sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

'O Especialista'/ por Claudia Tonelli

imagem colhida no google


'O Especialista'/ por Claudia Tonelli 

Ele chega do nada, depois de anos escondido em algum canto de seus sonhos mais lúdicos. Cheio de iniciativa. Te leva para jantar, te leva para ver estrelas (metaforicamente ou não), te leva ao cinema. Vai na sua casa. Sonha ao seu lado com quais as cores se vestiriam melhor suas paredes. Saca tudo de "mãos francesas", pensa em um modo interessante de empilhar melhor seus livros. Transa contigo olhando dentro dos olhos, investe um sem número de horas em preliminares. Beija bem, muito bem. Anda com creme de massagens, afinal, quer te ver relaxada. Conserta a torneira que pinga em seu banheiro, até desentope canos se precisar. Sempre sorrindo. Se emociona com grandes descobertas em sua vida. Vibra. Sempre que te encontra, quase que invariavelmente, amanhece ao seu lado. Aí um dia ele viaja, depois de uma noite inesquecível, para outra dimensão. Um especialista em 'privatizar' até o mais vacinado dos corações. Vai embora de sua vida na hora precisa. No auge. Sem choro nem vela. Deixa saudade, não tem como ser diferente. Ao telefone (quando pode atender), continua sendo cortês como um lorde inglês.
"Como vai, madame?".
"Vou bem, e você?"
"Trabalhando muito, feliz ano novo..."
"Um dia a gente se vê?"
"Um dia a gente se vê".
A essa hora, outra moça deve estar sentindo tudo aquilo que parecia 'seu', mesmo sem promessas ou palavras ditas. Nada precisava ser dito. A gente tenta sentir raiva. Mas não sente. Ficamos amiga desse carinha. Com uma inconfessa(?) esperança de um 'revival' sem ressaca, com aquele que nem chegou a ser de fato seu namorado. A gente não sente raiva. Não se sente raiva de um especialista. Esse que sai sem bater a porta...



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