segunda-feira, 16 de abril de 2012

Os guardados da Casa Rosa-para quem quiser.

arquivo pessoal

Guardo tanta coisa por aqui que um dia quero dividir, fazer virar livro...claro que nem tudo que produzo está aqui...na verdade, já divido, o blog é público, os comentários são livres de "aprovação do autor", embora eu não critique os autores que botam um filtro, com tanta gente doida nesse mundo. Talvez eu adote isso em algum momento, sou aberta à mudanças. Gosto dessa casa rosa, mesmo guardando não só flores e cores, mas fantasminhas também. Uns camaradas, outros nem tanto...mas tudo aqui é parte de mim. Os "parí" um a um...havia tempos em que eu, após minha escrita, fosse ela prosa ou poesia, colocava links nos murais de meus contatos da rede social, as vezes mandava "inbox"...a rede social foi um caminho, não dos mais eficazes, de divulgar o que faço muito mais por gosto que qualquer outra coisa...ainda faço isso, tem gente que gosta, mas faço bem menos...com isso, ganhei a simpatia de uns e umas boas pedradas de outros...cheguei a receber de uma "roteirista muito gente boa" o seguinte toque: "Para uma escritora, te falta muita estrada, seek therapy honey, não é uma boa técnica de marketing invadir o mural dos outros"(sic). Talvez ela esteja certa, o que questiono é o discurso gratuitamente desqualificador. Não, não me falta estrada. Na verdade, há sim, muita estrada a ser trilhada. Muito a aprender e a caminhar. Não sou um gênio...sou alguém que pensa e cria em voz alta. Sou apaixonada pela Arte. Pelas cores, sons e cheiros que me cercam. Sou aquela que queria ser escritora quando crescesse. E fui (apesar de ainda estar crescendo.)...acreditem ou não, eu que não tenho mais saco de provar nada, passei uns dez anos de minha vida salvando cronistas em crise de fluxo criativo e ganhando uns trocados. Não vou cuspir no prato que comi, pois essa atividade colocou os melhores pães em minha mesa. Esses, que não foram tantos, cronistas, nunca contaram o caminho das pedras. Na corrida do Ouro, cheguei à conclusão que é meio "cada um por si" mesmo... mas escrever coisas minhas, sem mímese, sem a obrigação de ser genial, foi libertador. De tantos defeitos que levo comigo, não está a falta de ética para com que trabalhei. Nunca vou procurar um trabalho dizendo assim : "...olha, já escrevi para fulano de Tal, pra Sicrana também..." isso sim, eu acho muito feio...e não vou enviar arquivos provando a "anterioridade" de nada. Pra ninguém. Uma vez "vendido" um texto, prefiro entender que ele não me pertence mais. Os vejo por aí, recebendo aplausos, e me basta saber que cumpri meu compromisso. Ninguém me obrigou a ser "ghost writer". Uma oportunidade puxou a outra, e fui até onde deu pra mim. Não tenho o português mais "fodão" do mundo, meus textos passavam por revisores, tanto quanto o de qualquer escritor estabelecido.

Hoje vendo livretos pelas ruas da cidade e faço uns docinhos pra fora. Livretos com meus textos, sem a pretensão de ser uma "Clarice Lispector". Ser a Claudia Cristina Tonelli, ou Claudita, já me é de bom tamanho, eu e minhas inspirações pueris. Alguns podem achar que estou resmungando, mas não estou, e também, todo mundo é livre para achar o que quiser. Se eu for tachada de maluca, não será a primeira, tampouco a última vez...não há Arte sem um "quê" de loucura consciente, sem algo de alegria e um tanto de dor de parto, e nisso eu acredito muito. Tem uma personagem em meu blog, com mais ou menos uma dúzia de aparições, chamada Justine. Um dia, ela vai virar romance. Ou não, mas vou continuar escrevendo sobre ela...sobre essa personagem, outro dado curioso: quase sempre tenho que explicar que "ela não sou eu e eu não sou ela", confesso que às vezes me cansa. Mas dela ( a "minha Justine"), eu gosto muito.

Não sei mesmo como fazer ecoar meus escritos para além das calçadas e desse cristal líquido, não tenho "agentes" e "marketeiros" a meu serviço, como já me foi sugerido. Não tenho grana, só tenho gana, que não deve ser confundido com ganancia...outra coisa "bonita" que já ouvi é que minhas fotos nos livretos vendem mais que o conteúdo.  Mas também já me vi surpreendida por pessoas verdadeiramente geniais que voltaram a escrever coisas lindas depois de ter lido algo meu...isso faz valer a pena, isso me deixa realmente feliz. A Arte com agente revelador do outro, a empatia que ela pode gerar. Eu, aqui, miúda, saber que "desloquei" algo dentro de um ser humano...não tem preço. E não foi por fotos, não sou nenhuma Diva. Sou uma "menina" beirando a quarta década e correndo sobre brasas antes que meu tempo se acabe. Fato: Fosse eu uma adepta da "política de alcova", algo a mais teria acontecido (Pelo menos no meu caso, que não sou uma "mega-bem-relacionada-a lamber-os-rabos-certos. Mas não sou). Não foi por falta de propostas claras... tampouco sou puritana: doar algo de mim, do meu corpo, da minha alma, só o faço quando e para quem eu quero. Sou movida a afeto. Algum afeto ou nada. Sem afeto não saio nem de casa. Gosto de ver a cara de prazer das pessoas que comem meus doces (literalmente, meus doces, de mousses a brigadeiros de potinho). E também um sorriso de canto de boca quando vejo alguém lendo algo meu numa calçada de bar. A sensação é a de estar dividindo algo bom e palatável, no amplo sentido. Minhas obras. Minhas/Nossas obras. Sempre por aqui e por aí pra quem quiser.

Sobre esses guardados...são guardados abertos à visitação, caso contrário não estariam em um blog. Em 2011 escrevi um bocado. Inspirada por ganhos e perdas que me pareceram amputações, amputações que ainda ardem e se apaziguam quando ganham roupagens poéticas. Perdas que adentraram 2012, que seguem ardendo- muito!-mas a caminho de uma já tardia cicatrização. Andei me recolhendo bastante, fiquei uma semana inteira sem botar a cara fora de casa há bem pouco tempo, me permiti ao choro intenso e a autoanálise. Quantas dores não inspiraram obras boas? Não vejo nada de insano nisso. Também transbordo alegrias e conto histórias que só existem na minha cabeça, outras com um bocado de realidade. Estórias, para os mais puristas da palavra. Vou continuar escrevendo. Se uma única pessoa ler esse texto até o final, sei que continuo fazendo alguma diferença. Todo mundo é igual e diferente...Todo mundo sente, em diferentes estradas...

Sobre o conselho da tal "roteirista"...tenho o melhor therapist do mundo, que não me deixa afogar, e não é de hoje. Que percebe em mim minha grande vocação pra ternura. Que acredita em meus caminhos...e que sabe que não vai ficar rico me atendendo...como disse, tenho mais gana do que grana. Até aqui. Dinheiro só nos faz viver com mais tranquilidade, mas não nos faz melhores. Essa tranquilidade me interessa sim, pois em tempo, também não tenho vocação pra hipocrisia. Sigo pagando meus preços de "pensar em voz alta".

Dom Quixote (Acústico MTV)

8 comentários:

  1. Doces pra adoçar a vida, poesias e prosas pra adorná-la. É claro que não é pra qualquer um. Parte das pessoas só sabe ser se for pra ofuscar. Mas gente é pra brilhar! Beijo, Claudia!

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  2. Importa menos que qualidade há nos textos e mais de que verdade eles estão contaminados. Que bom que você está em busca da sua verdade.

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    1. Acredito que existe qualidade em tudo que é feito com verdade. A minha verdade já conheço ;) Convivo comigo há bastante tempo, rs...não busco verdades, busco caminhos para ecoar minha Arte. Faço Arte.

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    2. Em tempo, André, gostei da sua página.

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  3. Adoro sua honestidade e coragem!

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  4. Como diria Nelson Rodrigues, se estivesse aqui no meu lugar: "manda essa roteirsita lavar um bom tanque!

    Vai fundo, Claudinha :-)
    bjss

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