sexta-feira, 30 de novembro de 2012

As verdades que se quer ouvir.

arquivo pessoal

Sim, vou bem, obrigado. Sou feliz o tempo inteiro, nunca amanheci nublada, tampouco chuvosa, em dias de Sol. Nunca tive minha "sanidade" posta em xeque por ser exatamente quem sou, nunca tive um trabalho boicotado por nenhuma sorte de preconceito estúpido  Minha geladeira está sempre lotada em todos os dias do mês. Como carnívora que sou, devoro bifes de primeira quase todos os dias. Ontem fui ao salão cuidar dos meus cabelos. Comprei a bicicleta da minha filha. Fico feliz cada vez que vejo minhas primas e primos mais próximos que moram perto de mim, nessa minha enorme sala que está sempre cheia de Vida. Nunca sofri por amor ou dor por mais de quarenta e oito horas. Moro há quase uma década no mesmo endereço e tenho um sem fim de "domingos habitados de gente e afeto" para além de minha filha. Nunca deprimi. Sou bem sucedida, a Vida fez com que tudo fosse razoavelmente fácil. Meus talentos sempre foram motivo de orgulho daqueles que me estimam. Ser bonitinha é legal, as pessoas chegam perto com intenções lindas de interação humana. Nunca fui alvo de inveja ou calúnia. Nunca dormi com barriga doendo. Nunca me senti uma batata quente por ser fruto de uma estrutura tentacular digna de novela mexicana. Fui extremamente desejada pelos meus e incentivada até o fim em todas minhas habilidades (em toda minha trajetória). Sou uma maquiadora valorizada, além dos meus escritos, em perfeito equilíbrio entre o feijão e o sonho. Jamais tentaram me converter em algo que não sou. Tive uma gravidez tranquila e dou conta de tudo sozinha sem nunca me angustiar. Sou foda. Aprendi a agradar sabendo meu exato lugar nesse mundo (putz). Adoro tangos. Nem sei porque lembrei disso.

A vida é sempre bela.

p.s: uma coisa é fato: a despeito da veracidade (ou não!) dessas linhas, no fim, sempre me basto, mesmo que no limite da alma. E sou essencialmente feliz.






quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Instantâneos


...não houve água
detergente
adstringente 
nada lavou o instante
pousado naquela estante
(sonhada).





Just a picture. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pequeno Manual de sobrevivência à saudade (sem garantias).

flores de pástico


Aí, aquela saudade. Tamanho Grande, Maiúsculo, daquilo que passou em nossa Vida feito sopro. Feito sonho de açúcar, dizimado em meia dúzia de mordidas. Saudade do encanto não planejado. Do que já se anunciava impossível desde os tempos primeiros. O que fazer? Não chorar, para começar. Jamais começar pelo choro. Olhe em volta: sempre há alguma desordem em torno de nós pedindo socorro, a menos que se tenha uma vida tocada por serviçais. Pelo menos, comigo, que me desdobro em dezesseis funções entre o acordar e dormir, é assim. Não falta o quê fazer. O que não significa que eu dê conta de tudo...mas voltando a tal da saudade...Saudade deveria rimar com impotência, mas não rima. Ainda bem. Não precisamos nem devemos paralisar. Adultos vivem pares de décadas sem determinado "objeto da saudade", portanto, podem continuar vivendo. Bem reto assim mesmo. Olhemos em volta: Pia suja? Lave a louça. Entupiu pela vigésima nona vez a privada? Mãos a obra. Se a merda é sua, despachá-la também é de sua conta. Queimou a lâmpada? Monte a escada e troque, sem esse papo de medo de altura. Se fosse assim, ninguém viajava de avião. Para morrer, basta estar vivo e nada mais. Lembrando que de Amor, ninguém morre, ao menos que se auto extermine, o que é coisa para transtornados emocionais graves. Se você não sofre de nenhum transtorno dessa ordem, não é uma opção. Se sofre, busque ajuda. Voltando à tal bagunça que pode virar terapia: Armário sem porta? Invente uma cortina. Guarde aquelas dobradiças para quando tiver paciência de contratar um marceneiro. Aprendi uma lição importante nos últimos tempos: não subestime um parafuso. Pode ser ele a exata peça que falta para resolver um problema. Cate essas quinquilharias e guarde em uma sacola ou caixa, bem direitinho. Até pedaço de boia de descarga pode salvar um expediente doméstico...enquanto isso, a saudade vai sendo mantida sob controle. Guarde ainda aquele resto de veda rosca. Agora, voltando ao quarto: Gavetas. Gavetas podem se tornar verdadeiras zonas de conflito. Toma um tempo maravilhoso. Calcinhas invadiram a gaveta de sutiãs e vice versa? Bote cada coisa em seu lugar. Separe uma gavetinha para aquelas calcinhas horrorosas que vão até a barriga, de nylon ou algodãozinho bem fininha, do tempo que sua tetravó usava longe de todos, na ultima gaveta mesmo!!! Use-as sozinha, quando estiver menstruada (pô, mas você já está sozinha - no entanto, nunca se sabe...), dentro de casa, na certeza de que não será surpreendida por uma visita. Ok, à essa altura, a esperança da surpresa já se foi, então use o que quiser, mas não deixe de guarda-las em acesso ultra privado. Tem informação que não se divide, tipo fazer cocô de porta aberta. Não ligue para encher o saco de ninguém com essa saudade. Provavelmente, você já passou dessa idade. Caso ligue, perdoe-se. Entender a motivação do outro também é inútil. E querer que terceiros entendam, mais inútil ainda, nem seu analista (caso tenha um) vai conseguir. Caso tenha um ou mais filhos, vale até ir assistir o fim da saga do Crepúsculo. Só não vale se emocionar com vampiro ou lobisomem; pode ser um passo para chamar "urubu de meu louro". Lucidez é fundamental, saber perder é uma Arte. Bote aquelas roupas para lavar. Separe em cores para não ter mais um motivo para chorar, nem que seja de raiva, caso manche uma peça estimada. Caso o "objeto da saudade" tenha lhe presenteado com calcinhas fofas, resista, tanto quanto possível, ao impulso de jogá-las fora ou tacar fogo. Esqueça fogo por agora. Deixe isso só para acender o fogão e fazer comida. Por falar em comida, tentar se embarangar com cinquenta quilos de chocolate também não é uma boa. Juro que não quero ferir ninguém com isso, odeio "gordofóbicos". Mas já fiz isso comigo um dia e não gostei do resultado. Prefiro encher a cara de água, suco, refrigerante zero, palitos de cenoura ou, no máximo, duas trufas de chocolate meio amargo ou amargo mesmo. Ficar anoréxica nem pensar, hein?  Se for pra sofrer, vou sofrer no tamanho "P", de ponto final. Mas com saúde. Em tempo: o "objeto da saudade" te deixou esperando até o último segundo pra depois te dar um constrangido toco cinco minutos antes da hora marcada? Espero que não tenha desperdiçado a produção. Que tenha chamado aquele amigo que te acha mega-gostosa (todo mundo tem um amigo desses) e saia! Acolha elogios. Só não vale (ao menos para mim) dar "de raiva" para o tal amigo. Provavelmente, é só mais um que eventualmente te acha gostosa. Muito pouco para quem curte ser estimada/amada/querida, enfim...ressaca moral anunciada essa tal "trepadinha social" tão em voga nesses dias de hoje. Não acredito em "pau amigo", só em amigos, até porque, não se conversa com "paus". Voltando ao tema (aliás, cadê a rivotril? Achei!) , se você é louca por sapatos, reorganize-os e aproveite para "namora-los". Sapatos sempre me relaxam. Não esqueça que as roupas já estão batidas na máquina, precisam ser estendidas; ou ficarão com cheiro de cachorro de rua molhado. Feito tudo isso e um tanto mais, mantenha seu estoque de pilhas em dia para aquele brinquedo de adulto que pode ser um santo remédio :p . Se nada disso funcionar, assista a um filme bem idiota. Se ainda assim não funcionar, aí sim...CHORE com todas as letras maiúsculas. Ao fim do penoso dia, você terá uma casa limpa e uma alma lavada com água salgada. Durma. E não espere ele voltar. Não ofereça ajudas que sabe que ele não vai precisar. E resista (se for capaz). "Objetos da saudade" costumam ter problemas com telefones e outros meios de comunicação. Mantenha-se linda, depilada, cheirosa (para si mesma, principalmente, sua companhia mais constante!!!) e "get over it". Arrume suas flores, mesmo que sejam as de plástico. Essas nunca morrem.
Vida que segue, cheia de "devires insondáveis. Boa noite!

P.S:... e não se furte em ceder em caso de o "objeto da saudade" um dia lhe procurar por milagre ou algo assim (caso ainda o queira), pois só loucos morrem engessados em verdades herméticas. Resumindo; tudo bobagem!


domingo, 25 de novembro de 2012

Domingos.


Domingo. 

Os Domingos desabitados de coexistência humana, à vezes - quase sempre - tem peso de chumbo.
Convidam aos sonos desprovidos de sonhos. Domingos desabitados nos lembram do quanto somos sós, alguns mais que outros, mas inevitavelmente sós. Minha rua fica com cara de estátua. E encho minha casa de ruídos artificiais, encho a cara com meu refrigerante entupido de aspartame e corantes artificiais. Encho meus olhos de leitura boa e ruim cheia de gente e coisas artificiais. Encho meu peito de ar para lembrar que estou viva e não sou artificial. Tenho profunda preguiça de cozinhar, profunda preguiça e desinteresse por quase tudo. E até as lindas árvores emolduradas pelo arco da minha janela parecem artificiais. E as lembranças boas ficam com cara de ficção. Nessa minha alma/história cheia de vãos, todos "vão". E volta a segunda-feira, esse dia que aprendi a amar. Apesar do frio na barriga que os "dias uteis" carregam consigo, junto com o tanto que pagamos para continuar sobrevivendo em todos os sentidos...até as árvores parecem mais vivas na segunda. Eu pareço mais viva. E hoje, me perdoem os felizes em tempo integral - caso existam - eu me permito sentir cada centímetro dessa melancolia. Pois que é sentindo tudo até  fim que vejo as coisas passarem...em algum momento, sei que a leveza me encontrará.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E talvez um dia a gente se veja.

arquivo pessoal



Daquelas coisas ou pessoas que se vão do nada, antes mesmo de chegar. Quem não conhece isso? Tem disso a Vida. Mas fico grata quando posso dar “tchau”. Dessas coisas/pessoas que se vão sem mais, gosto de dar um, quem sabe, até breve (tudo é breve afinal), um “boa viagem”, um aceno de mão retribuído. Sem esse “tchau”, é como buraco no peito ou aquelas mortes sem corpo. Silêncio que pesa. E não me refiro a um tipo específico de relação. Qualquer relação humana. Todos têm o direito de enterrar seus mortos (e é claro que se trata de uma metáfora), para que sigam vivos em algum espaço repleto de beleza da lembrança.  E quem sabe um dia, 'resignificar' aquele sentir tão bonito quanto o d’antes.  Que pode ser diferente, mas não necessariamente menos bonito. Tanta leveza traz em si o fechamento de ciclos.  


...stand by me...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sem saída.



arquivo pessoal



Os que mentem são doentes. 
Os que omitem, covardes.
Os que falam, 'sincericidas'. 
Não existem saídas (?). 


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Gina - A Justa Medida do Protagonismo.

arquivo pessoal



Vai lá e faz...e aí Gina vai sempre funcionando assim. Tomando iniciativas. Dando passos primeiros. Sem saber se o solo é firme ou pantanoso. Correndo riscos de grandes alegrias ou vácuos de tristeza; sabendo que, bom ou mau, tudo passa. Nunca foi boa planejadora nas interações humanas. Vai lá e faz. Vai lá e fala. Vai lá e sente. Vai lá e busca. Às vezes ganha. Às vezes perde. Mas nunca com a sensação de perda de tempo. Às vezes se excede.
Gina nunca se afoga, sabe nadar. E de tanto treino, aprendeu a não desesperar. Aprendeu a esperar sem esperar. A não temer o ridículo. E em razoável medida, a avançar sem atropelar. A lidar com a saudade não como sina, mas como coisa bonita. Gina não sabe ser vítima. Gina pouco olha pra trás, senão para revisitar as tais coisas bonitas. Gina gosta de janelas. Dela quase sempre viu chegar as coisas mais belas. Até parou com suas aquarelas. Tão linda a sua janela. Aos menos, aos olhos dela. 



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Rapidinha.





Se todo mundo de acordo,
todas as mucosas são lícitas
na fusão dos corpos em festa.

Norah Jones