sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Hoje(s)

arquivo pessoal





Ele não estava em uma caixa. Era um pássaro cinza em minha janela, logo pela manhã, contrastado com o azul quente e causticante de mais um dia quente e causticante. Eu me sentia cinza como as penas daquele pássaro que cantava incessante. Ele, irremediavelmente cinza, estava ali, levando-me sonoridades de um dia novo. Talvez um convite à coragem, talvez um pouso incauto, talvez acaso. E eu, que para não ser cinza, me "remedio" de formas várias. Tomo pílulas, banhos. Canto mantras. Calo. Choro, tento danças. E o pássaro, voa e canta, sem saber-se cinza. Tão livre que nem carece de espelhos. Por um momento, invejei o pássaro, eu que me escondo nas cores (às vezes). Sinto-me um tanto farsa. Mas sei que há uma honesta tentativa de riso. Para bom (re)começo, basta.

(Claudia Tonelli)

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