domingo, 8 de julho de 2012

"Humor é rir mesmo assim".

...é o "que temos" para o momento.



Ouvi uma frase interessante sobre o conceito do que venha a ser humor da boca de um antigo amigo europeu, apavorado com o quadro político/econômico no Velho Mundo: "Humor é rir mesmo assim". 
Fiquei com esse "troço" na cabeça, que percebi que pode ser aplicado na Vida como um todo. É aparentemente fácil rir com as contas em dia, geladeira entulhada, grana disponível para "pequenos" e "grandes" mimos...mas como diria a Lívia Lamblet, jornalista e escritora que venho admirando cada vez mais por seu trabalho (afinal, não nos conhecemos), "só que não"!  Sofrimento, tristeza, angústia, falta de esperança é algo  democrático, ao alcance de todos. Vide psicanalistas/psiquiatras vendendo "bem estar" e "receitas azuis" a preço de diamante, sem querer generalizar. A propósito, há quem diga que a Nova Zelândia pode ser uma boa rota de fuga para os que temem o total colapso europeu...boa idéia..."economia estável" e...muito terremoto! Pois é...Viver com garantias é um luxo e tanto, com ou sem dinheiro no bolso. Vamos rir mesmo assim. No Brasil, além de uma economia capenga (para se dizer o mínimo), lidamos o tempo todo com o medo. Para quem não tem carro (que não garante que alguém vá voltar vivo para casa), há o transporte público (que no Rio, dependendo da região, nem roda a noite toda). Sobre o metrô, não vou nem comentar...alguém pode dizer que entra em um ônibus sem dar uma espiadinha ou se abraça à bolsa? Quantos dos que leram isso aqui, suponho que muito poucos, não foram vítimas ou ao menos testemunhas de algum tipo de violência urbana? E tem a violência doméstica, tem o governo "nos comendo por trás" sem pedir licença, enfim...violência de toda a sorte(?). Vamos rir mesmo assim. Tem ainda pequenas mazelas da Vida privada. Amores à beira do abismo, filhos que afrontam os pais imotivadamente, gente que espanca os filhos como se esses mesmos fossem "objetos de posse" e espancar pudesse ser algum tipo de corretivo...homens que arrebentam a cara de mulheres ( e também o contrário!)...velhos que proveram a família por toda uma existência sendo jogados em asilos de quinta como "coisas obsoletas"...não fomos treinados a valorizar a experiência dos "antigos". Vamos rir mesmo assim? Famílias dissolvidas pela falta de diálogo, pela intolerância, pelo desrespeito, pelo desejo de poder de um sobre o outro...na corrida do Ouro, vejo até irmãos disputando a tapas um pedaço seja lá do que for. Amigos de infância, idem. Vamos rir mesmo assim? E por falar em ouro, acabo de me lembrar do nosso "ouro negro" lá do Norte... até nosso querido "açai" já virou marca registrada da então frágil União Europeia. Sinceramente, não sei exatamente qual é a atual situação da deliciosa frutinha nascida em terras nossas...parece que já foi "devolvido", e seu ritmo frenético de exportação "contribui" um bocado com a depredação da Floresta Amazônica. Vamos rir mesmo assim?
Eu "frágil criatura" dentre tantas, e ao mesmo tempo "tão forte", ainda dissolvo meu mal estar nos tragos de um cigarro, que potencialmente me mata "um pouquinho" a cada tragada. Sei que ele faz mal, penso em "expulsa-lo" da minha vida todos os dias e não consigo, mesmo sabedora de todos os males. "Morfina legalizada". E quando saio para vender Poesia e/ou brigadeiro por aí e sou confundida com puta? Não combato putas, não sou dada a moralidades rasas, mas não é minha lida. Vou rir mesmo assim? Claro que encontro motivos para  (sor) rir: Sonhos que resistem às intempéries, uma filha que colore meus dias, uma saúde razoável apesar do ainda resistente tabagismo, um terapeuta que não me arranca o couro, um espelho que conta que minha face não é só amargura, e ainda essa vocação teimosa para a doçura e o amor...portanto, não vou sempre rir "mesmo assim", com todo o senso de humor que sei que faz parte de mim. Vou rir das coisas que me fazem rir. Só quando doer além da conta...aí sim...vou chorar um pouco e depois "rir mesmo assim". Um jeito de sobreviver e não tornar mais pesadas que já são todas as loucuras que nos habitam e nos cercam...


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