quarta-feira, 18 de abril de 2012

Fujona.

imagem colhida no google

Aos quinze anos, Olívia costumava sair de seu curso de inglês e adiar ao máximo o encontro com a família. Dava uma fugidinha, sempre esperando que algo de novo a encontrasse na volta. Andava pelas ruas da Tijuca, entrava em lojas de departamento, provava belos vestidos sem o assédio de vendedoras de boutique. Quase sempre, tomava uma ruazinha qualquer, menos transitada, para fumar escondida de possíveis conhecidos. Nunca fora pega. Tomava um sorvete no Bob's, e, cabeça não raro esvaziada de pensamentos, andava como se suas pernas fossem autônomas. Nem sentia o sorvete escorrendo por entre seus dedos. Eventualmente, encontrava um amigo da escola a passear com a família. "Oi, Olívia, como estão seus pais?", ao que ela respondia com um lacônico "bem". E Olívia seguia caminhando, já com a cabeça não tão vazia. Imaginava sua velha mãe na cozinha preparando deliciosos quitutes, enquanto a mesa era posta pela babá que já virara um membro da família. O cheiro de anchovas recheadas inundando o apartamento tijucano. Músicas do velho LP "Ritorna" ao fundo. Na sua escrivaninha, um bombom trazido por seu pai depois do trabalho. Sua irmã mais velha lendo um romance de banca de jornal, seu irmão mais velho chegando com as três sobrinhas...quando adentrasse a casa, receberia um abraço, perguntariam por onde ela andara, só faltava ela para servir o jantar...tirando essa última parte e o bombom sobre a escrivaninha, todo o resto era real, somado ao esporro por ter esquecido de passar no mercado e levar o molho de pimenta. Cinco anos depois, fugiu para sempre. Nunca a encontraram. Viveu perdida pra sempre.

(Só se encontra o que se procura).

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