terça-feira, 12 de junho de 2012

Circunscritos no Tempo/Espaço.

arquivo pessoal

Afetos de toda sorte vida à fora. Paixões fulminantes de setenta e duas horas, relações arrastadas de três anos, amor "fusional" natimorto em nove meses, um bonito namoro em construção...toda a sorte de afeto. Trinta e oito anos de Vida. Afetos de toda a sorte (repetindo...), de natureza romântica ou não. Todos parecem chegar datados, com prazo de validade. Pelo menos, os de "natureza romântica" (repetindo outra vez...). E não quero me deter só a esses. Nem dizer que amores foram feitos para morrer. Na verdade, o fim dessa etapa chamada existência, assim acredito, é a morte, portanto, não me desespero em tentativas de eternizar nada. Só às vezes, muito às vezes...mas o tal do bom senso sempre dialoga comigo em algum momento. Me devolve ao dia de hoje, o que tenho de concreto. Não posso mudar nada que passou...mas se esse dia, novo e limpo feito papel sulfite, ganhar cores bem escolhidas, posso ao menos acreditar que o final há de ser um tanto mais belo, qualquer "fim". Em pleno dia dos namorados, me permito estender meus olhos para além do rito, da troca de presente entre duas pessoas...claro que é bacana. Em alguns países, amigos trocam mimos nesse dia. Também me enamoro por alguns amigos e amigas, de um jeito outro. Pudesse eu, distribuiria flores e corações recortados repletos de versos, mas sempre o tempo, o tempo a nos consumir as horas e boas intenções. Fica a intenção, sincera como o ato suspenso no ar.
Três anos, meu recorde de relação contínua a dois. Houve tempos em que me perguntei o que haveria errado comigo, que no fim das contas entendi não ser erro, só fato. A resposta mais plausível: meu horror à acomodação, aos beijos burocráticos, ao olhar desprovido de encanto e inundado de hábito. Tenho o vício da surpresa em via de mão dupla. Que pode vir na forma de um café levado à cama sem que eu peça ou vice versa, nada estapafúrdio. Numa xícara simples. Adornado por um sorriso franco que me dê a sensação de que estou no lugar certo, e não em tentativas bobas de tapar lacunas que não são da responsabilidade de ninguém. Não quero mais essa cilada. Se até com minha filha, o único Amor que entendo como não perecível, acredito no "elemento surpresa", como não estender esse expediente em outras esferas do meu Sentir? Creio, de verdade, que toda e qualquer mecanização afetiva mata, ainda que aos poucos, toda a forma de Amor. Vira uma outra coisa que não sei o nome. Mas não é Amor. No fim das contas sou só uma romântica em mais uma tentativa de administrar intensidades.
Vou coar café...desejando um dia lindo a todos, aos pares ou não.

 Para ouvir : A Paz/ Drão - por Arnaldo Vieira



Um comentário:

  1. Será que somos maduros o bastante para uma relação que seja delicada aos extremos e ao mesmo tempo surpreendente a ponto de nos deixar sem respiração e sempre trêmulos ao olhar o outro. Sei não! Eu ainda tenho muito o que aprender, tanto no saber amar, quanto no saber ser amado. Por isto entendo perfeitamente tua prosa e ao mesmo tempo percebo em mim mesmo, uma espécie de lamento!

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