quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Foco.

arquivo pessoal


Não, não tenho olhos perdidos.
Apenas "abandonados" ao Devir,
Ao Agora, ah, o Agora!...
Despertos ao Presente.
Eu que amo Presentes...
(Enfim, aprendi...)













quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não sei Nada.

arquivo pessoal


Nada, de fato não sei de nada. Perambulo por minhas esquinas, as esquinas da minha casa. Os cantos da minha sala, o vértice do meu quarto. E quando acho que encontrei todas as memórias perdidas, mais uma lembrança me assalta em forma de "coisa qualquer", seja um brinco vermelho ou o velho vestido franzido com flores grandes desenhadas na barra que eu usava para dormir. Ou pote sem tampa; por vezes, tampa sem pote. O caderno amarelo de receitas da minha mãe com doces que acho que nunca vou conseguir fazer. Não sei como foram parar ali, na quarta gaveta da segunda fileira. Fotos em preto e branco de um moço que já nem reconheço. Rascunhos de cartas que nunca mandei, não lembro para quem eram as tais missivas. Vou me desfazendo de tudo, eu que não sei de nada. Tento repatriar sentimentos. "Isso fica, isso vai". Mas não sei de nada, absolutamente não sei. Sei um pouco dos silêncios que gritam. Não sei o que querem dizer. Uma "tola viajante em minha própria casa, pássaro sem asa(...)". Assumo a melancolia. Já fui romântica. Vou seguindo como dá. Amo em semitons. Ainda amo, que bom. Não sei como, amo. Minha face no espelho não me diz nada. Quase transparência. Até dos carmins em minha boca me vejo cansada. Não sei onde vou, tampouco porque permaneço. Não sei porque escrevo, mas escrevo (escrever não anda me levando muito longe, eu que adoro "Longes"...). Isso me mantém viva. O moço do correio me devolve uma encomenda que outro dia enviei com carinho: depois de três tentativas de entrega, volta ao remetente. Jogo no lixo, para não sentir nada. Não sei porque não chegou às mãos certas. Afinal, sou aquela que nada sei. E sigo escrevendo coisas bobas, tentando achar sentidos. Tudo que vejo são múltiplas direções (Às vezes sonho com um carinho surpresa sem aviso prévio)... Não sei onde elas vão me levar, assumo (eu já disse isso...) a melancolia dos que não sabem. De quase nada. Assumo minha humanidade patética, que sangra na rede. Assumo a ausência de vozes humanas que possam acompanhar minhas tardes. Os latidos se foram, para ambientes mais alegres. O telefone não toca. Nem campainha em forma de visita querida e não esperada. Melancolia cheira estranho mesmo. Não sei. Mas creio no sopro de tempos novos. Que não sei quais são. Sexta vou comprar um aspirador de pó para deixar minha morada impecável, o que me deixa quase feliz.

( Ontem enfim, descobri: não sei quase nada, mas sei que sou feita de Sal)







domingo, 19 de agosto de 2012

Homem Formiga

um achado...

...dorme, Miúdo, dorme
no velho travesseiro herdado
na cama dura que acolhe
tuas horas e minutos sonhados

dorme, meu grande Miúdo
que cá, eu durmo também
envolta por meus lilases
que só te querem o Bem

dorme, que o Sol já desponta
impiedosa é a dança das horas
um novo dia se apronta
na esperança das Boas Novas

vai, enfeita essa Vida
que Ela carece da tu'Arte
esquece toda a mazela
levanta, só faça tua parte

não creia inútil teu canto
na vil corrida do ouro
recolha já este pranto
tua Voz é teu grande tesouro

mas dorme sereno, Miúdo
sonha com as estrelas que brilham
no Porto que sempre aguarda
gigantes de Alma e Estrada

Ao querido Miúdo





sábado, 18 de agosto de 2012

Sorrir.

imagem colhida no google


Quando ela sorri, o mundo se abre como um livro até a página vinte e seis. Se ela chora, ninguém dá ouvidos. Nem a orelha da capa... daí á velha lição: “o mundo não suporta os tristes, chore no quarto e sorria na sala”.

(Por Claudia Tonelli)





terça-feira, 14 de agosto de 2012

Outros recortes de "A Menina Morta de Amor"...


imagem colhida no google


"Ela usava um vestido roxo, bem roxo mesmo...tinha uma cara muito pálida, calçava sapatos de boneca quase cobertos pelo tamanho do tal vestido, que praticamente varria o chão. Parecia morta de tão branca, mas eu achei ela linda, apesar daquela cabeleira preta de Mortiça...a música era alta, mas tudo pareceu silenciar. Acho que tocava Black, algo assim. Disse à ela: "Você parece uma menina morta". Aos dezoito anos, eu não tinha filtro para falar as coisas e ainda não tenho muito. Estranhamente, ela me beijou. Havíamos sido apresentados há menos de cinco minutos. Eu gostei. Algumas horas depois, em minha beliche sobre a qual dormia meu irmãozinho, soube seu nome... Flora. Jamais imaginei reencontra-la vinte anos depois, mais viva que nunca."
(De Vitório, sobre Flora, em carta enviada a um velho amigo-ficção)
Fragmento de "A Menina Morta de Amor", de Claudia Tonelli.
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"Meu Amigo,
Hoje sou um homem velho. Não pela eminencia da quarta década. É que a vida vai dando uns cinco anos de peso a cada um de existência. (Ah, deixa eu explicar porque não vai tudo para um diário: ainda acho diário uma coisa totalmente feminina, não que eu ache feio... mas é algo que alguns incautos deixam para ter a vida devassada sabe-se lá por quem depois de morrer...se puder, queime esses escritos. Não me imagino dividindo tantas coisas que sinto com muita gente...vamos em frente) Essa tarde vi Flora e me perguntei: o que vi em Flora? Além da cara de porcelana, branca feito zumbi em contraste com aquele vestido roxo, e lá se vão vinte anos...acho que eu admirava nela a total ausência do medo. Não tinha medo nem do ridículo. Chorava ou ria, com aqueles dentes todos, brancos e grandes, sem pejo nenhum. Ela gargalhava com o corpo. Flora está diferente...talvez menos pálida, talvez sorrindo um tanto menos. Mas confesso que gostei de vê-la. Os mesmos cabelos escuros, agora amarrados em um coque. Continua miúda. Virou professora, veja só...vai nos lugares mais longes para ensinar a ler. Ela sempre leu demais. Como eu, mas não como eu, mais afeito à cálculos de precisão. Ela sempre leu de tudo. Lia até minhas sobrancelhas...lia bulas de remédio e eu achava graça, já que depois, aparecia uma Flora medrosa, tendo todos os sintomas descritos. Lembro de uma Flora encantada com a matrioska na mesa de centro de minha mãe, e do olhar saltitante ao descobrir que dentro de cada bonequinha cabia outra bonequinha...ficava horas mexendo nas bonequinhas com aqueles olhos grandes de criança, num mundo só dela. 'Como são fofas', ainda ouço ela falar. Lembro que ela queria ser bailarina, mas sempre dizia que seus quadris largos não combinariam com a leveza das saiotas das bailarinas. Mal sabe ela...acho que aquele quadril combinava muito com o meu. Combinava com tudo. Eu tinha ciúme, embora não demonstrasse. Fosse hoje, eu diria: Você, Flora, combina e enfeita esse mundo cheio de feiuras da alma. Mas eu não disse. Um dos poucos arrependimentos...amei Flora ao meu jeito. Ela sabia como fazer me sentir amado. Acho que até hoje, saberia...mas vida toma caminhos que vão nos levando para longe, como você, que foi parar aí na Argentina...(quando vier, não esqueça os alfajores!)
O que me assustava mais é que Flora por vezes era Fauna...sua fúria se dava como a explosão de uma manada de zebras...para depois se apaziguar como um jardim cheio de perfumes que vão envolvendo a gente a ponto de transformar qualquer lugar em melhor lugar do mundo. Sinto algo de culpa também quando vejo Fabiana dormir. Sei que não poderia ter esposa melhor...ela cuida bem dos gêmeos, é bela e doce. E discreta. Coisa que Flora não é muito. Que fique claro: Jamais deixaria minha família por um devaneio juvenil. Embora, verdade seja dita, depois que vi Flora, penso um bocado nela. Como já disse, vi Flora essa tarde...vi Flora todinha, cada pedaço...tomamos um café licorado, e outro e outro...e de repente, estávamos em um quartinho, desses que nos dão seis horas de ilusão. Gostei de revisitar as curvas, risos, cheiros, estórias e histórias de Flora. Mas decidi: Vou ser forte e correto, gosto de ser correto. Não quero/devo ver Flora. Amo Fabiana. A melhor esposa que eu poderia ter...
Grato pela leitura...imagino-o rindo alto.
Um abraço fraterno,
Vitório.

(De Vitório, sobre Flora, em carta enviada a um velho amigo-ficção)

Fragmento de "A Menina Morta de Amor", de Claudia Tonelli.



sábado, 11 de agosto de 2012

A Menina Morta de Amor...

de Jana magalhães

Então ela perguntou, entre tímida e satisfeita: "Vitório, gosta da minhas pernas? Dos meus ombros, de meus quadris tão largos?"
Ao que respondeu à insegura menina que brincava com uma mecha de seus cabelos longos: "Claro, Flora, afinal, é você!"
E assim ele se fez inesquecível nas memórias de Flora. Ele não precisava mais do futuro.

A bailarina e o Astronauta





quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Louça.

imagem colhida no google

Como a maioria das mulheres, Ella ficava rendida em dias de sangue. Muita cólica, oscilações de humor e, quase certo, enxaqueca. E também, mais carente. Naquela noite, olhou para a pilha de louças adiadas ao longo do expediente com desolação. Teve vontade de chorar.
Na sala, Alexandre observava por de cima do jornal a aflição de Ella e voltava à leitura. Não sem antes perceber uma lágrima dançante nos olhos da mulher a quem tanto bem queria. Com um longo suspiro, abandonou o que fazia em sua confortável poltrona e caminhou até a cozinha, tomando daquelas mãos pequenas uma panela que custava a ceder as investidas da palha de aço.

-Deixe que eu termine isso, essa panela queimou um tanto de arroz no fundo...mas que gostoso estava aquele arroz!

Ella sabia que o arroz tinha ficado uma droga, bem como o bife desandara a ponto de uma sola de sapato parecer mais palatável. Ficou encostada nos velhos azulejos portugueses do casarão enquanto ele, com um sorriso no rosto e um tanto de música murmurada, exibia como um troféu a panela brilhando.

-Veja, Ella, veja você!

Ella percebeu o reflexo de seu rosto refletido no fundo prateado. Percebeu e sorriu também. Sorriu  "bem grande" mesmo.

-Viu, Ella, como você é linda? Me espere na cama, vou te levar um chá de capim limão...

Ella obedeceu. Em menos de dez minutos, recebia em mãos o mimo fumegante de seu querido. Sorveu em pequenos goles.

Deitados lado a lado, adormeceram de mãos dadas. Ella apaziguada. Com a sensação de que ele viera para ficar. Numa linda noite do que também se chama Amor...



Os Cegos Do Castelo
Titãs

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim...





quarta-feira, 8 de agosto de 2012

8

...ao nosso 8


...oito, mais uma vez.
oito de que de amor se fez
oito de esperança infinita
oito de confiança irrestrita
oito de recomeços honestos
oito milhões de beijos
de um afeto, senão louco, sincero.

E em(8infinita) expansão...tão grande esse meu/seu coração...

Olha...