sexta-feira, 13 de abril de 2012

Do fim de uma vida qualquer.

imagem colhida no google

A mulher, nem tão jovem, nem tão velha, e até onde se sabe, sem filhos nem ninguém, fora encontrada morta em sua casa na companhia de seus três gatos. Vestia um vestido marrom, e embora, segundo a perícia, o óbito já contasse com pelo menos cinco dias, ela não apresentava sinais de putrefação. Quem a descobrira fora a idosa vizinha que, uma vez por semana, entregava-lhe uma remessa de pães de queijo caseiros. Encontrou a porta aberta, gatos de olhos tristes e, por consequência, a morta. Providenciou um enterro rápido, era caridosa a tal vizinha. Acendeu uma vela, sua única companhia durante o velório, além do homem que vendera o caixão. Levou de volta os pães de queijo, que eram seu ganha pão...O agente funerário ficou ali,  em respeito à defunta, esperando que apagasse a chama da única vela a fazer companhia ao corpo quase sem história. A vela resistiu bastante, em sua generosa e precária doação de luz. Tão logo a luz se desfez, o corpo enfim começou a apresentar os primeiros sinais de deterioração. Foi rapidamente removido e enterrado. A mulher sem história esperou o último carinho de uma luz para se desfazer na terra...o carinho de uma vela acesa.

2 comentários:

  1. nossa que triste.....e como sempre bem escrito, me emocionou com poucas frases.

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    1. ...morte anda perto da vida, né? então vamos viver!...

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