segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mais fome.

arquivo pessoal


arquivo pessoal

Como. Como o amor ofertado com parcimônia ou fartura. Como a luz do dia que invade minha janela. Como o prazer de estourar entre meus dedos o plástico bolha que esvazia minha cabeça. Como livros. Como comida, devoro tomates e morangos. Como quase tudo que é vermelho. Como carne, que escorre rubra em sangue. Como pequenos toblerones na escuridão que me convida a sonhar. Como braços que me sustentam em piscinas nas quais não sei nadar. Como com os olhos iguarias do além mar. Como os cantos dos meus dedos quando me dói esperar. Como as saudades que me lembram que às vezes ando a vagar. Como com a pressa de um mundo prestes a acabar. Como odeio todas as fomes insanáveis, como a Vida, essa festa que nunca avisa a hora de terminar.

 por Claudia Tonelli

Debaixo D'Água/Arnaldo Antunes





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Efêmero

Carvão sobre canson-experimentos/Claudia Tonelli
Três Luas e três Sóis. A pele dela ficou linda. Dali para frente, todo o resto seria lucro. A benção daquelas que não contam com esse tal de "Futuro". 
(Fragmento de Justine B., por Claudia Tonelli)





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Do Carinho e nuvens branquinhas.

arquivo pessoal

Aí a pequenina passou o dia com as mãos em forma de concha, saudosa daquela nuvem branquinha de quem um dia fora tão amiga. Esperava por sua passagem, e ao menos uma gotinha em forma de afeto que caísse por entre seus dedos dizendo: "Veja, eu parti, mas não te esqueci para sempre". Ela saberia reconhecer a Nuvem, bem como a temperatura exata daquelas águas. Aquela água não caiu. No entanto, um temporal desabou em sua cabeça em forma de carinhos outros, de onde ela sequer era capaz de imaginar. Era muito mais querida do havia suposto. Entendeu, enfim, que não nascera para gotinhas. E que o amor deveria ser chamado de Amor, como nomes próprios. Não mais sentaria à beira de um caminho à espera de sentimentos minúsculos. Merecia mais. Muito mais. Compreendeu, de uma vez por todas, que aquela nuvenzinha, (tão linda, tão linda!) havia se liquefeito para todo o sempre. Uma nuvem minúscula, que moraria em sua memória, mas, não mais, a faria padecer de saudade. Permaneceria a Gratidão. Maiúscula  Gratidão.

"Noil"

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mais uma chegando.

arquivo pessoal/Rio, 08/10/2012


Trinta e nove cirandas - cirandinhas
Em volta de nossa grande Estrelinha
Astro - Rei, sem pejo, realiza meu desejo:
Me manda um tango no quarenta
Muda essa rota
Monorritmo...
Não tem alma que 'aguenta'...

Libertango...