segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mais fome.

arquivo pessoal


arquivo pessoal

Como. Como o amor ofertado com parcimônia ou fartura. Como a luz do dia que invade minha janela. Como o prazer de estourar entre meus dedos o plástico bolha que esvazia minha cabeça. Como livros. Como comida, devoro tomates e morangos. Como quase tudo que é vermelho. Como carne, que escorre rubra em sangue. Como pequenos toblerones na escuridão que me convida a sonhar. Como braços que me sustentam em piscinas nas quais não sei nadar. Como com os olhos iguarias do além mar. Como os cantos dos meus dedos quando me dói esperar. Como as saudades que me lembram que às vezes ando a vagar. Como com a pressa de um mundo prestes a acabar. Como odeio todas as fomes insanáveis, como a Vida, essa festa que nunca avisa a hora de terminar.

 por Claudia Tonelli

Debaixo D'Água/Arnaldo Antunes





3 comentários:

  1. Como as liberdades e redescobertas estão lhe fazendo bem!! Uma juventude ainda mais bela voltando ao seu semblante. Beijos aamiga!

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