terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Exílios.

arquivo pessoal

Por tantas vezes, me fui sem saber pra quem/onde/porquê.
Tantas vezes menti alegria, quase sem perceber.
Me servi de histórias lindas e feias pra sobreviver.
Vendi por poucas moedas minha arte feita de carnes.
Chorei agarrada a travesseiros ao cair de tantas tardes...
E em tantas fugas, não me livrei de mim. Segui claudia
e manca, trôpega em cima de saltos altíssimos.
Os que vestem meus pés e os que cruzam abismos.
Não sou tecida em cinismos.
Mesmo cara repleta de cores,
o fundo de minha retina sempre delatou minhas dores.
Chá de boldo para lavar meu fígado de rancores...
e minha asa humana e quase invisível
me apontou o caminho de volta,
Onde mil anjos fizeram escolta.
Não fugi dessa vez. O exílio se fez.
E nem atravessei a porta da sala...
Desse Mundo que espera...
que eu me traga ao que é meu
e o sorriso (de verdade) se faça...

(E vou)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Da Gratidão - para José de Arimatéia

arquivo pessoal

Quando estava por um fio de abdicar de tintas e escritos, eis que palavras me foram ofertadas.
Delator de meus devaneios impressos quando eu, tímida, me escondia nesse espaço róseo...
Como se dissesse: "Siga, Claudia, siga!", em dias de alma remendada.
Viajamos metaforicamente com e através de Poesia para outros continentes, sem passaportes ou amarras.
Ganhei em Meu Natal mensagens de Afeto gratuito, que espera no máximo um sorriso, quando tudo cala.
Quando pareço cansada, eis que você surge, sutil feito brisa, enfeitando a madrugada.
É que São Paulo não é só concreto...lá existe alma. Gente que me lê para além da palavra...
essas que agora me fogem...(em minha cabeça, como um mantra: Gratidão, Gratidão, Gratidão...)
E mais (tudo!) nada...

(Gosto de você desde sempre, amigo das Iluminuras)


Para você, José. 





sábado, 19 de janeiro de 2013

Aquela maçã.

um belo achado


Não era exatamente aquele paraíso, mas em palavras outras, fui avisada: essa maçã nunca será sua. Ela não foi feita para seus dentes. Essa maçã será para outras bocas. Ao longo de anos, observei a maçã, com carinho e vontade de saber que gosto ela teria. Mesmo sabendo que nunca seria minha. "Que fora feita para outros dentes". Mas um dia ela simplesmente caiu em minhas mãos...brilhava e sorria para mim dizendo: "quero satisfazer, ainda que só por agora, os desejos de toda uma vida. Faça o que quiser de mim. Farei o que quiser por e com você. Eu prometo". Eu mordi a maçã, que cumprira sua promessa. A mais doce e suculenta maçã, aquela que não me pertencia. E pude sentir toda aquela vontade guardada por décadas, quiça existências...ouvi valsas belas em minha cabeça. Senti cheiro de mar em minhas narinas e ventos de asas em meu rosto. Senti gosto de beijo roubado e bom, bem no Céu da minha boca. Senti até Amor. Existe pecado na ternura? Sim, não era a minha maçã. E pouco me importei que me expulsassem do tal paraíso. Não fui feita para paraísos. Mas aquele paraíso...o paraíso daquela maçã "não minha"...aquele paraíso, levei para bem dentro de mim, onde ninguém pode mandar, senão eu mesma. E às vezes, nem mesmo eu...




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O fabricante de asas.

imagem colhida no google-lindo e oportuno achado.


Era uma vez um "menino anjo" cujo nome de sonoridade russa era quase impronunciável. Um dia ele cresceu, mas não lhe brotaram as asas, coisa que não se fez problema. Passou a construir asas metálicas, dessas que transportam sonhos. Assim como Santos Dumont, ele desafiou o impossível. E seguiu na linda missão de dizimar saudades de além mar.

Micro conto de Claudia Tonelli.

























terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Puf.

achei por aí.



falência
   

             múltipla




                                   dos ânimos



                                                       recolho
 




                                                                          algo de alma


                                                                                           (talvez sirva pra recomeçar)


                                       
                                                                                                                                      Puf.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A Porta Trancada.



arquivo pessoal

Foi um sonho. Não um sonho bom, mas nem sei se foi pesadelo. Tinha cara de recado, sei lá de onde...de algum canto do meu subconsciente bem mais esperto que minha sã(?) consciência.  Era uma porta. Uma conhecida porta, que eu entrava sempre que me dava vontade. Lá tinha coisas belas. Músicas, desenhos, singelezas. Tinha cheiro de tinta no ar. Lá tinha carvão e papel pra poder desenhar. Uma espécie de Céu para quem ama Arte. Mas nessa noite, ela não se abria para mim...tentava abrir, forçar com os pés, bater com força no afã de ser escutada pelo guardião das coisas belas. Nada. Quando já rendida de forças, quase indo embora, ela se abriu sozinha. Voltei, toda feliz... aquela porta tão amada que me fazia sonhar. Para meu espanto, um salão vazio, um espelho refletindo algo de loucura em meus olhos e alguns móbiles suspensos no ar. Nem tentei alcançar. Tirei os sapatos. Precisei sentir o chão para acordar. E acordei. Não se acorda sem chão. Não se avança sem chão. E tudo que quero é seguir em frente. Enxergando Arte no Pão.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Poesia de Primeira nessa quinta! (10/01/2013)

Claudia, Marla e Sérgio
Arnaldo Vieira









 CENTRO DE ARTE MARIA TERESA VIEIRA tem o prazer de convidar!

POESIA DE PRIMEIRA - Poesia, música e fraternidade.
Abrindo 2013, além do microfone livre para os artistas e para o público, o ‘Poesia de Primeira’ apresenta os convidados especiais; o poeta EUCLIDES AMARAL e o músico BIG OTAVIANO, que juntamente com o quarteto residente dos poetas e escritores Sérgio Gramático Júnior, Marla de Queiroz, Claudia Tonelli e do cantor e compositor Arnaldo Vieira, nos darão a honra de ver e ouvir suas belas produções.

O sarau será realizado na galeria de arte, em meio à exposição de pinturas e desenhos. No 2º piso a banca cultural contará com pequenos objetos, esculturas, gravuras, livros e postais de artistas contemporâneos.
No Café, cervejas de várias marcas, bebidas e salgadinhos.

Esse encontro, nascido da junção de afinidades poéticas entre Marla de Queiroz e Sérgio Gramático Jr., vêm fazendo desse momento, na mais carioca das ruas cariocas, um espaço de música, prosa, poesia e fraternidade, onde toda expressão da Arte é recebida de braços e corações abertos.

A gente se vê lá?

Beijos grandes!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

'O Especialista'/ por Claudia Tonelli

imagem colhida no google


'O Especialista'/ por Claudia Tonelli 

Ele chega do nada, depois de anos escondido em algum canto de seus sonhos mais lúdicos. Cheio de iniciativa. Te leva para jantar, te leva para ver estrelas (metaforicamente ou não), te leva ao cinema. Vai na sua casa. Sonha ao seu lado com quais as cores se vestiriam melhor suas paredes. Saca tudo de "mãos francesas", pensa em um modo interessante de empilhar melhor seus livros. Transa contigo olhando dentro dos olhos, investe um sem número de horas em preliminares. Beija bem, muito bem. Anda com creme de massagens, afinal, quer te ver relaxada. Conserta a torneira que pinga em seu banheiro, até desentope canos se precisar. Sempre sorrindo. Se emociona com grandes descobertas em sua vida. Vibra. Sempre que te encontra, quase que invariavelmente, amanhece ao seu lado. Aí um dia ele viaja, depois de uma noite inesquecível, para outra dimensão. Um especialista em 'privatizar' até o mais vacinado dos corações. Vai embora de sua vida na hora precisa. No auge. Sem choro nem vela. Deixa saudade, não tem como ser diferente. Ao telefone (quando pode atender), continua sendo cortês como um lorde inglês.
"Como vai, madame?".
"Vou bem, e você?"
"Trabalhando muito, feliz ano novo..."
"Um dia a gente se vê?"
"Um dia a gente se vê".
A essa hora, outra moça deve estar sentindo tudo aquilo que parecia 'seu', mesmo sem promessas ou palavras ditas. Nada precisava ser dito. A gente tenta sentir raiva. Mas não sente. Ficamos amiga desse carinha. Com uma inconfessa(?) esperança de um 'revival' sem ressaca, com aquele que nem chegou a ser de fato seu namorado. A gente não sente raiva. Não se sente raiva de um especialista. Esse que sai sem bater a porta...