domingo, 25 de novembro de 2012

Domingos.


Domingo. 

Os Domingos desabitados de coexistência humana, à vezes - quase sempre - tem peso de chumbo.
Convidam aos sonos desprovidos de sonhos. Domingos desabitados nos lembram do quanto somos sós, alguns mais que outros, mas inevitavelmente sós. Minha rua fica com cara de estátua. E encho minha casa de ruídos artificiais, encho a cara com meu refrigerante entupido de aspartame e corantes artificiais. Encho meus olhos de leitura boa e ruim cheia de gente e coisas artificiais. Encho meu peito de ar para lembrar que estou viva e não sou artificial. Tenho profunda preguiça de cozinhar, profunda preguiça e desinteresse por quase tudo. E até as lindas árvores emolduradas pelo arco da minha janela parecem artificiais. E as lembranças boas ficam com cara de ficção. Nessa minha alma/história cheia de vãos, todos "vão". E volta a segunda-feira, esse dia que aprendi a amar. Apesar do frio na barriga que os "dias uteis" carregam consigo, junto com o tanto que pagamos para continuar sobrevivendo em todos os sentidos...até as árvores parecem mais vivas na segunda. Eu pareço mais viva. E hoje, me perdoem os felizes em tempo integral - caso existam - eu me permito sentir cada centímetro dessa melancolia. Pois que é sentindo tudo até  fim que vejo as coisas passarem...em algum momento, sei que a leveza me encontrará.

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