sexta-feira, 6 de julho de 2012

Paredes de Pedra (o sonho).


imagem colhida no google


Para além das fronteiras intransponíveis da Casa, Ela se perguntava: O que(m) vive lá que devo tanto temer?  Sempre que cruzava as velhas portas de madeira, pisava macio para não incomodar. Sabia que os silentes podem ser perigosos como bichinhos que se sentem ameaçados. Sabia também que alguns passados podem ser tão presentes quanto perpétuas prisões que criamos na mente. Mas Ela sempre voltava (sempre!), pisando tão leve quanto possível. Sabia que caminhava sobre cacos alheios que poderiam ferir-lhe os pés já tão sangrados de tanto andar descalça. O que a levava de volta à Casa era o Afeto. Não havia desejo de posse. Não havia cobiça. Tampouco de "ocupação" geográfica. Já fazia morada na alma do Encastelado que guardava meia dúzia de segredos (que Ela já conhecia). Segredos de quase um trio de décadas, quase o tempo que Ela tinha de Vida. Mas naquela tarde, ah(!), aquela tarde...sentiu que, em algum momento, a luz quebraria as vidraças, chegando para além da "parede proibida"...a luz se derramaria sobre velhos guardados...e só quem estivesse ali acompanhado de um grande bem querer, um verdadeiro bem querer, permaneceria. Ela abraçou com doçura (mesmo sendo feita de um tanto de sal) seu tão querido encastelado: tantos espelhos que começavam a vestir algumas paredes haveriam de multiplicar todos os raios solares que, finalmente, entravam sem pedir licença...haveria enfim, uma porta para o futuro e um caminho novo para o temido silente (que certamente, seguiria em paz...)...não haveria mais "espaços proibidos". Enfim, faria-se o trânsito do livre Sentir...

"Fantasma da Ópera"

Nenhum comentário:

Postar um comentário