quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não sei Nada.

arquivo pessoal


Nada, de fato não sei de nada. Perambulo por minhas esquinas, as esquinas da minha casa. Os cantos da minha sala, o vértice do meu quarto. E quando acho que encontrei todas as memórias perdidas, mais uma lembrança me assalta em forma de "coisa qualquer", seja um brinco vermelho ou o velho vestido franzido com flores grandes desenhadas na barra que eu usava para dormir. Ou pote sem tampa; por vezes, tampa sem pote. O caderno amarelo de receitas da minha mãe com doces que acho que nunca vou conseguir fazer. Não sei como foram parar ali, na quarta gaveta da segunda fileira. Fotos em preto e branco de um moço que já nem reconheço. Rascunhos de cartas que nunca mandei, não lembro para quem eram as tais missivas. Vou me desfazendo de tudo, eu que não sei de nada. Tento repatriar sentimentos. "Isso fica, isso vai". Mas não sei de nada, absolutamente não sei. Sei um pouco dos silêncios que gritam. Não sei o que querem dizer. Uma "tola viajante em minha própria casa, pássaro sem asa(...)". Assumo a melancolia. Já fui romântica. Vou seguindo como dá. Amo em semitons. Ainda amo, que bom. Não sei como, amo. Minha face no espelho não me diz nada. Quase transparência. Até dos carmins em minha boca me vejo cansada. Não sei onde vou, tampouco porque permaneço. Não sei porque escrevo, mas escrevo (escrever não anda me levando muito longe, eu que adoro "Longes"...). Isso me mantém viva. O moço do correio me devolve uma encomenda que outro dia enviei com carinho: depois de três tentativas de entrega, volta ao remetente. Jogo no lixo, para não sentir nada. Não sei porque não chegou às mãos certas. Afinal, sou aquela que nada sei. E sigo escrevendo coisas bobas, tentando achar sentidos. Tudo que vejo são múltiplas direções (Às vezes sonho com um carinho surpresa sem aviso prévio)... Não sei onde elas vão me levar, assumo (eu já disse isso...) a melancolia dos que não sabem. De quase nada. Assumo minha humanidade patética, que sangra na rede. Assumo a ausência de vozes humanas que possam acompanhar minhas tardes. Os latidos se foram, para ambientes mais alegres. O telefone não toca. Nem campainha em forma de visita querida e não esperada. Melancolia cheira estranho mesmo. Não sei. Mas creio no sopro de tempos novos. Que não sei quais são. Sexta vou comprar um aspirador de pó para deixar minha morada impecável, o que me deixa quase feliz.

( Ontem enfim, descobri: não sei quase nada, mas sei que sou feita de Sal)







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