quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Louça.

imagem colhida no google

Como a maioria das mulheres, Ella ficava rendida em dias de sangue. Muita cólica, oscilações de humor e, quase certo, enxaqueca. E também, mais carente. Naquela noite, olhou para a pilha de louças adiadas ao longo do expediente com desolação. Teve vontade de chorar.
Na sala, Alexandre observava por de cima do jornal a aflição de Ella e voltava à leitura. Não sem antes perceber uma lágrima dançante nos olhos da mulher a quem tanto bem queria. Com um longo suspiro, abandonou o que fazia em sua confortável poltrona e caminhou até a cozinha, tomando daquelas mãos pequenas uma panela que custava a ceder as investidas da palha de aço.

-Deixe que eu termine isso, essa panela queimou um tanto de arroz no fundo...mas que gostoso estava aquele arroz!

Ella sabia que o arroz tinha ficado uma droga, bem como o bife desandara a ponto de uma sola de sapato parecer mais palatável. Ficou encostada nos velhos azulejos portugueses do casarão enquanto ele, com um sorriso no rosto e um tanto de música murmurada, exibia como um troféu a panela brilhando.

-Veja, Ella, veja você!

Ella percebeu o reflexo de seu rosto refletido no fundo prateado. Percebeu e sorriu também. Sorriu  "bem grande" mesmo.

-Viu, Ella, como você é linda? Me espere na cama, vou te levar um chá de capim limão...

Ella obedeceu. Em menos de dez minutos, recebia em mãos o mimo fumegante de seu querido. Sorveu em pequenos goles.

Deitados lado a lado, adormeceram de mãos dadas. Ella apaziguada. Com a sensação de que ele viera para ficar. Numa linda noite do que também se chama Amor...



Os Cegos Do Castelo
Titãs

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim...





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