sábado, 20 de abril de 2013

Dos calores de Jeaninne.

(...)


Jeaninne...

O que queria ela? O que queria ela, passado tantos meses, quase ano? Sim, tudo que se quer. Além do simples e ordinário, algo igualmente simples e ordinário, mas ausente de seus dias há muito tempo. Fora a ultima a tocar em seus seios nos últimos três meses, buscando algo de calor humano. Médico não conta. No máximo, encontrou um pequeno grão. Suspeito grão, que em algum momento, descobriria o que era. Algo que poderia ser tudo ou quase nada. Algo de medo, mas veria assim mesmo. Um grão de arroz no seio não é coisa que se ignore. Mas naquela noite, queria outra mão em sua pele. Passou tempo mais que razoável achando que se bastaria em quase tudo. E achava que já havia meio que sublimado os calores humanos. Bobagem. Jeaninne queria gozar, foder. Não com seu reles brinquedinho de fraca pilha. Não com filminhos que nunca conseguia assistir por mais de dois minutos: davam preguiça, preliminares só eram interessantes na prática. "Fuck yeah, fuck me hard", esses textos não a excitavam. Um "me foda" em bom português parecia bem mais razoável. De preferência, como já foi dito, com outro corpo presente. Não conseguia nem pensar em romance (mentira, conseguia, mas sua natureza taurina a mantinha algo lúcida). Queria sexo. Uma mão pesada em seu ombro. Queria tecido fálico sua boca. Queria todas as cavidades preenchidas. Queria trepar. Sabia como e com quem. Mais simples seria aproveitar a data mundana e foder por aí, mas queria o que sabia que queria: aquele tesão sem futuro. Aquela mão rústica. O rosto de traços fortes afundados entre suas pernas. Beijos longos e fusionais. Colar sua pélvis naquela outra feito cadela de rua. Crua. Queria molhar lençóis com um tanto de si e um tanto dele. Lamber a curva daquele ombro belo (aquele ombro roubava-lhe um tanto de juízo). Ouvir impropérios ao pé do ouvido. Queria dizer coisas sujas e lindas também. Naquela noite, só lhe ocorria: "Quero gozar naquele/com corpo". Queria ser virada do avesso. Queria virá-lo do avesso. Queria sentir o impacto de ser invadida com força e suavidade. Mas sempre com força. Queria agarra-lo pelos maxilares e afundar naqueles olhos de poço fundo. Depois, voltaria à superfície, seguindo a luz que apontava o caminho de volta. E voltar plena, alimentada de seus instintos. Leve, ainda mais leve. E maior, apesar de miúda. Sem culpa. Desnuda. Queria aquela carne agreste e crua.
(e naquela noite, faria uma homenagem à crua carne que contou à dela: Jeaninne, você ainda está viva - mesmo que sem ter dito nada. Mas que contara...)
Ainda que durasse o tempo de um tango...ou de uma sublime e atemporal sinfonia (o jeito de se prolongar um tanto mais)...










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