segunda-feira, 29 de julho de 2013

A quarta década.

registro desse fim de semana. Ainda resistem bons amigos em minha vida!

Tem tempo que não passo por aqui. Quando comecei a escrever nesse "espaço róseo", eu era um tanto mais sonhadora. Ainda tinha convicções de que seria uma escritora publicada. Não tenho mais essa convicção, mas sei que vou continuar escrevendo, porque sei que escrever é parte do que me mantem viva e algo lúcida. Bem como ler. Lembro da minha ingenuidade de menina já meio velha, recém entrada na tal rede social, compartilhando meus escritos no mural de um monte de "amigos"(?). Faz tempo que não faço mais isso. Não tinha ideia de que isso era um incomodo, e que murais, atualmente, mais parecem muralhas. Mesmo no meu, já existem filtros para marcações. Ando adotando, em alguns aspectos da minha vida, dentro e fora do cristal líquido, o mesmo peso para a mesma medida. Não me atrevo mais a botar o link dos textos daqui lá na timeline do amiguinho ou amiguinha ou contato ou seja lá quem for que por alguma razão esteja conectado a mim. Já fui insultada por isso, chamada de oportunista por uma fulana que já era "profissa(?)" e não queria dar "carona para ninguém", ainda mais para uma "amadora". Ela não me conhece, e a maioria, jamais me conhecerá o bastante. Hoje é só um relato, mas na época, me fragilizei um tanto. A verdade é que sempre vivi em "carne viva", o que ainda acho melhor que estar morta. Não acho, não mesmo, que esse será um post de longo alcance. Por aqui, agora, chega quem quer. No máximo, compartilho o link no "meu" mural. Estamos numa época (ou sempre estivemos e, tardiamente, me dou conta) do "meu", "seu", raramente "nosso". Vivemos protegidos por muros, concretos e invisíveis. Damos saudações de boas vindas para quem nunca vimos em msgs "ibox", mas tememos a chegada de novos vizinhos. É estranho, mas é como andam funcionado(?) as coisas. Vivo mais na saudade que no presente, mas tento mudar isto. Vale lembrar que tenho a sorte de ser mãe, e agora, uma mãe cada vez mais e mais amiga. Acho que mãe tem que ser mais amiga, ainda mais de uma mocinha. Diálogo é tudo. Sei que nunca estarei rigorosamente só, ao menos, tenho essa esperança, por mais que soe egoísta. Ela é uma boa menina, prestes a fazer doze anos, e já quase dez centímetros mais alta que eu! O mais incrível é que ela cabe com perfeição em meu colo e meu abraço. Um amor sem medidas limitadoras. É o que plantei de mais belo nesse mundo, e se nada "der certo" quanto a tantos sonhos que tenho, minha vida já terá valido a pena. 
Em 9 de outubro desse ano, vou fazer 40 anos. Sei que vou, estou comprometida em durar e ver minha pequena crescer. Já é uma grande meta. Tenho que me cuidar muito. Da alma à derme, essa que carrega meu espírito ainda tão ruidoso. E quem sou eu prestes a entrar no que chamam de "idade da loba"? Além de mãe da Letícia, alguém que trabalha por conta própria por não ter uma formação acadêmica de grande monta. E trabalho com quê? Tem a maquiagem, sou boa maquiadora. Nisso, me empenhei bastante. Vendi joias minhas, ganhadas em meus quinze anos, para bancar essa formação. Não tive apoio na época, afinal, esperavam bem mais de minha suposta privilegiada inteligência, eu que venho de uma família que coleciona faculdades, mestrados, doutorados e pós docs. Verdade é que não foi me dada a mesma oportunidade por razões que não fazem mais sentido e pelas quais (quase) não choro mais. Sou uma "técnica em comunicação", oriunda da extinta ETEC, mas isso também não me levou muito longe. Os que avançaram, investiram mais em estudos. É justo, é como é. É mais como é do que justo, mas isso é só o que penso. Não sou dona da verdade, nunca fui. Tenho muita preguiça de quem acha que é. E daí que vou tentando me equilibrar entre a maquiagem, o trabalho como modelo vivo em um ou outro ateliê, o suporte em textos de alguns acadêmicos (por mais irônico que possa parecer) e redatores bem postos... e vida que segue. Avançando no tempo sem dó, essa dimensão misteriosa, o Tempo. Não "casei" de novo, não vivo um grande amor, não fui dançar tango em Buenos Aires, não sou um sucesso que salta aos olhos em nada, mas vivo com a dignidade que julgo necessária para deitar em paz em meus travesseiros. Já sofri muito por amor, muito. Hoje, de forma até inconsciente, quase o evito. Mas confesso: sou fã do Amor. Acho o casamento uma coisa linda, quando há Amor. Gosto e amo o Amor, com ou sem casamento. E confesso, ainda, que ritos afetivos me emocionam. Mas nunca soube muito bem como lidar com os finais, pois na minha cabeça romântica, Amor deveria ser algo sem fim. Na minha cabeça, onde há Amor, para quase tudo, deveria existir o Perdão. No pouco tempo em que permaneci esposa de alguém, e aqui, falo do pai da minha filha, eu juro que sonhei em envelhecer juntinha e ter talvez mais um filho. Passou. Não vivemos um roteiro de comédia romântica onde tudo dá certo no final, mas é nas comédias românticas que me reconheço um tanto sonhadora e algo menina, admito. E sonhar me faz um bem enorme, é só não me esquecer: é só sonho :)
Algo de beleza ainda resiste em meu rosto. Bebo agora mais guaraná que coca-cola, desenvolvi intolerância a alguma química da coca-zero. Com a idade, vão chegando também renúncias de menor impacto. Não tão menores assim, eu amava coca-zero...mas ok. Quarenta chegando. Dificilmente, eu lotaria um salão de festas. Vou comemorar, só não sei como. Além da falta de orçamento, não gostaria de me decepcionar com possíveis ausências. Acho que vou sair com minha filha, guardar "algum" para comer comida japonesa (amamos!) e talvez, deixar um café coado com bolo de milho para quem sabe o caminho da minha casa. Nunca fui de recusar abraços. Também vou tentar achar uma caixinha de músicas bem bacana, eu que amo esse mimo! A idade, o melhor dela: acolho as alegrias, bem como as tristezas, com um pouquinho mais de mansidão. Um pouquinho. Melhor que nada. Amém.

p.s: de vez em quando, ainda vendo meus livretos. A escrita, essa sim. Doce sina. Sabe-se lá até quando. E agora, divido uma página de crônicas na rede social com um autor pernambucano de alma paulistana. Um espaço onde o "meu" dá lugar ao "nosso". Quem quiser conhecer, fica o singelo convite:-> 
Crônicas de um mundo caduco


Um beijo a todos que passaram por aqui ;)

Um comentário:

  1. O fato de acreditar no Amor já é grande coisa.
    Um forte abraço.

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