domingo, 31 de março de 2013

De(s)onhos.

por aí...


De uma casa habitada por abandonos
tudo que foi adorno se fez tristonho
as flores de pano (até elas)
comeram todos os sonhos
de açúcar e muito sal
panos, tralhas,
risos frouxos
malas nunca desfeitas
garrafas de vinhos vazias
desde o outro carnaval
roupas dançam displicentes
esquecidas no velho varal
a dona do caos.
parece que foi por aí
equilibrista na tênue linha do 'não desistir'. 

Matemática.




Vamos vivendo entre máximos e mínimos. 
No máximo isso, no mínimo aquilo.
Entre pequenos máximos e grandes mínimos.
E o que está entre?
Dentre?
Desde quando?
Sempre?
Seguir seguindo.
Sempre.
Amanhã será no mínimo (um pouco) diferente.
No máximo, um avançar na corrente.
Tempo que escoa pelos dedos de toda a gente.

(por Claudia Cristina Tonelli)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Em dois tempos:

arquivo pessoal
Amo-te. Entre ares marítimos e concretos.
Amo-te. Entre as Artes que nos costuram
Entre os abraços que nos despertam
Amo-te.
Entre afinidades, cheiro de tabaco e madeira
Por dentre sonhos que nos margeiam
Por dentre as impossibilidades do mundo louco
Para além da corrida do ouro...
Desde sempre.
Um centímetro a menos de juízo
e pularia de um trem em movimento (em teus braços).
Levaria junto a mim apenas o que tenho de mais caro.
Sim, todo Amor é raro.



arquivo pessoal

Transbordamentos...(desses que enfeitam des-caminhos)

...você teria coragem? 
penso nisso
às vezes
se eu pulasse do trem
você me pegaria?
eu pularia mesmo sem saber?
hoje ouvi uma música
você a cantaria pra mim?
ou a guardaria na caixa aveludada que te protege a vida?
eu te amaria (e te amarei)
seja qual for a resposta. Ou a ausência dela.
[eu e minhas viagens sem passaporte...]










sábado, 16 de março de 2013

O barqueiro e a Contadora de Histórias

imagem colhida no google





Ela então chegou à margem do rio, onde esperava encontrar o barqueiro. Não levava nada nas mãos, senão as tais moedas para uma travessia mais amena. Sentia algo de medo, mas, talvez, enfim, estaria livre. Não lembrava como chegara ali. Olhou o barqueiro nos olhos. Muda, estendeu as mãos com as moedas.
'Não quero suas moedas'. - disse de pronto o barqueiro.
'Mas se cheguei até aqui...não devo fazer a travessia?'
'Está querendo apressar o quê? Há muito as ser feito'.
'Já fiz tudo, ou tudo que foi possível. Filho, algumas histórias, bolos de chocolate, alguns amigos, desenhos, viagens, até mesmo histórias de amor' (Ela parecia louca).
'Daqui ouço suas histórias e gosto delas. De lá para cá, de lá para cá...por alguma razão, elas me distraem de minha sina monocórdica. Gosto dos que contam histórias. Lembra? Quem cria coisas, mata a morte. Ao menos por um bom tempo'.
Ela muda. O barqueiro continuou:
' Posso ler seus pensamentos. Pensa que não será falta na vida das pessoas de sua vida. Para muitas, pode até não ser. Mas para outras, será. E por essas, adio sua viagem. Você bateu de cara em muitas portas erradas...toma essa bússola...e não me apareça tão cedo...caminhe ao Sul de si mesma...continue a escrever suas histórias, principalmente as de Amor, todas as formas de Amor. É o que move a Vida. E mais: vá viver suas histórias. Escrever só não basta. Sorria mais. Sorrir é bom. Faz tudo doer menos. Você sorri bonito. E repito: Não volte tão cedo. Quando voltar, não quero suas belas histórias escritas. Quero as histórias vividas. São muitas a lhe esperar. Não se atrase. O tempo voa.'
Com um sorriso, ela obedeceu...

terça-feira, 12 de março de 2013

Maravilha Litorânea.

arquivo pessoal.


Era a mais badalada de todas,
das capitais repletas de praia...
Mas naquela noite e na outra,
parecia cidade fantasma...
Bastava uma única ausência
(dentre várias)
para sabê-la desabitada.

sábado, 9 de março de 2013

Aleatórios.

arquivo pessoal

fitas
joaninhas
coca-zero
vestido de bolinhas
róseos
geleia
arco
rocambole
beijo: roubado
atenuante: consentido
água mineral
malas
palavras
longe
dentro
silêncio
música
dourados
filha
amor
sentido
apartamento
sapato
abraço
caixa de música
ébrio
cadarço
panela
abobrinha
perfume
mar
batom
viaduto
asa
bobagens...
Venta um bocado.





quarta-feira, 6 de março de 2013

Sopro.

imagem colhida no google

De brisa suave, que por vezes se cala e aquieta
Beija então o meu rosto e minha Alma irriquieta
   Se me guarda em Sonhos, de olhos despertos
Me lanço em seus braços, de peito aberto
Me cobre de cores, de 'róseos-lilases' 
Devolve-me as asas, cobertas de afeto
Me dá tua mão, quando enfim cai a noite
Eu sinto teu cheiro, madeira e tabaco
Eu bebo tua água direto da fonte
Eu guardo as lembranças num lindo (Há!)braço.

De Amor, liberdade, meus caminhos refaço... 


(Espanta medos meus, até sem saber, mesmo quando não percebo, só por existir)


Belo!