sexta-feira, 6 de abril de 2012

Porre de dor de amor e direitos iguais(?).

imagem colhida no google

Um cara toma um porre para esquecer as mágoas, quer se anestesiar, não está a fim de sentir porra nenhuma. Isso não faz necessariamente dele um alcoólatra. O porre, sendo assim, chega até mais rápido e com baixo "investimento etílico". Meia dúzia de cervejas e ele já está morrendo de rir, ou chorar, ou as duas coisas, ou nenhuma delas. Transita como se fosse o "dono do espaço sideral". Pode se tornar engraçado em demasia ou trágico ao extremo, isso já não dá pra prever. Fala o que vem à cabeça em voz alta, dança ou não de um jeito engraçado, jazz vira samba e samba vira drama. Ou não. Ganha a simpatia de uns, a prudente distância de outros, alguns se solidarizam. Se ele não quebrar nada ou não vomitar em cima de alguém, pode até virar um "mártir". Eventualmente, uma "gatinha" de bom coração pode levá-lo a reboque movida por algum impulso socorrista ou simplesmente por enxergar ali uma oportunidade(...)...terá a solidariedade e uma ponta de inveja dos amiguinhos e dos amiguinhos dos amiguinhos...
No "day after", muito de seus amigos provavelmente telefonarão preocupados: "Pô, cara, você ficou mexendo no cabelo da Marcinha, ela até te deu um beijo...aquela vaca não merece toda essa dor, até que a Marcinha (Ou Soninha, ou Clarinha, ou Fernandinha, não importa) é bem legal, Nando, esquece aquela vaca da Fulaninha, segue em frente, etc". Em dois dias, no máximo, o porre do cara fica mais esquecido que jornal de ontem. Na semana seguinte, ele estará em algum "chopinho" social com seus amiguinhos e com os amiguinhos de seus amiguinhos...e vida que segue.

Uma mulher toma um porre para esquecer as mágoas, quer se anestesiar, não está a fim de sentir porra nenhuma. Isso não faz necessariamente dela uma alcoólatra (blablabla, etc), pode se tornar mais falante, ou chata, ou sair dançando com os convivas do local sem obrigatoriamente saber o seu nome. Ela pode estar furiosa com algo, e distribuir sorrisos "grátis" para não oficializar a dor. As mais inteligentes ou não tão alcoolizadas deixarão para derramar a maioria de suas lágrimas no banheiro, sempre que for retocar o batom (normalmente vermelho) e retornar ao salão como se fosse a criatura mais feliz do mundo. Alguns dirão que ela está particularmente 'linda" (vai que come, né?), outros (raros) perguntam sinceramente o porquê de tanta tristeza. Talvez "resvale" algum beijinho em alguém, ela que está acompanhada apenas de sua tragédia particular enquanto o alvo de seu afeto age como se ela fosse invisível (mulheres bêbadas andam menos em bando, pensa a autora desse texto, muitas de suas amigas "direitas" tem uma reputação a zelar). Em algum momento, a mulher etílica cansa de "brincar" de ficar bêbada e resolve ir pra casa. Com sorte, ganha uma carona de alguma alma verdadeiramente boa que a deixa em casa sem maiores perguntas (se restar algum bom senso, e mulheres são particularmente treinadas para o bom senso "social", ela vai saber quase exatamente de quem está aceitando ajuda) e se joga em sua cama, só esperando que todo aquele mal estar acabe, não sem antes vomitar na privada de seu banheiro pela quinta vez,( as outras quatro foram no tal banheiro de bar). Voltando ao bar onde estava a mulher etílica, prováveis diálogos aleatórios de alguns carinhas:

"Nossa, Fulana nunca bebeu assim...olha como ela dança bonitinho...deve estar a fim de foder(...)"
ou:
"Que bandida. O Nando não merecia ver isso (Nando, o possível autor das lágrimas), que mulher escrota!"
ou:
"Ah, se eu pego essa gostosa!"
ou
"Olha o tamanho desse decote...ela veio pra guerra, que putona!"
ou
"Olha, o Luizinho deu carona pra ela! Vai comer, sortudo filho da puta! Cú de bêbada não tem dono, vale um leite, né?"
ou
"Será que ela chupa bem?"
ou
"Coitado do Nando..."
ou
( _____________ ) -vai saber, né?

No dia seguinte, ninguém fala nada (para ela, claro...). Talvez o Nando (aquele ex- afeto) a chame de escrota, etc, via e-mail, ele que já passeia pela vida e por novas possibilidades numa nice, mas tem sua reputação de macho a zelar . Ela vai chorar um pouquinho, e a notícia levará o tempo de uma revista de fofoca semanal para se tornar demodé. Mas também passará, afinal, vivemos em uma sociedade marcada por direitos iguais...na semana seguinte, ela também vai sair para relaxar. Pedirá, provavelmente, um mate gelado com bolo de cenoura. E vida que segue.

Toda bêbada canta-Silvia Machete
(Ou dança...)

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