sexta-feira, 29 de junho de 2012

Para quem não aguenta mais ouvir falar de amor.

outro achado...




Para que falar de amor?
Tanto assunto por aí...
saúde pública que não dá conta,
plano de saúde que não atende demanda;
e ainda vai ter correção, acima do índice de inflação...
em agosto preparem seus bolsos...
7,93 não há de dar tanto desgosto...
Tanto assunto por aí...
antidepressivos de última geração,
pra fazer funcionar melhor.
Cervejinha bem barata,
podia ser bem pior...
mendigos largados em esquinas,
em cobertores rotos
nos fazem valorizar nossos edredons tão fofos...
e até para o sopão, tem prefeito a dizer não!
Para que falar de amor?
Esse não enche barriga.
Se liga na oferta de carne
do mercadinho da esquina.
Filé mignon, "só dezoito reais o quilo"
E para os vegetarianos,
orgânicos de todo tipo ($$$)!
Para que falar de amor?
Hoje é sexta, tem festa pela cidade.
"lista amiga($$$)", muita música, alegria por toda parte...
Hoje é dia de bom rango...
Tem Dunga quase no Mengo, tem coisa acontecendo...
Talvez o Sampaoli com passes em passos de tango.
Coisa de suma importância
pra quem não tem barriga doendo(?)...
Para que falar de amor?
Tem UPP garantindo a boa paz na favela!
Pra que esquentar a cabeça?
Por tanto canto tem festa.
Tem reality na fazenda
Shayene eliminada
Mas não há de ser nada,
talvez ela pose pelada($$$?).
Tem maldade de Carminha,
tem a doce vingança de Nina
lá na Av. Brasil.
Tem romance de jornaleiro...
para que falar desse tal, hoje tão obsoleto?
lá no mercadão, "o menor preço total"...
para levantar a moral.
na farmácia popular, vai ter mais medicamento...
podemos adoecer em paz...
Sob esse céu tão anil,
Meu caro Amor, não te sobra espaço...
Para que falar de amor?
Esse nem quer dar as caras...
fugiu com três peças de roupa
para a puta que o pariu!
(como um meliante a tirar a ordem...)

Dizem por aí que pode ser visto preso em telas de cinema, um sem fim de poemas, livros e revistas...talvez nas lembranças dos mais sensíveis...mas para que falar de amor? Ele não quer ser morto...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tom e Bia.

um lindo achado...
Bia enfim sabia. Que eram diferentes, tanto quanto iguais. Que podiam amar ou guerrear feito dois animais. Que podiam ir da gargalhada ao pranto no espaço de cinco minutos, se tanto. Entre Bia e Tom haviam harmonias dissonantes. Frases repletas de sentido, ainda que inundadas de consoantes. As vogais surgiam na frente nos momentos mais ternos, cada vez mais escassos no espaço/tempo do sobre(Viver): ar, encontro, inteireza, otimismo, unicidade.
Tom achava mesmo que Bia nunca seria como ele. Bia achava mesmo que Tom nunca entenderia quem "era ela". Ele amava tons de verde, Ela transitava entre cores que quase sempre resultavam em cinzas...Ela gostava de carne crua, Ele amava pudins.
Foram salvos por seus sonhos: Neles, fosse Sol ou Chuva, sempre se encontrariam em abraços e beijos despidos de medo, onde as semelhanças eram mais determinantes que as diferenças. Sim, existiam as semelhanças...essas sim, capazes de eternizar um Sentir para além dos solos de grama e concreto. Sobre um Oceano Onírico, suas naturezas sempre se fusionavam...acima do bem e do mal.




Libertango


sábado, 23 de junho de 2012

Pé de Borboleta

...queria pés de borboleta


queria pés de borboleta
atravessar o arco da janela
repletos de verdes, azuis, cinzas...
queria pés de borboleta
que desenhassem no ar aquela dança
sem chinelos ou tamancas
queria uma liberdade criança
que ignora a brevidade da Vida
queria pés de borboleta
que voa por sobre fios de esperança
queria pés de borboleta
que desconhece o impossível
que entra por sua janela
quase sempre fechada
queria pés de borboleta
pousados na curva do seu queixo
aquela curva de sonhos guardados
queria pés de borboleta
beijaria sua pele sem que você sentisse
suave como seus veludos cotelês 
e vou te contar uma verdade:
queria pés de borboleta
daqueles que desafiam oceanos
queria pés de borboleta
com eles enxugaria seu pranto
queria pés de borboleta
que lhe devolvesse o encanto
que dissolvesse os enganos
queria pés de borboleta
que não pesasse em teus braços
queria pés de borboleta
pra te aliviar os cansaços
queria esses mesmos pés
para remover suas dores
hoje alguém me contou em sonhos:
faço parte de seus amores
tanto quanto de seus temores
queria pés de borboletas
ah, como queria!
Ella sings So In Love...



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Beleza?

Amar-se é bom. 

Tinha a "moça" uma cintura desenhada, olhos bem grandes e quase quatro quase décadas de vida. Falo de mim. Falarei então, honestamente, em primeira pessoa. Superei, há tempos atrás, um dos maiores pesadelos da condição feminina (feminina não, humana!): a obesidade mórbida. Foram anos tristes sim, quase meia década de um cruel efeito sanfona. Não me cuidei o bastante (entenda-se alimentação) durante a gravidez, e dadas as circunstâncias, nem que eu quisesse... quem me conhece há mais tempo, sabe disso. Não é algo que me envergonhe, embora tenha me causado um tanto de sofrimento e alguns memoráveis episódios de "gordofobia", prática bizarra  numa sociedade entulhada de estímulos visuais e padrões pasteurizados de pesos e medidas. Não curto padrões pasteurizados e nunca vou ter a bunda "power" de uma garota de vinte anos (que um dia eu fui, sem saudade). Acredito que beleza é harmonia. Não quero perseguir nenhum tipo de perfeição estética absoluta (?). Não quero mesmo, embora eu tenha, como boa libriana, um olhar esteta para tudo que me cerca. Mas vejo beleza para além do óbvio. Não é um recado para ninguém, é só o meu olhar sobre o tema. E por falar em olhar, nada mais belo que um par de olhos curiosos e falantes...não somos feitas de bundas e peitos. Voltemos à harmonia. Um modo de rir. Um cabelo cheiroso. Um jeito lúdico de se arrumar. Um tom de voz que não agrida os ouvidos. Ritos femininos. Delicadeza. Curvas. Enfim...
Agora me mantenho, já há um bom tempo, no que chamam de "peso ideal": cinquenta e pouquinhos quilos proporcionais a minha pouca altura (me recuso a subir em balanças o tempo todo) e um tamanho de roupa que oscila entre o 36/38, ou pp/p. Não é cabível que eu emagreça mais. Não quero comprar roupas em loja infanto juvenil, tampouco vestir "ppp" como fazem as modelos de passarela. Como maquiadora que já esteve bem mais atuante, vi meninas desmaiando em camarins e comendo bombons escondidas para depois enfiar o dedo na goela. Morria de dó.Tenho celulite como a maioria das mulheres "comuns", e peitos sem silicone que pelo tanto que amamentaram, são até bem simpáticos e nem foram marcados por estrias. Claro que não me incomodariam se elas não existissem (as tais "celulitezinhas" que adornam minha bunda...), mas existem...tenho muitas prioridades na Vida para além de torrar meu ainda contado dinheirinho em clínicas de estética e afins. Quero voltar a malhar de verdade, dançar e dançar, mas sei que não vou atingir uma forma escultural e irretocável de capa de revista. Para quem esteve onde estive, com três dígitos na balança, acho até que estou bem demais. Sou uma falsa magra. Tenho quadris largos, cintura pequena, coxas grossas, braços que não são palitos, costas fortes, ombros angulosos.... Sei que sou até bem feminina e um tanto charmosa. Vou além: tenho uma cara agradável, não mudaria nem meu nariz "quase grande". Falo hoje disso ao perceber, de um modo geral, que paira sobre mim algumas expectativas e fantasias que não condizem com a realidade. Vinda de todos os lados. Não sou contra se cuidar, mas fazer disso um expediente integral é tornar a Vida restrita demais...mulheres "perfeitas" vivem para cuidar do corpo. Não é meu caso. O mais contraditório disso tudo é que ainda sou capaz de sofrer quando alguém que importa pra mim diz que não estou bonita e em forma o bastante...então, corrigindo, se isso for um recado, esse é um recado pra mim: Claudia, sua gostosa, você é uma linda! Para além do que os olhos podem ver. Hoje, sem grandes sacrifícios, como o que gosto e o que me faz bem. Em todos os sentidos.

Vida



sábado, 16 de junho de 2012

De Volta aos lilases.


arquivo pessoal
Lilás para mim. Canto Meu por vezes compartilhado em horas de risos, por vezes pranto. "Tudo Acontece em Elizabethtown". Não. Tudo acontece dentro de mim, futuro, presente, pretérito passado a limpo. Ainda que eu fuja do azul, ele sempre está comigo. "Sometimes, almost blue"...
Flores de tecidos para mim. Luz para mim. Tudo para mim. Algo de rosa ao fundo. Esse lugar tão meu no mundo... de onde viajo para onde quiser num fechar de olhos, e para onde sempre retorno.

arquivo pessoal

Do filme "Tudo Acontece em Elizabethtown"

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O ceifador.

"A Morte"
Hoje foi essa a Carta do Tarô que deu as caras para mim. Ok, simbolismos, entenda-se como quiser. Em outros tempos, ficaria com medo da Morte, mas enfim, entendo (simbolismos, afinal) como morte e fechamento de ciclos,não necessariamente a morte de alguém em seu sentido literal. Velhos modelos que não me cabem mais. Expiradas formas de Sentir. Buscas inúteis. Olhar dentro de mim e ver o que me cabe. O que é genuíno, o que é plausível, o que pode ser renovado, o que deve ser descartado, o que é capricho...o que me causa dor por pura teimosia. Que eu renasça mil vezes em uma só estada na Terra, eu que sinto que já ressurgi do Nada em uma unica existência....parte da minha teimosia me mantém Viva. Falo sem medo de parecer arrogante que muitos teriam desistido ao longo do caminho (esse que trilhei e que essencialmente, só interessa à mim). Palmas de mim para mim. Que teimo em Vida, que percebo nas situações limites como amo estar Viva. E agradeço a cada recomeço a oportunidade de andar por caminhos menos tortos e poder errar menos ou diferente...pudesse eu, me recolheria em uma concha por um bom tempo. Descobri que adoro dormir. Mas tão breve é a passagem por aqui...descobri que posso estar só comigo mesma, ainda que com mil pessoas em minha volta. Minha introspecção não depende de espaços e silêncios. A extroversão também não...é tudo comigo. Ou quase Tudo...Silêncio, ruído ou música...permanecer ou seguir...escolher minhas estradas...e o que levo comigo.

Por agora, escolho Vida, Poesia e Música:
The Betles- In my life


terça-feira, 12 de junho de 2012

Circunscritos no Tempo/Espaço.

arquivo pessoal

Afetos de toda sorte vida à fora. Paixões fulminantes de setenta e duas horas, relações arrastadas de três anos, amor "fusional" natimorto em nove meses, um bonito namoro em construção...toda a sorte de afeto. Trinta e oito anos de Vida. Afetos de toda a sorte (repetindo...), de natureza romântica ou não. Todos parecem chegar datados, com prazo de validade. Pelo menos, os de "natureza romântica" (repetindo outra vez...). E não quero me deter só a esses. Nem dizer que amores foram feitos para morrer. Na verdade, o fim dessa etapa chamada existência, assim acredito, é a morte, portanto, não me desespero em tentativas de eternizar nada. Só às vezes, muito às vezes...mas o tal do bom senso sempre dialoga comigo em algum momento. Me devolve ao dia de hoje, o que tenho de concreto. Não posso mudar nada que passou...mas se esse dia, novo e limpo feito papel sulfite, ganhar cores bem escolhidas, posso ao menos acreditar que o final há de ser um tanto mais belo, qualquer "fim". Em pleno dia dos namorados, me permito estender meus olhos para além do rito, da troca de presente entre duas pessoas...claro que é bacana. Em alguns países, amigos trocam mimos nesse dia. Também me enamoro por alguns amigos e amigas, de um jeito outro. Pudesse eu, distribuiria flores e corações recortados repletos de versos, mas sempre o tempo, o tempo a nos consumir as horas e boas intenções. Fica a intenção, sincera como o ato suspenso no ar.
Três anos, meu recorde de relação contínua a dois. Houve tempos em que me perguntei o que haveria errado comigo, que no fim das contas entendi não ser erro, só fato. A resposta mais plausível: meu horror à acomodação, aos beijos burocráticos, ao olhar desprovido de encanto e inundado de hábito. Tenho o vício da surpresa em via de mão dupla. Que pode vir na forma de um café levado à cama sem que eu peça ou vice versa, nada estapafúrdio. Numa xícara simples. Adornado por um sorriso franco que me dê a sensação de que estou no lugar certo, e não em tentativas bobas de tapar lacunas que não são da responsabilidade de ninguém. Não quero mais essa cilada. Se até com minha filha, o único Amor que entendo como não perecível, acredito no "elemento surpresa", como não estender esse expediente em outras esferas do meu Sentir? Creio, de verdade, que toda e qualquer mecanização afetiva mata, ainda que aos poucos, toda a forma de Amor. Vira uma outra coisa que não sei o nome. Mas não é Amor. No fim das contas sou só uma romântica em mais uma tentativa de administrar intensidades.
Vou coar café...desejando um dia lindo a todos, aos pares ou não.

 Para ouvir : A Paz/ Drão - por Arnaldo Vieira



sexta-feira, 8 de junho de 2012

Vôa...

arquivo pessoal

Para além dos idos.
Para além de dentes rangidos.
Foge dos infernos anunciados.
Dos homens de peito entulhado.
Recolhe tua alma.
Não tema rugidos.
Crê na força do hoje.
Fizeste tudo que pôde.
Amanhã amanhecerá azul.
Ainda que nuvens o cubram.
O Sol sempre acha brecha.
pr'aqueles que sempre buscam.
Fodam-se as sentenças.
Corre para além  das doenças
daqueles que tudo temem,
não deixe que te condenem.
Passado só faz presente
na vida dos descontentes.
Guarda teus dente, tua paz, tua calma.
Só morda se precisar. 
Não vai ser mais uma alma penada
em finas vestes, nariz em pé 
tez cinza, no mundo a vagar.

Pesos e Medidas de uma Psicanalista Perfeita.

Recado de Freud para Dra. Neurotéia. 


Pra Dra. Fulana, foi um (pequeno) erro humano.
Já "aquelazinha", cometeu crime hediondo...
Pra verdade "nua e crua",
nada além de mente em desengano.
Justiça que se afaga no calor de largas costas.
Nesse mundo que fede à bosta.
Pau no cú das donas de verdades (pré)supostas.
Sim, essas são linhas rancorosas.
Um dia passa, como chuva desabando encostas.
Gritos inúteis, todos sem respostas.

Brindemos à casta das infalíveis. Tim Tim.

(Silêncio Perpétuo às nobres e [des]umanas donas da Verdade, assim seja)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Amor além da Vida (Dear John).

John and Paul
Caminhos (para sempre) se separam, o tiro!!!
Perguntas não fazem sentido
Eles não estão lá para responder...
Fica o coração partido,
lembranças de um tempo escorrido
Acordes tão bem divididos...
De um Amor transformado, sem nunca morrer.

(Não deixe de ouvir a música. Difícil não se emocionar profundamente)


Paul loves John...













Desapego.

arquivo pessoal

Hei de desabar em tons róseos,
no justo cansaço dos que de tudo tentaram.
Hei de me permitir novos sonhos,
que me permitam olhos menos tristonhos.
Esses que quase de choro secaram.
Vou descobrir o segredo, chutar o medo.
A sina dos que em demasia amaram.
Entender que ainda é cedo...
Tudo está sempre começando.
Quero um despertar risonho,
Leve como o desapego,
que não é desAmor...
é só minha Alma em sossego.
Fé no devir que é agora,
que ontem já foi embora!

(Que bom que existo e sou de Verdade...)

Moska- O Tom do Amor
"Um segredo, fica atento, repara bem
Que o meu Amor é todo seu.
Antigo".
E novo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Feito de açúcar.

arquivo pessoal

Era doce, muito doce, o menino feito de açúcar. Junção de néctares dos mais raros, ele veio ao mundo, chamava-se Maurice. Espalhava doçura por toda a parte. Às vezes tinha cara de mau. Um jeito divertido de se proteger. Curava quase tudo com sua natureza açucarada. Emanava açúcar por vias diversas, a começar pelos olhos de rotas indecifráveis. Tinha algo de impreciso nos caminhos de seu olhar caramelo  um tanto assimétrico. Mas ele sempre sabia, Maurice, para onde estava olhando...sua cabeça tinha cheiro de mingau de criança. Cabelos ralos com cheirinho de farinha de arroz e toque de baunilha. A voz tinha gosto de mel de laranjeiras. As mãos eram feitas de chocolate e nozes. Sugar boy. cantava de um jeito que não deixava ninguém ficar neutro: riso ou choro garantido. Repleto, transbordado, excesso de Alma e Amor. Dedos feitos de flor. Amava sorvete. E até em seu feijão havia doçura. Na lida incansável de seus sonhos, sempre a Doçura. Nem todo mundo entendia Ele. Maurice. Sua música, seu riso de dentes semi guardados. Suas histórias "sem pé com cabeça". Seu medo de avião. Seus ritos adstringentes de almas...cantava mesmo quando dizia não querer cantar mais. Até tamanco virava Poesia. O pé direito sobre sua cabeça era bem alto: cidadão do mundo, seu teto era um céu repleto de estrelas, mesmo quando trancado em seu quarto de paredes de neve. Todo o calor do Universo morava em seu peito. Maurice. Uma tal de Susie se apaixonou por ele. Mas não era ela assim tão doce...era feita de Sal, feito mar. E um tanto de fel... Não houve equilíbrio. Susie esqueceu-se de sua própria natureza, quis ser doce de ameixa, ou morango, talvez maracujá. Quis ser outra coisa, pra agradar o paladar. Nada arquitetado. Quando viu, era ela também toda Açúcar, ela que era feita quase todinha Sal. Susie pareceu renascer: sorrisos inéditos em um rosto tão bonito quanto sério. Risadas sonoras de espontaneidade infantil. Dança sob um céu de quintal sem música (só era possível ouvir na cabeça dos dois). Tudo muito doce. Litros de sorvete no meio de madrugadas insones. Sanduíches de cottage com toques de geleia. Filmes de sessão da tarde. Caminhadas na beira do mar (ela que temia o retorno ao sal...), certa noite, Susie chorou sob a chuva quando tudo parecia escapar-lhe dos dedos!!! Não fora feita para os doces...caminhos distintos, futuro inexistente. E numa noite pluvial, vestido encharcado, Susie rompida num choro sem fim, Maurice descobriu que (quase) nada de doce havia nela. Com olhos complacentes dos que nasceram com a benção dos néctares, ele viu aquela mulher, a quem tanto amava, se dissolver diante de seus olhos. Primeiro, foi-se a maquiagem. Depois, o rosto. Depois, toda ela, até voltar escorrida, ao mar. Ela que não era má. Mas era feita de Sal... Maurice chorou um bocado (percebeu que a água de seus olhos, pela primeira vez, estavam salgadas; Susie havia deixado algo de si)...mas Ele seguiu seu caminho, espalhando doçura por toda a parte. Em suas lágrimas, sempre que elas surgiam, Maurice percebeu tempos depois: aquele tanto de sal o acompanharia pra onde fosse. Para onde fosse. Enquanto isso, algo de seus dulcíssimos sabores cruzariam Oceanos até o fim de todos os Tempos...

Amelia-Joni Michell
"It's just a false alarm"...



sábado, 2 de junho de 2012

Ritos 2.

father father...


Embalada nos mais belos tecidos, uma única expectativa do que (re)encontrar lá dentro: 
Amor dos meus. Amor de mim para mim, sobretudo. Fome de criança...
Faltam dois dias.