nem de casa. Gosto de ver a cara de prazer das pessoas que comem meus doces (literalmente, meus doces, de mousses a brigadeiros de potinho). E também um sorriso de canto de boca quando vejo alguém lendo algo meu numa calçada de bar. A sensação é a de estar dividindo algo bom e palatável, no amplo sentido. Minhas obras. Minhas/Nossas obras. Sempre por aqui e por aí pra quem quiser.

Sobre esses guardados...são guardados abertos à visitação, caso contrário não estariam em um blog. Em 2011 escrevi um bocado. Inspirada por ganhos e perdas que me pareceram amputações, amputações que ainda ardem e se apaziguam quando ganham roupagens poéticas. Perdas que adentraram 2012, que seguem ardendo- muito!-mas a caminho de uma já tardia cicatrização. Andei me recolhendo bastante, fiquei uma semana inteira sem botar a cara fora de casa há bem pouco tempo, me permiti ao choro intenso e a autoanálise. Quantas dores não inspiraram obras boas? Não vejo nada de insano nisso. Também transbordo alegrias e conto histórias que só existem na minha cabeça, outras com um bocado de realidade. Estórias, para os mais puristas da palavra. Vou continuar escrevendo. Se uma única pessoa ler esse texto até o final, sei que continuo fazendo alguma diferença. Todo mundo é igual e diferente...Todo mundo sente, em diferentes estradas...

Sobre o conselho da tal "roteirista"...tenho o melhor therapist do mundo, que não me deixa afogar, e não é de hoje. Que percebe em mim minha grande vocação pra ternura. Que acredita em meus caminhos...e que sabe que não vai ficar rico me atendendo...como disse, tenho mais gana do que grana. Até aqui. Dinheiro só nos faz viver com mais tranquilidade, mas não nos faz melhores. Essa tranquilidade me interessa sim, pois em tempo, também não tenho vocação pra hipocrisia. Sigo pagando meus preços de "pensar em voz alta".

Dom Quixote (Acústico MTV)

sábado, 14 de abril de 2012

Indoor...

arquivo pessoal


Fez-se rosa
Toda prosa
Poesia
Pequenina
Grandiosa
Sonhos vãos
e vêm também...
Fez-se rosa,
e de canção,
Cirandas de roda...
Sua casa
Muitas cores
Fora dela
Mil temores...
Dentro dela
Mil amores...
Impressos
só em lembranças
De seus tempos
de criança.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Do fim de uma vida qualquer.

imagem colhida no google

A mulher, nem tão jovem, nem tão velha, e até onde se sabe, sem filhos nem ninguém, fora encontrada morta em sua casa na companhia de seus três gatos. Vestia um vestido marrom, e embora, segundo a perícia, o óbito já contasse com pelo menos cinco dias, ela não apresentava sinais de putrefação. Quem a descobrira fora a idosa vizinha que, uma vez por semana, entregava-lhe uma remessa de pães de queijo caseiros. Encontrou a porta aberta, gatos de olhos tristes e, por consequência, a morta. Providenciou um enterro rápido, era caridosa a tal vizinha. Acendeu uma vela, sua única companhia durante o velório, além do homem que vendera o caixão. Levou de volta os pães de queijo, que eram seu ganha pão...O agente funerário ficou ali,  em respeito à defunta, esperando que apagasse a chama da única vela a fazer companhia ao corpo quase sem história. A vela resistiu bastante, em sua generosa e precária doação de luz. Tão logo a luz se desfez, o corpo enfim começou a apresentar os primeiros sinais de deterioração. Foi rapidamente removido e enterrado. A mulher sem história esperou o último carinho de uma luz para se desfazer na terra...o carinho de uma vela acesa.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Resiste.

arquivo pessoal

Resiste a vida
Resiste a busca
Resiste o medo
que a fé derruba
Resiste "eu", sempre ao meu lado
Ah, eu já sei, sou Dádiva, nunca fardo.
Sou Presente pra Vida e pra mim.
Vim em lindas cores, arrematada em cetim.
Quero dias de sol,
chuva a molhar minha testa.
quero seguir inteira,
Faço deles
Corpo e alma,
minhas telas e festas...

(Hoje presenteei meu palato com geleia de pitanga, que nem sabia existir! Ou das pitangas, fui eu o presente? Em mim, só há de tocar o que chegar repleto de genuínos - bons- afetos.)

Caixinha de música- La valse D'Amelie

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Amante onírico.

arquivo pessoal
Toda noite ele aparecia. Às vezes lhe fazia uma carícia suave entre as coxas muito brancas, ia subindo, beijava de leve seus cílios longos e escuros. Também brincava com seus pés tão pequenos. Ela mantinha seus olhos bem fechados, já entendera as regras, enquanto avançavam os carinhos. Tudo nele era bom: o cheiro, o peso preciso das mãos vasculhadoras dos cantos d'ela, o hálito de damasco e uma cosquinha provocada pelo contato daquele cabelo tão cacheado e macio. Não raro, uma barba por fazer. Em algumas noites, em seu ouvido, eram sussurradas palavras doces e num tom tão baixo que ela não conseguia entender o que era dito. Isso não importava. Ela adiava tanto quanto possível o momento de abrir os olhos. Sob pena de enfim acordar e ele dissolver-se...talvez nunca viria a conhecer seu rosto.

Canção dos musicais da Atlântida - Nina Ximenes (voz), Marco Bernardo (voz, teclado e arranjo), Wagner Amorosino (escaleta) - Gravação "ao vivo": maio de 2010, Estúdio Arsis:
http://soundcloud.com/wagneramorosino/do-re-mi-fernando-c-sar

domingo, 8 de abril de 2012

Ciclo.

imagem colhida no google

...tristeza tem cheiro de carne podre.
para os males do corpo, remédio.
para os da alma, punição e demérito.
Marte ou Morte?
Nem faca, nem corte.
Busca um Norte!
(nasça mil vezes em vida).
Não conta com a sorte.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Porre de dor de amor e direitos iguais(?).

imagem colhida no google

Um cara toma um porre para esquecer as mágoas, quer se anestesiar, não está a fim de sentir porra nenhuma. Isso não faz necessariamente dele um alcoólatra. O porre, sendo assim, chega até mais rápido e com baixo "investimento etílico". Meia dúzia de cervejas e ele já está morrendo de rir, ou chorar, ou as duas coisas, ou nenhuma delas. Transita como se fosse o "dono do espaço sideral". Pode se tornar engraçado em demasia ou trágico ao extremo, isso já não dá pra prever. Fala o que vem à cabeça em voz alta, dança ou não de um jeito engraçado, jazz vira samba e samba vira drama. Ou não. Ganha a simpatia de uns, a prudente distância de outros, alguns se solidarizam. Se ele não quebrar nada ou não vomitar em cima de alguém, pode até virar um "mártir". Eventualmente, uma "gatinha" de bom coração pode levá-lo a reboque movida por algum impulso socorrista ou simplesmente por enxergar ali uma oportunidade(...)...terá a solidariedade e uma ponta de inveja dos amiguinhos e dos amiguinhos dos amiguinhos...
No "day after", muito de seus amigos provavelmente telefonarão preocupados: "Pô, cara, você ficou mexendo no cabelo da Marcinha, ela até te deu um beijo...aquela vaca não merece toda essa dor, até que a Marcinha (Ou Soninha, ou Clarinha, ou Fernandinha, não importa) é bem legal, Nando, esquece aquela vaca da Fulaninha, segue em frente, etc". Em dois dias, no máximo, o porre do cara fica mais esquecido que jornal de ontem. Na semana seguinte, ele estará em algum "chopinho" social com seus amiguinhos e com os amiguinhos de seus amiguinhos...e vida que segue.

Uma mulher toma um porre para esquecer as mágoas, quer se anestesiar, não está a fim de sentir porra nenhuma. Isso não faz necessariamente dela uma alcoólatra (blablabla, etc), pode se tornar mais falante, ou chata, ou sair dançando com os convivas do local sem obrigatoriamente saber o seu nome. Ela pode estar furiosa com algo, e distribuir sorrisos "grátis" para não oficializar a dor. As mais inteligentes ou não tão alcoolizadas deixarão para derramar a maioria de suas lágrimas no banheiro, sempre que for retocar o batom (normalmente vermelho) e retornar ao salão como se fosse a criatura mais feliz do mundo. Alguns dirão que ela está particularmente 'linda" (vai que come, né?), outros (raros) perguntam sinceramente o porquê de tanta tristeza. Talvez "resvale" algum beijinho em alguém, ela que está acompanhada apenas de sua tragédia particular enquanto o alvo de seu afeto age como se ela fosse invisível (mulheres bêbadas andam menos em bando, pensa a autora desse texto, muitas de suas amigas "direitas" tem uma reputação a zelar). Em algum momento, a mulher etílica cansa de "brincar" de ficar bêbada e resolve ir pra casa. Com sorte, ganha uma carona de alguma alma verdadeiramente boa que a deixa em casa sem maiores perguntas (se restar algum bom senso, e mulheres são particularmente treinadas para o bom senso "social", ela vai saber quase exatamente de quem está aceitando ajuda) e se joga em sua cama, só esperando que todo aquele mal estar acabe, não sem antes vomitar na privada de seu banheiro pela quinta vez,( as outras quatro foram no tal banheiro de bar). Voltando ao bar onde estava a mulher etílica, prováveis diálogos aleatórios de alguns carinhas:

"Nossa, Fulana nunca bebeu assim...olha como ela dança bonitinho...deve estar a fim de foder(...)"
ou:
"Que bandida. O Nando não merecia ver isso (Nando, o possível autor das lágrimas), que mulher escrota!"
ou:
"Ah, se eu pego essa gostosa!"
ou
"Olha o tamanho desse decote...ela veio pra guerra, que putona!"
ou
"Olha, o Luizinho deu carona pra ela! Vai comer, sortudo filho da puta! Cú de bêbada não tem dono, vale um leite, né?"
ou
"Será que ela chupa bem?"
ou
"Coitado do Nando..."
ou
( _____________ ) -vai saber, né?

No dia seguinte, ninguém fala nada (para ela, claro...). Talvez o Nando (aquele ex- afeto) a chame de escrota, etc, via e-mail, ele que já passeia pela vida e por novas possibilidades numa nice, mas tem sua reputação de macho a zelar . Ela vai chorar um pouquinho, e a notícia levará o tempo de uma revista de fofoca semanal para se tornar demodé. Mas também passará, afinal, vivemos em uma sociedade marcada por direitos iguais...na semana seguinte, ela também vai sair para relaxar. Pedirá, provavelmente, um mate gelado com bolo de cenoura. E vida que segue.

Toda bêbada canta-Silvia Machete
(Ou dança...)

"Rehab"

arquivo pessoal
Do fundo de meu poço
da minha condição feminina
Sou mais Claudia que Maria
Não sou santa, não sou puta.
Sinto dores e fadigas.
No fundo desse poço,
Fiz lama com lágrimas.
Do amor me fiz mendiga.
Dessa lama farei barro.
Tocarei meu barco.
Com as mais fortes costelas.
Nessa minha nau tão sem velas...

(...em direções só minhas, eu que sempre naveguei sozinha)

"Rir pra não chorar" (linda voz)...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Levará.

arquivo pessoal

Levará minha Alma.
O tempo lavará.
Levará meu sorriso.
O tempo lavará
Levará minha calma.
O tempo lavará.
Levará meu siso
O tempo lavará.
Levará meus anos de riso.
O tempo lavará.
Levará o meu sonho.
O tempo lavará.
Levará o meu sono.
O tempo lavará.
Levará minhas cores.
O tempo lavará.
Levará minha esperança.
O tempo lavará.
Levará a lembrança.
O tempo lavará.
Levará minhas dores?
O tempo lavará.
Minha pobre Poesia
Tempo, não matará!
A minha solidão.
Esta há de ficar.

O teatro Mágico-Durma Medo Meu

terça-feira, 3 de abril de 2012

Fim e fim e fim...

arquivo pessoal


"Oi"
Ele mal respondeu.
Em meio à música
Ela quase padeceu
Fez os últimos registros daquele amor tão "seu" (ou só dela)
Gravado quadro a quadro...
Dançou algo tango, algo samba
Em seu último "Adeus".
Com algum outro"par"
(Qual mesmo seu nome?)
Se fez bandida em "cena aberta"
Ela que sempre era a "sobremesa certa"
Daquele que tanto sangue (AMOR) lhe verteu.
Teve um beijo quase roubado
(Qual mesmo o nome do guapo?)
Dissolvida em álcool
Girou sobre pés
Tentando crer
que o amor morreu...

(Certa de que seria odiada pra sempre. Ela, forjada a ama-lo até o fim dos tempos. Pelo menos não morreu.)
Seguiria viva de teimosa. Enfim, no limite da alma.
O fim se fez.
E um recomeço talvez.
(Só dela, só dela, acostumada em suas rotas incertas)

Quiça um renascimento (nada indolor)

Rota solo.

Oblivion- Piazzola