sexta-feira, 22 de junho de 2012

Beleza?

Amar-se é bom. 

Tinha a "moça" uma cintura desenhada, olhos bem grandes e quase quatro quase décadas de vida. Falo de mim. Falarei então, honestamente, em primeira pessoa. Superei, há tempos atrás, um dos maiores pesadelos da condição feminina (feminina não, humana!): a obesidade mórbida. Foram anos tristes sim, quase meia década de um cruel efeito sanfona. Não me cuidei o bastante (entenda-se alimentação) durante a gravidez, e dadas as circunstâncias, nem que eu quisesse... quem me conhece há mais tempo, sabe disso. Não é algo que me envergonhe, embora tenha me causado um tanto de sofrimento e alguns memoráveis episódios de "gordofobia", prática bizarra  numa sociedade entulhada de estímulos visuais e padrões pasteurizados de pesos e medidas. Não curto padrões pasteurizados e nunca vou ter a bunda "power" de uma garota de vinte anos (que um dia eu fui, sem saudade). Acredito que beleza é harmonia. Não quero perseguir nenhum tipo de perfeição estética absoluta (?). Não quero mesmo, embora eu tenha, como boa libriana, um olhar esteta para tudo que me cerca. Mas vejo beleza para além do óbvio. Não é um recado para ninguém, é só o meu olhar sobre o tema. E por falar em olhar, nada mais belo que um par de olhos curiosos e falantes...não somos feitas de bundas e peitos. Voltemos à harmonia. Um modo de rir. Um cabelo cheiroso. Um jeito lúdico de se arrumar. Um tom de voz que não agrida os ouvidos. Ritos femininos. Delicadeza. Curvas. Enfim...
Agora me mantenho, já há um bom tempo, no que chamam de "peso ideal": cinquenta e pouquinhos quilos proporcionais a minha pouca altura (me recuso a subir em balanças o tempo todo) e um tamanho de roupa que oscila entre o 36/38, ou pp/p. Não é cabível que eu emagreça mais. Não quero comprar roupas em loja infanto juvenil, tampouco vestir "ppp" como fazem as modelos de passarela. Como maquiadora que já esteve bem mais atuante, vi meninas desmaiando em camarins e comendo bombons escondidas para depois enfiar o dedo na goela. Morria de dó.Tenho celulite como a maioria das mulheres "comuns", e peitos sem silicone que pelo tanto que amamentaram, são até bem simpáticos e nem foram marcados por estrias. Claro que não me incomodariam se elas não existissem (as tais "celulitezinhas" que adornam minha bunda...), mas existem...tenho muitas prioridades na Vida para além de torrar meu ainda contado dinheirinho em clínicas de estética e afins. Quero voltar a malhar de verdade, dançar e dançar, mas sei que não vou atingir uma forma escultural e irretocável de capa de revista. Para quem esteve onde estive, com três dígitos na balança, acho até que estou bem demais. Sou uma falsa magra. Tenho quadris largos, cintura pequena, coxas grossas, braços que não são palitos, costas fortes, ombros angulosos.... Sei que sou até bem feminina e um tanto charmosa. Vou além: tenho uma cara agradável, não mudaria nem meu nariz "quase grande". Falo hoje disso ao perceber, de um modo geral, que paira sobre mim algumas expectativas e fantasias que não condizem com a realidade. Vinda de todos os lados. Não sou contra se cuidar, mas fazer disso um expediente integral é tornar a Vida restrita demais...mulheres "perfeitas" vivem para cuidar do corpo. Não é meu caso. O mais contraditório disso tudo é que ainda sou capaz de sofrer quando alguém que importa pra mim diz que não estou bonita e em forma o bastante...então, corrigindo, se isso for um recado, esse é um recado pra mim: Claudia, sua gostosa, você é uma linda! Para além do que os olhos podem ver. Hoje, sem grandes sacrifícios, como o que gosto e o que me faz bem. Em todos os sentidos.

Vida



Um comentário:

  1. Muito bom. Excelente auto análise e um merecedor cafuné na auto estima. ;)Gostei.

    ResponderExcluir