domingo, 29 de julho de 2012

A vida é bela.

imagem colhida no google


"Não chore. Não sinta dor. Sorria. A vida é bela. Para que isso tudo? Não chore!!! Não olhe com raiva. Não brigue. Você está com raiva. Não, isso não é sofrimento, é raiva...eu sei que é. Acredita em mim, eu sei."

Ella engoliu todo seu sofrer, enxugou os olhos com as mangas de sua blusa verde, desfazendo aqueles riscos lacrimosos e negros de maquiagem desenhados em sua face. Ella engoliu e voltou a sorrir, bela qual boneca de porcelana. Com seis miligramas de seu ansiolítico preferido. A vida é bela.

Socorro - por Cássia Eller

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Oito versos livres ao infinito.

arquivo pessoal


...algo de claro
um tanto de escuro
Manhã tecida em calor
Noite, frio absurdo
queria doces em meu palato
todo feito de mar 

cristais que brotam dos olhos
salpicam meu lindo manjar...


Luna- Astor Piazzola



domingo, 22 de julho de 2012

O amigo perfeito (e invisível).

imagem colhida no google


-Gosto de você, Luiz. Sempre me entende, me apoia, me faz avançar. Não deixa eu perder a fé em dias melhores e sempre diz que estou bonita.

-Sabe que te amo muito, né, Maria Rita? Mas já falou sobre isso com seu psicanalista? Você sabe que sou seu amigo imaginário...se um dia você não pensar mais em mim, acabarei por ir embora...acha bom a gente continuar uma relação, assim, tão frágil? O que seu "psico" acha disso?

-Acho perfeito. Meu psicanalista também acha perfeito. Estou bem melhor. Esquizofrenia consciente, sabe?

-Sei...

amigos para sempre...




sábado, 14 de julho de 2012

A Parede Branca

arquivo pessoal


Talvez Olga gostasse tanto das cores justamente por saber o futuro das coisas. Não era vidente, não precisava ser para saber. Entendia ser o cinza o futuro das coisas, aquelas que a gente pode pegar ou aquelas que a gente só pode sentir. Não o cinza, mas as cinzas...sim, cinzas como o futuro de todas as coisas...
A velha sapatilha sem ponta que usava até pra ir à padaria comprar seu rocambole de chocolate...os amores idos e o que acabava de chegar, já buscando fôlegos para seguir...sua coleção de revistinhas com seus grampos carcomidos pela umidade das paredes rachadas de infiltração...seu chale vermelho comprado na liquidação. Sua xícara alva como neve onde raramente tomava chá, tanto medo tinha de quebrar. A árvore que se pintava de rosa na Primavera e invadia sua janela com cheiro de ilusão. Suas músicas, seus chapéus, seus filmes e livros, seus escritos pândegos, seu sorriso desaforado quando tudo parecia ir mal. Seus diários de folhas arrancadas, seus rascunhos de folhas apartadas que pareciam não fazer sentido. Suas bonecas de porcelana com suas cabeças por um fio depois de algumas quedas provocadas pelo vento, e mesmo assim, sendo devolvidas para o alto da estante. Seu caderno amarelo de receitas com sua letrinha redonda que nem era dela, mas de sua mãe, aquela que foi lá pro Céu, ou algo assim. Seu sorriso de marfim maculado de nicotina. Aquele sapatinho verde comprado em Petrópolis numa tarde só dela...o mar azul que ela namorava do alto de um arranha céu, em um antigo café. O café...seus figos que ficavam deliciosos quando batidos com leite. Seus velhos lápis de cor. Seus contos bobos sobre dor de amor. Sua mania de pisar na grama sem sapato e depois descobrir bem na sola uma coceira de bicho de pé. Seus velhos amigos e amigas, e os que pareciam chegar. Seus sonhos que sempre seriam sonhos suspensos no ar...muitos abraços e beijos  retidos na memória...fotos e mais fotos "eternizando provisoriamente" as horas belas...por tudo isso ela amava cores.
Sentada no chão, mirava a parede imaculada, que como todas as coisas do mundo, sem tirar nem por, viraria cinza. Não sem antes experimentar o breve prazer das cores. Rabiscou-a toda, com todas as cores possíveis e impossíveis. Haveria de se cercar de todas elas. Sentiria tudo ao extremo, até seu momento, o momento que chega para tudo e todos. O tempo das Cinzas, leve o tempo que for... feito isso, ganhou a rua...haveria de respirar os infinitos matizes que enfeitavam seu existir efêmero...

arquivo pessoal

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ano Zero.

arquivo pessoal
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Marlene checou uma vez mais o endereço no cartão de visitas. "Doutor Oublier". Ali estavam suas esperanças últimas, haveria de dar certo. O tal consultório ficava em uma ruazinha escondida atrás da Central do Brasil, em um velho sobrado esquecido no tempo. Algo de "verde-mofo" na fachada, nenhuma placa. Só o número 5 na rua indicada. Passara a manhã revisitando pequenos guardados antes de sair...um caderno de tentativas poéticas, fotos que, de tão velhas, já estavam sépias, cores lavadas pelo tempo. Uma grande caixa estampada guardava um sem fim de emaranhado de fitas de cores muitas, adorava fitas. Sempre que recebia um presente, coisa meio que rara (e ainda mais com laço de fita...), invariavelmente, as guardava. Gostava de laços...Apesar da idade avançada, nem velha, nem menina, ainda adornava, vez por outra, seus cabelos escuros já riscados por alguns fios brancos com o tal adereço. O desse dia tão importante era azul como o céu que acompanhava seu ansioso percurso. Escolhera sua saia predileta: branca, rodada, com "poás" amarelos. Camisa branca bem cortada, sapatinhos de boneca, algo de blush nas faces naturalmente ruborizadas de expectativas. Na mão, uma bolsa vermelha. Marlene e seus contrastes...

Subiu num só fôlego as escadas que estalavam a cada pisada, como se fosse desabar. Deu de cara com uma porta aberta, onde já era esperada, para seu espanto. Um homem, nem feio, nem bonito; também nem velho, nem menino. Usava calças cinzas, sapatos gastos e suspensórios sobre uma camisa azul. Os óculos do tal Oublier eram  remendados com esparadrapo já meio ensebado pelo manuseio. Não recuou, apesar do desconforto inicial causado pela figura. Estava decidida. Olhou para os lados: paredes nuas, nenhuma gravura, nenhuma informação. Até que fazia algum sentido. Com um gesto, Oublier apontou uma linda poltrona floral, talvez o único objeto bonito naquela sala de um beje indefinível.

- O que a traz aqui? - começou o homem, já esperando como resposta o que quase todas as criaturas aflitas buscavam ao cruzar aquela porta.

-Paz.- respondeu Marlene. Por essa não esperava o tal "especialista".

-Como? Sou especialista em deletar memórias. Zerar experiências. Sou o mago do esquecimento, não acredito em superação de traumas. Paz?

-Oras, Doutor Oublier, paz! É a mesma coisa...tudo isso que o senhor disse ai para mim se resume em paz...Você pode limpar minha memória? Como um computador? Esvaziar a lixeira? Tem que ser irreversível.

-Mas ninguém quer esquecer tudo...

-Eu quero. Não queria ter que dar com a cabeça em um poste, por isso estou aqui. Me machucaria sem garantias de uma amnésia absoluta. Pode ou não pode?

-Posso. Minha sorte é que com esse esquecimento total, não há do que reclamar, nem com quem reclamar. Isso que me pede a fará esquecer até mesmo quem sou.

-Ótimo. É algum remédio? Me dê a receita, a fórmula...trouxe dinheiro.

-Não. Não lido com fármacos. Lido com a escuta. Um momento...

Oublier abaixou e pegou, embaixo de sua cadeira de madeira carcomida, um baú vazio. Abriu a caixinha, pousando-a sobre uma mesinha redonda ao lado de seu assento.

-Marlene seu nome, né? Pois bem, Marlene, me fale o que quiser. Fale o que te aflige mais. Fale tanto quanto possível. Por sorte, hoje só tenho você para atender...ficará tudo retido aqui. Não devolvo o baú de memórias, mas como já disse, você não vai mesmo se lembrar de nada. Com sorte, reaprenderá tudo, por caminhos novos. Lembrando que pessoas esquecidas são tidas como dementes.

-Sem problemas. Já sou tida como demente, mesmo tendo uma memória mais que razoável. Tanto faz. Nem sei se você é sério, mas não tenho tanto a perder.

-Então comece.

-Quero esquecer tudo.

-Filhos?

-Um só, já crescido, vivendo em outro país. Essa missão está cumprida. Quero esquecer o que sou, mas principalmente, o que nunca fui ou serei. Quero esquecer que sinto medo de quase tudo...mais! Quero esquecer que o medo existe. Quero esquecer as mentiras que me contaram...quero esquecer as mentiras que contei para mim mesma. Quero esquecer que nasci em um país repleto de mentiras e dor. Quero esquecer minhas fantasias, que muitas vezes, são as únicas razões de continuar viva e sofrendo por elas. Quero esquecer o que significa saudade. Quero esquecer que vivo em um mundo onde se ama quase sempre pela metade. Quero esquecer as porradas literais e simbólicas que, de tantas, nem sei quantas foram. Quero esquecer quem fez essa cicatriz que trago na testa. Quero esquecer meus pequenos prazeres, meus desenhos tortos, minha tara por doce de leite, minha vaidade rasa, minha carência infantil...quero esquecer meus amores enterrados em cemitérios e lembranças, as calúnias que me levaram o sono, meus momentos de ira que roubaram sonos alheios, minha família inexistente(................................), enfim, quero esquecer, muito mais do que sou, o que nunca fui e nunca serei (etc, etc).

Oublier era um homem frio, que não entrava em méritos de valor algum. Segurou-se muito para dizer que Marlene era muito, mas muito mais interessante que ela jamais poderia supor. Além de linda. Uma voz firme a agradável. Segurou-se! Não deixaria que aquele rosto soasse como um canto de sereia. Tinha uma reputação a zelar...não seria ela a primeira a voltar para reclamar a posse da própria história. Ele tinha um dom, e não se faria ausente à missão para a qual não cobrava um centavo sequer. Mas ainda tentou algo, com uma voz quase vacilante...

-Marlene...eu ainda não fechei o baú...quando isso acontecer, estará feito...acho que você já disse tudo que importa, o Sol até já se foi...é noite.

-Pois feche o baú.

-Entende que será como nascer agora em um corpo avançado em anos?

-Detalhe sem importância. Feche o baú.-Marlene estava absolutamente convicta.

Oublier fechou com um estranho pesar. Feito isso, Marlene assumiu o semblante de uma boneca de porcelana. Cumprindo um protocolo, o homem esvaziou sua bolsa de seus documentos. Dentro, deixou um espelho que pudesse ser um ponto de partida para uma possível nova vida. Ou ao menos, uma nova existência. Não fizera nada assim antes, mas Marlene...ah, Marlene deslocara algo estranho dentro dele. Gostaria, no íntimo, de ter falhado. Mas isso nunca (jamais!) acontecera antes. Todo mundo saía "deletado" dali.

-Pode ir, moça...

Marlene se levantou, desceu as escadas...andou sem rumo até o sol nascer de novo...foi encontrada por uma vizinha de prédio e conduzida à sua casa. Não diria palavra sequer, tampouco oferecia resistência. Ao fechar a porta atrás de si, já estava informada de se chamar Marlene. Deu de ombros, sentia cansaço. Passou pela cozinha. Uma maçã muito vermelha atraiu seu olhar virgem de registros significativos. O cheiro era bom...comeu a maçã e desabou em sono profundo.

Do outro lado da cidade, Oublier voltava da praia, onde jogava ao mar os baús dos agoniados que, por décadas, atravessavam sua porta em busca do "alívio". Ao entrar em seu quarto, deu de cara com o de Marlene. Uma semana se passava, e mais outra, e outros baús ganhavam o Oceano...menos o de Marlene. Às vezes, abria-o para sentir o cheiro da história daquela mulher tão...tão sabe-se lá, encantadora, talvez...As histórias contadas ganhavam forma material dentro daquelas caixinhas. Oublier não conseguia se privar do prazer de acarinhar um pedaço vermelho de fita de cetim...ou um sachê de chá de frutas cítricas...ou de ouvir aquela música que representara um dia, para aquela bela dama cansada,toda a dor do mundo. O que o "infalível" não sabia é que, cada visita ao museu particular daquela mulher, representava uma "fuga" das memórias retidas. Marlene voltava a se encantar por novas fitas, e numa manhã chuvosa, testava, pela "primeira vez", uma receita de maçã do amor...ao som de lindas músicas. Ao menos dele, ela não se lembrava...até então.

                                     

"Sonata ao Chiaro de Luna"








domingo, 8 de julho de 2012

"Humor é rir mesmo assim".

...é o "que temos" para o momento.



Ouvi uma frase interessante sobre o conceito do que venha a ser humor da boca de um antigo amigo europeu, apavorado com o quadro político/econômico no Velho Mundo: "Humor é rir mesmo assim". 
Fiquei com esse "troço" na cabeça, que percebi que pode ser aplicado na Vida como um todo. É aparentemente fácil rir com as contas em dia, geladeira entulhada, grana disponível para "pequenos" e "grandes" mimos...mas como diria a Lívia Lamblet, jornalista e escritora que venho admirando cada vez mais por seu trabalho (afinal, não nos conhecemos), "só que não"!  Sofrimento, tristeza, angústia, falta de esperança é algo  democrático, ao alcance de todos. Vide psicanalistas/psiquiatras vendendo "bem estar" e "receitas azuis" a preço de diamante, sem querer generalizar. A propósito, há quem diga que a Nova Zelândia pode ser uma boa rota de fuga para os que temem o total colapso europeu...boa idéia..."economia estável" e...muito terremoto! Pois é...Viver com garantias é um luxo e tanto, com ou sem dinheiro no bolso. Vamos rir mesmo assim. No Brasil, além de uma economia capenga (para se dizer o mínimo), lidamos o tempo todo com o medo. Para quem não tem carro (que não garante que alguém vá voltar vivo para casa), há o transporte público (que no Rio, dependendo da região, nem roda a noite toda). Sobre o metrô, não vou nem comentar...alguém pode dizer que entra em um ônibus sem dar uma espiadinha ou se abraça à bolsa? Quantos dos que leram isso aqui, suponho que muito poucos, não foram vítimas ou ao menos testemunhas de algum tipo de violência urbana? E tem a violência doméstica, tem o governo "nos comendo por trás" sem pedir licença, enfim...violência de toda a sorte(?). Vamos rir mesmo assim. Tem ainda pequenas mazelas da Vida privada. Amores à beira do abismo, filhos que afrontam os pais imotivadamente, gente que espanca os filhos como se esses mesmos fossem "objetos de posse" e espancar pudesse ser algum tipo de corretivo...homens que arrebentam a cara de mulheres ( e também o contrário!)...velhos que proveram a família por toda uma existência sendo jogados em asilos de quinta como "coisas obsoletas"...não fomos treinados a valorizar a experiência dos "antigos". Vamos rir mesmo assim? Famílias dissolvidas pela falta de diálogo, pela intolerância, pelo desrespeito, pelo desejo de poder de um sobre o outro...na corrida do Ouro, vejo até irmãos disputando a tapas um pedaço seja lá do que for. Amigos de infância, idem. Vamos rir mesmo assim? E por falar em ouro, acabo de me lembrar do nosso "ouro negro" lá do Norte... até nosso querido "açai" já virou marca registrada da então frágil União Europeia. Sinceramente, não sei exatamente qual é a atual situação da deliciosa frutinha nascida em terras nossas...parece que já foi "devolvido", e seu ritmo frenético de exportação "contribui" um bocado com a depredação da Floresta Amazônica. Vamos rir mesmo assim?
Eu "frágil criatura" dentre tantas, e ao mesmo tempo "tão forte", ainda dissolvo meu mal estar nos tragos de um cigarro, que potencialmente me mata "um pouquinho" a cada tragada. Sei que ele faz mal, penso em "expulsa-lo" da minha vida todos os dias e não consigo, mesmo sabedora de todos os males. "Morfina legalizada". E quando saio para vender Poesia e/ou brigadeiro por aí e sou confundida com puta? Não combato putas, não sou dada a moralidades rasas, mas não é minha lida. Vou rir mesmo assim? Claro que encontro motivos para  (sor) rir: Sonhos que resistem às intempéries, uma filha que colore meus dias, uma saúde razoável apesar do ainda resistente tabagismo, um terapeuta que não me arranca o couro, um espelho que conta que minha face não é só amargura, e ainda essa vocação teimosa para a doçura e o amor...portanto, não vou sempre rir "mesmo assim", com todo o senso de humor que sei que faz parte de mim. Vou rir das coisas que me fazem rir. Só quando doer além da conta...aí sim...vou chorar um pouco e depois "rir mesmo assim". Um jeito de sobreviver e não tornar mais pesadas que já são todas as loucuras que nos habitam e nos cercam...


sábado, 7 de julho de 2012

Sulco.

por  Claudia Tonelli




E aquela linha fina que acompanhava o canto esquerdo dos lábios daquela mulher, que (quase) ninguém mais via num rápido olhar, tomava proporções gigantes quando ela se via no espelho. Fechou o corte, mas a raiz daquela cicatriz se alojara no canto do espírito contando a história de um dia ruim...só mais um dia ruim...mas não se alojaria para sempre...estava decretada uma ordem de despejo, que trauma não foi feito para fazer morada perpétua na alma.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Paredes de Pedra (o sonho).


imagem colhida no google


Para além das fronteiras intransponíveis da Casa, Ela se perguntava: O que(m) vive lá que devo tanto temer?  Sempre que cruzava as velhas portas de madeira, pisava macio para não incomodar. Sabia que os silentes podem ser perigosos como bichinhos que se sentem ameaçados. Sabia também que alguns passados podem ser tão presentes quanto perpétuas prisões que criamos na mente. Mas Ela sempre voltava (sempre!), pisando tão leve quanto possível. Sabia que caminhava sobre cacos alheios que poderiam ferir-lhe os pés já tão sangrados de tanto andar descalça. O que a levava de volta à Casa era o Afeto. Não havia desejo de posse. Não havia cobiça. Tampouco de "ocupação" geográfica. Já fazia morada na alma do Encastelado que guardava meia dúzia de segredos (que Ela já conhecia). Segredos de quase um trio de décadas, quase o tempo que Ela tinha de Vida. Mas naquela tarde, ah(!), aquela tarde...sentiu que, em algum momento, a luz quebraria as vidraças, chegando para além da "parede proibida"...a luz se derramaria sobre velhos guardados...e só quem estivesse ali acompanhado de um grande bem querer, um verdadeiro bem querer, permaneceria. Ela abraçou com doçura (mesmo sendo feita de um tanto de sal) seu tão querido encastelado: tantos espelhos que começavam a vestir algumas paredes haveriam de multiplicar todos os raios solares que, finalmente, entravam sem pedir licença...haveria enfim, uma porta para o futuro e um caminho novo para o temido silente (que certamente, seguiria em paz...)...não haveria mais "espaços proibidos". Enfim, faria-se o trânsito do livre Sentir...

"Fantasma da Ópera"