domingo, 28 de abril de 2013

Esse dia 'azul pijama'.

arquivo pessoal


azul sorriu da janela, o dia novo
honesto em seu tédio dominical
quase fui brincar de ser alegre
feito criança em quintal
o tecido, ainda mais azul, em minha pele
me fez também honesta
eu que não estou para festas
não declinei meu querido pijama
que acolhe e guarda minhas curvas
e não faz perguntas.
(Acho que ele me ama)

sábado, 20 de abril de 2013

Dos calores de Jeaninne.

(...)


Jeaninne...

O que queria ela? O que queria ela, passado tantos meses, quase ano? Sim, tudo que se quer. Além do simples e ordinário, algo igualmente simples e ordinário, mas ausente de seus dias há muito tempo. Fora a ultima a tocar em seus seios nos últimos três meses, buscando algo de calor humano. Médico não conta. No máximo, encontrou um pequeno grão. Suspeito grão, que em algum momento, descobriria o que era. Algo que poderia ser tudo ou quase nada. Algo de medo, mas veria assim mesmo. Um grão de arroz no seio não é coisa que se ignore. Mas naquela noite, queria outra mão em sua pele. Passou tempo mais que razoável achando que se bastaria em quase tudo. E achava que já havia meio que sublimado os calores humanos. Bobagem. Jeaninne queria gozar, foder. Não com seu reles brinquedinho de fraca pilha. Não com filminhos que nunca conseguia assistir por mais de dois minutos: davam preguiça, preliminares só eram interessantes na prática. "Fuck yeah, fuck me hard", esses textos não a excitavam. Um "me foda" em bom português parecia bem mais razoável. De preferência, como já foi dito, com outro corpo presente. Não conseguia nem pensar em romance (mentira, conseguia, mas sua natureza taurina a mantinha algo lúcida). Queria sexo. Uma mão pesada em seu ombro. Queria tecido fálico sua boca. Queria todas as cavidades preenchidas. Queria trepar. Sabia como e com quem. Mais simples seria aproveitar a data mundana e foder por aí, mas queria o que sabia que queria: aquele tesão sem futuro. Aquela mão rústica. O rosto de traços fortes afundados entre suas pernas. Beijos longos e fusionais. Colar sua pélvis naquela outra feito cadela de rua. Crua. Queria molhar lençóis com um tanto de si e um tanto dele. Lamber a curva daquele ombro belo (aquele ombro roubava-lhe um tanto de juízo). Ouvir impropérios ao pé do ouvido. Queria dizer coisas sujas e lindas também. Naquela noite, só lhe ocorria: "Quero gozar naquele/com corpo". Queria ser virada do avesso. Queria virá-lo do avesso. Queria sentir o impacto de ser invadida com força e suavidade. Mas sempre com força. Queria agarra-lo pelos maxilares e afundar naqueles olhos de poço fundo. Depois, voltaria à superfície, seguindo a luz que apontava o caminho de volta. E voltar plena, alimentada de seus instintos. Leve, ainda mais leve. E maior, apesar de miúda. Sem culpa. Desnuda. Queria aquela carne agreste e crua.
(e naquela noite, faria uma homenagem à crua carne que contou à dela: Jeaninne, você ainda está viva - mesmo que sem ter dito nada. Mas que contara...)
Ainda que durasse o tempo de um tango...ou de uma sublime e atemporal sinfonia (o jeito de se prolongar um tanto mais)...










sexta-feira, 19 de abril de 2013

As mil cores de Tita.



Tita em cores de chita
gouaches, acrílicas, carvão.
devorada por mil olhos em óleo,
dali brotaria de novo o pão.
Tita bela, Tita casta.
Tita para estudos, deleites, paredes de casas.
Tita nua, livre de devaneios.
Tita para lápis, pincel.
Tita sem calor de mãos.
Tita em mansas tintas.
objeto de observação.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

D'us te abençoe, Vó.

arquivo pessoal


Míriam Schwarzbach, minha avó, há cinquenta anos, deixou essa vida rumo ao Eterno. O mundo ficou menos azul sem a luz de seus olhos. Zally Clarice Schwarzbach, minha bisavó, deve ter recebido-a com um abraço. Que essas fortes mulheres desfrutem da paz do Divino. Sim, eu respeito, honro e acarinho meus antepassados. Pois é desta 'matéria humana' que fui feita e permaneço aqui, seguindo em frente. Obrigada, Elizabeth, minha mãe, pela vida e pelo espírito de luta. Não somos de fuga.

Claudia.